terça-feira, 10 de agosto de 2010

"O leitor sem qualidades"

Com este post não pretendo demover e aprofundar um tema que eu não domino particularmente. Aliás na imensidão de informação que nos circunda diariamente torna-se difícil conseguirmos estar continuamente actualizados ou dizermos que sabemos tudo sobre algum tema. É nisso que se encontra a beleza da ciência e do saber.
Na Geografia assim como na vida é cada vez mais importante a versatilidade e a polivalência, sem descurar a competência e o rigor profissional. O que me incentivou a realização deste texto foi João Ventura e o seu blogue “O leitor sem qualidades”. Apesar de estar longe de me considerar especialista em literatura apercebo-me e dou o devido valor a um texto bem escrito e elaborado.
Este blogue surgiu-me aquando as minhas pesquisas sobre o escritor chileno Bolaño, que me suscitou interesse conhecer devido à sua origem, America Latina( espaço tão controverso e polémico) o tipo de escrita e temas tratados. Tinha curiosidade em saber um pouco mais sobre ele, aquilo que ele escrevia e o modo como o fazia. Fiquei positivamente surpreendido. Recentemente recebi de duas pessoas que eu muito prezo um dos seus livros mais afamados “2666”.
Não posso dizer que goste de um estilo literário em particular porque, considero que leio pouco o que me impede de ter uma ideia formalizada. Posso dizer que me atraem livros com uma mensagem, onde consigamos aprender algo de útil sobre nós e o mundo que nos rodeia(ou).
A literatura portuguesa é muito vasta e apresenta escritores com muita qualidade, no entanto vou salientar dois escritores que têm como primeiro nome José: José Saramago e José Luís Peixoto.
Esta escolha ocorreu devido à simpatia que nutro pela escrita de José Luís Peixoto, difícil, bela e envolta em pensamentos de tristeza e nostalgia. Na escrita de José nós encontramos a ligação com a realidade que vivemos de uma forma figurada mas presencial. Para a concretização da minha opinião transcrevo duas frases inferidas no romance Nenhum olhar: “(…) talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez grosso modo caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros(…)” “ (…) talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram(…)”. As frases podem ter várias interpretações ou significados, induzindo para os problemas que se reflectem na sociedade actual.
O Romance de “Nenhum Olhar” ganhou em 2001 o prémio José Saramago, uns dos mais importantes da literatura portuguesa. José Luís Peixoto é uma das promessas da literatura portuguesa e um possível sucessor de José Saramago. Para terminar cito uma frase de José Saramago sobre José Luís Peixoto: “O José tem que pensar na sua obra”.

domingo, 20 de junho de 2010

Fim de Emisão

Vivemos numa sociedade dicotómica, num país onde a subdivisão entre o litoral e o interior se demonstra cada vez mais evidente.
O concelho de Oliveira do Hospital, situado a cerca de 30 quilómetros do sopé da serra da Estrela tem conhecido um progressivo afastamento da sua massa crítica para os grandes centros urbanos que oferecem uma maior diversidade e qualidade de empregos.
Um processo natural que infelizmente não é fácil de contrariar.
É consequência de todos estes factores, que observei com desagrado, o fim da edição em papel de uma das referências jornalistas do meu concelho “O Correio da Beira Serra”.
Considero o "Correio da Beira Serra" uma voz activa que defende os interesses dos cidadãos, demonstrando o empenho na divulgação de ideias que depreendem um caminho mais sustentável, que promove o desenvolvimento e resulta numa maior atracção de mão de obra qualificada para o concelho.
Digo-o pela qualidade dos textos apresentados que sustentam a minha ideia que a democracia, perde a sua força quando não tem uma voz activa sustentada e com qualidade dos eleitores.
Li as diversas publicações do jornal, com a atenção permitida por uma vida profissional atarefada, das quais realço dois textos, um descrito por Luís Torgal que aborda as problemáticas da educação em Portugal e outro de António Campos que mediante a sua experiência europeia como eurodeputado refere-se às mentalidades.
Infelizmente a qualidade paga-se e neste meio por vezes nem todos estão acessíveis e receptivos a percebe-la, aceita-la e desembolsar algum dinheiro por ela.
Fica aqui o meu desejo que a edição mantenha o modo digital  e o formato em papel volte às bancas brevemente. Na minha opinião o ego de Oliveira teria a ganhar com isso.
Deixo aqui o endereço do Jornal para quem queira conhecer um pouco do concelho de Oliveira do Hospital:  http://www.correiodabeiraserra.com/ 

Leiam não se irão arrepender!!!!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Este visual, Tiago e Rui, é de profissionais. Um blogue com apresentação magnífica. E é nesta altura que me sinto ainda mais envergonhado por escrever tão pouco. Espero que após esta fase insana das reuniões e avaliações possa escrever umas linhas que me permitam salvar, um pouco, a face.

domingo, 6 de junho de 2010

O documentário "Ruínas"

Manuel Mozos, cineasta português e autor do documetário "Ruínas" distinguido o ano passado em França no Festival Internacional do documentário de Marselha.
Este documentário premiado no Festival de Cinema Índie de Lisboa em 2009 apresentou a seguinte sinopse:
"Fragmentos de espaços e tempos, restos de épocas e locais onde apenas habitam memórias e fantasmas. Vestígios de coisas sobre as quais o tempo, os elementos, a natureza, e a própria acção humana modificaram e modificam. Com o tempo tudo deixa de ser transformando-se eventualmente numa outra coisa. Lugares que deixaram de fazer sentido, de serem necessários, de estar na moda. Lugares esquecidos, obsoletos, inóspitos, vazios. Não interessa aqui explicar porque foram criados e existiram, nem as razões porque se abandonaram ou foram transformados. Apenas se promove uma ideia, talvez poética, sobre algo que foi e é parte da(s) história(s) deste País."
Ainda não consegui ver este documentário, no entanto estou curioso, pois retrata um dos grande problemas do Portugal, o crescente número de casas abandonadas e em ruínas, assim como um património ou legado que começa progressivamente a ser esquecido.
A imagem de apresentação não poderia ser mais bem escolhida, o antigo Hospital, localizado junto às Penhas da Saúde, um monumento digno desse nome que se encontra literalmente ao abandono na vertente leste da Serra da Estrela.
Deixo aqui o mote caso quem conhecer o documentário fale-me um pouco dele.


Cliquem no título para verem o trailler!!!

sábado, 15 de maio de 2010

Portugal e a União Europeia

Lisboa retrata um Portugal Moderno, das oportunidades, da Liberdade, no entanto também da desigualdade e da diferença. Lisboa é cada vez mais uma sociedade cosmopolita que apresenta uma ligação cada vez mais evidente com os principais pólos urbanos Europeus e Mundiais.
Lisboa enquadra-se cada vez mais no Mundo Global, onde os conceitos de Crescimento e Desenvolvimento, são tão próximos mas ao mesmo tempo tão distantes.
Actualmente basta ligar a televisão ler os jornais, sairmos à rua para nos apercebermos das mudanças que latem diariamente em Portugal. Habitamos num Mundo onde informação circula a um ritmo alucinante, tudo se sabe, há a generalização da democracia, no entanto sentimo-nos cada vez menos autónomos. Vivemos numa sociedade por vezes um pouco ingrata.
A Urbanização, a Terciarização, a entrada na União Europeia trouxeram um consequente aumento da literacia, um Portugal mais moderno e desenvolvido. No entanto este incremento da liberdade social e económica trouxe inúmeras desvantagens, pois não conseguimos ser autónomos e gerir convenientemente o "nosso" dinheiro. Portugal e os portugueses passaram a ter mais dinheiro ou pelo demonstram-no, no entanto são menos auto-suficentes e autónomos, como retrata o défice e o endividamento das famílias. Cada um deveria viver de acordo com as suas potencialidades.
Na sociedade neoliberal que vivemos as Grandes Forças Económicas como as Multinacionais, Bancos, Empresas de Rating  controlam os mercado, conduzindo as economias mais débeis a situações complicadas, que conduzem muitas vezes à subjugação e ao controlo da economia. Infelizmente é o que está a acontecer com a Grécia, esperemos que tal situação não chegue a Portugal.
Para a saída da crise precisamos de Europa Unida, onde haja um consenso, pois só dessa forma podemos fortalecer o Euro e evitar o efeito dominó da crise grega. Portugal deve agir rápido, de uma forma austera mas eficaz.
Vamos estar atentos à situação económica e social  Portuguesa, Europeia e Mundial!!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

(Des)União Europeia

No próximo dia 9 de Maio comemorar-se-á mais um dia da Europa. Sou europeísta e agradam-me as soluções federalizantes, pelo que é através desta declaração de intenções que deverá ser lida a reflexão que se segue.
A União Europeia é, talvez, o único projecto político dos dias de hoje que vale realmente a pena. Se outros méritos não tivesse, bastar-me-ia o facto de ter sido a garantia de paz entre os países da Europa Ocidental. Simultanemamente, é um tema interessantíssmo para se estudar e as implicações das decisões europeias têm mais impacto nas nossas vidas do que comummente se pensa.
Apesar de tudo, a UE dá, frequentemente, um triste espectáculo de desunião, mesquinhez e que ainda se guia mais pela balança dos egoísmos nacionais do que por outro qualquer sentido à altura das responsabilidades europeias e dos próprios objectivos confessados em vários documentos. O evoluir desta crise será o mais recente exemplo deste decepcionante «cada um por si» que o monetarismo do BCE e da Alemanha impõe para a manutenção teimosa da rigidez dos PEC's para salvaguardar um EURO que, tal como está, vai interessando cada vez menos aos países do Sul.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cal


Outrora nas minhas leituras de Verão, li “Cal” de José Luís Peixoto que me suscitou interesse e me fez reflectir sobre a sociedade, o envelhecimento da população


No nosso Mundo mais concretamente nos designados países desenvolvidos, onde se inclui naturalmente Portugal o conceito de envelhecimento tem sido cada vez mais referenciado por uma multiplicidade de razões.

Neste livro de crónicas intitulado Cal por José Luís Peixoto, este descreve a rugosidade e o saudosismo de vidas envelhecidas pelo trabalho e pelas dificuldades insurgentes da dureza de outros tempos. Pessoas que envelhecem e sofrem actualmente as incompreensões e injustiças de uma sociedade, de um país que os esquece e não lhes concede o devido valor.

As consequências de tudo isto são diversas e sujeitas a várias interpretações. Presenciamos situações em que a mobilidade está cada vez mais patente, é cada vez mais fácil deslocarmo-nos, mobilizarmos informação entre espaços longínquos em segundos. Actualmente podemos ascender socialmente se trabalharmos ou estudarmos, caminhando-se para um maior bem-estar, qualidade de vida e um consequente aumento da esperança média de vida.

O envelhecimento apresenta-se como o resultado desta evolução social, tecnológica, saúde, educação…

No entanto nem tudo é positivo pois o aumento da riqueza conduziu a desequilíbrios cada vez mais acentuados, promovendo a criação de uma sociedade narcisista que por vezes se esquece dela própria. Observam-se cada vez mais casas vazias, o esquecimento de pessoas que nos são próximas pelo simples facto de já não nos serem úteis. Posso não estar correcto mas sinto que actualmente a palavra solidão ganhou uma outra profundidade.

As pessoas idosas perdem cada vez mais o simbolismo que detinham num passado recente onde havia um outro respeito e atenção pelas pessoas de idade. Não me estou apenas a falar daqueles que são esquecidos em lares ou hospitais, mas também os que são burlados por pessoas sem princípios nem valores morais.

Não há melhor cura para uma doença do que sentirmo-nos a presença de alguém que gostamos próximo de nós.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As mudanças no Sistema de Ensino Português























Após a leitura do post do Sérgio suscitou-me interesse falar um pouco sobre as mudanças que ocorreram no sistema de ensino em Portugal nas últimas décadas.

Há uns dias tive conhecimento de um projecto que me instigou à reflexão sobre a evolução dos tempos, das vivências da nossa juventude durante as últimas décadas.

A nossa sociedade tem evoluído a um ritmo diabólico, não só a nível tecnológico, como a nível social e económico. No post “O Nosso Mundo” abordei as diferenças que subsistem, de um modo cada vez mais evidente, entre divergentes pólos de desenvolvimento Mundial.

Neste caso vou precisar um pouco mais a realidade portuguesa reflectindo sobre as sinergias existentes entre as vertentes económica e social do nosso país que se induz indubitavelmente no nosso sistema de ensino.

O projecto anteriormente citado aborda as dificuldades que o corpo docente sente em controlar a irrequietude dos discentes que se denota de um modo cada vez mais constante e persistente em comportamentos de indisciplina e falta de educação.

As principais causas para tal ocorrência, induzidas com total clareza no considerado projecto, referem a falta de tempo das famílias para promover a educação dos seus educandos, a tecnologia designadamente as consolas, os telemóveis e os computadores que impelem a majoração dos comportamentos sedentários, agressivos e por vezes autoritários dos alunos.

Na sociedade em que vivemos onde o egocentrismo subsiste derivado de uma sociedade onde reina a lei do mais forte, torna-se cada vez mais difícil aos encarregados de educação despenderem tempo para dedicar aos seus filhos, estando por isso essa tarefa cada vez mais destinada à escola e aos professores. No entanto, é importante não esquecer que uma coisa não pode substituir a outra, embora por vezes se possa fazer crer.

Voltando ao projecto e reflectindo sobre as soluções enunciadas para a resolução de todos estes problemas, estas baseiam-se no estimular dos discentes através de actividades lúdicas e de um cariz didáctico, mais activo e dinâmico que propicie a aquisição de competências mais diversificadas e enriquecedoras.

Considero esta ideia muito interessante, pois com o passar dos anos e, em consequência do cada vez mais fácil e acessível acesso à informação, sente-se que a escola tem vindo ao longo dos anos a perder a influência que detinha no passado, onde o professor era visto como pessoa que merecia respeito, detentor de um saber que dificilmente era adquirido noutro local.

Através da liberalização da educação e informação a toda população portuguesa, que considero salutar e benéfico para a sociedade, mas também para o nosso tecido económico que precisa de pessoas capazes de lidar com situações cada vez mais diversas e complexas. No entanto, há também o reverso da moeda que foi a diversificação das aprendizagens e do designado “validar de competências” que conduziu ao desmazelo da educação e à perda de qualidade do ensino em Portugal.

É contra esta ordem de ideias que eu como professor quero e vou lutar através dos meios estiverem ao meu alcance, de modo a conceder mais credibilidade e qualidade ao nosso ensino, pois considero que apenas um ensino com qualidade propicia o surgimento de cidadãos mais conscientes e capazes de enfrentar um mercado de trabalho exigente e uma sociedade cada vez mais competitiva.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Viver Habitualmente

Uma boa forma de se criar uma anemia cívica é esperar que as pessoas vivam ensimesmadas e rodeadas de factores de sociabilização meramente tradicionalistas que as afastem de mecanismos de pensamento crítico e da politização das suas acções. A consciência cívica estruturada sobre um lastro cultural e científico básico foi a promessa da escola democrática-republicana que funcionaria como um meio de ascensão social e de garantir a todos o acesso aos bens imateriais que compõem o acervo cultural da humanidade. É esse o papel de qualquer professor que se preze e que preze a dignidade dos seus saberes.
Não admira, portanto, que as ditaduras tacanhas e tradicionalistas como a de Salazar, tenham procurado embrutecer deliberadamente o povo, através, nomeadamente, da criação de uma mitologia folclórica ligada à cultura popular ou à glorificação das «virtudes» da vida simples e campestre numa óptica ruralista. Dito de outro modo, «aprender a ler, escrever e contar para saber que manda quem pode e obedece quem deve» somado a um Portugal castiço.

Na passada quarta-feira tive um momento de grande frustração/indignação/solidão quando procurei convencer os meus colegas da absoluta bizarria que é fazer-se uma «desmancha do porco», alegadamente «tradicional» na Escola em que, este ano, trabalho. Desmancha essa, segundo eles, que tem tudo a ver com o tema de vida dos EFA B. Entendamo-nos: Reviver tradições já é discutível, embora aceitável... agora, levar para a escola aquilo que já é a vida dos formandos e esperar que, com isso, se desenvolvam as famigeradas competências presentes nos referenciais é que já me parece abusar escandalosamente da estupidez de quem é pouco mais do que analfabeto. Não deveria a escola elevar? Não deveria trazer novidades?
A resposta é um rotundo não: deve divertir, ser lúdica e uma espécie de passatempo para miúdos e graúdos. Salazar dizia que queria que os portugueses vivessem «habitualmente». Tem conseguido.

Desigualdades e pobreza

A análise à escala mundial das desigualdades permite traçar, grosso modo, uma divisão Norte/Sul. Como é óbvio, esta divisão generalista desvaloriza as tremendas diferenças existentes dentro de cada país ou entre países dentro do mesmo hemisfério. Portugal, por exemplo, embora geograficamente posicionado entre os «ricos» e tendo níveis de desenvolvimento superiores à média dos países em desenvolvimento, é um Estado de desenvolvimento intermédio que apresenta um elevado nível de pobreza (entre 18% e 20%) e graves desigualdades sociais.
Um dos grandes estudiosos sobre as temáticas ligadas à pobreza em Portugal, Bruto da Costa, apresenta os baixos salários como factor principal para explicar a persistência da pobreza, ou seja, é o modelo de económico que protela o verdadeiro desenvolvimento e condena à pobreza, não só os desempregados e desvalidos, mas uma parte importante das classes trabalhadoras.
Voltarei a estes assuntos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Parabéns!

O Tiago está de parabéns. Aquele orgulho que manifestou é inteiramente justificado.
Confesso que deveria ter escrito um texto há mais tempo, mas aquela bengala do trabalho aplica-se: uma tremenda barafunda burocrática tem-me conduzido a labirintos de ataraxia mental que me impedem de pensar em postar com um mínimo de dignidade.

Tinha pensado, inicialmente, num post sobre os tristes caminhos da escola, nas suas derivas pedagogistas, de estupidificação lúdica ou nas ilusões comunitaristas que se confundem com afirmação cultural, bah... Os posts do Tiago resolveram o problema: ensaiarei, numa próxima incursão, umas linhas sobre desigualdades. O tema é de uma acuidade insuperável.

Uma pontinha de vaidade

Sei que é provavelmente um regozijo exagerado, no entanto não consigo deixar de desfrutar de uma enorme satisfação e uma ponta de vaidade por ter postado o post “o Nosso Mundo”, provavelmente no blog mais lido de Portugal http://clubedospensadores.blogspot.com/ e ter tido um comentário como o do Oliveira Neves que passo a expôr:





sábado, 23 de janeiro de 2010

O Nosso Mundo




















O Ano 2010 é o ano Europeu contra a Pobreza e da Exclusão Social… bem já é um começo no entanto e tal como acontece com a Alterações Climáticas este deve ser um problema global e não apenas um problema que na Europa passou a ser a preocupação central de um ano.

Não quero com isto desprestigiar esta iniciativa tomada pela União Europeia, quero com isto dizer que deve ser generalizada a toda a Humanidade e durante um tempo indeterminado, isto é até que os conceitos de pobreza e exclusão social sejam banidos do Nosso dicionário. Pode parecer utopia, provavelmente é, no entanto tentemos amenizar tudo isto através de acções simples que melhorem a situação do nosso planeta e ajudem a resolver um problema de tão grande complexidade.

Como cidadãos temos o dever de melhorar o planeta onde habitamos. Para resolver o problema das Alterações Climáticas há muita informação que podemos ter acesso pela televisão ou pela internet.É cada vez mais urgente evitarmos os desperdícios, é importante promover uma mentalidade onde a reciclagem seja essencial e obrigatória e a utilização de energias renováveis se torne norma. Tudo isto são situações que podemos fazer para tornar o nosso planeta mais saudável, duradouro e onde a qualidade de vida continue a crescer.

No entanto e no que atenta à pobreza e exclusão social a situação não é assim tão linear. As desigualdades, o fosso entre os países ricos e pobres continuam a crescer desmesurada e assustadoramente. É preciso colocar um travão, no entanto a tarefa não se avizinha nada fácil.

A Humanidade evolui em campos opostos, a maior parte dos países do Hemisfério Norte preferiu investir em políticas capitalistas onde o lucro está acima de tudo e muitas vezes as condições de trabalho, os salários, a qualidade de vida dos trabalhadores são em muitos casos deprimentes. Esta situação deu origem a um crescimento muito elevado das economias descurando-se a vertente social.

Por outro lado no Hemisfério Sul, mais concretamente no continente Africano, a maior parte da população vive em condições indignas para o ser humano, na maior parte dos casos estas pessoas não vivem sobrevivem. África um continente tão rico em recursos do subsolo, com paisagens naturais magníficas, permanece num processo de autodestruição quer devido a políticas corruptas onde o júbilo pessoal permanece sobre a subsistência das populações, quer devido a fronteiras mal definidas pelos colonizadores europeus que conduziram à ocorrência de constantes conflitos internos.

Toda esta situação tem-se vindo a agravar com a revolta dos cidadãos que se apercebem das discrepâncias existentes, sentem-se revoltados e impotentes para amenizar a injustiça social que vigora de uma forma cada vez mais evidente.

Todos nós como cidadãos podemos contribuir para redução da pobreza e exclusão social, quer seja de uma forma simples através de doações a instituições de caridade, quer de um modo mais complexo através da participação em organizações da sociedade civil. No entanto e apesar de tudo o mais importante é estarmos cada vez mais atentos e apercebemo-nos do Mundo que nos rodeia, da sua complexidade e envolvência, pois só o conhecendo poderemos ter argumentos para criticar as políticas e agir de uma forma mais consciente e eficiente de modo a amenizar os nossos e os problemas da Humanidade.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Haiti- Uma tragédia dentro de uma tragédia


















Início as minhas postagens deste ano infelizmente com a referência a uma tragédia que se assolou dentro de outra tragédia.


Haiti considerado um dos países mais pobres do Mundo e o mais pobre do Hemisfério Norte.
Num país onde 80% da população vive com menos de 2 dólares por dia, não há um exército que restabeleça ou pelos menos ameniza situações de desordem e anarquia nas ruas de Port au Prince.


Port au Prince é uma cidade paralisada a esperar ansiosamente a ajuda internacional. Calcula-se que cerca de 3 milhões de pessoas tenham sido afectadas pelo terramoto de terça feira que atingiu uma magnitude de sete na escala de Richter. O sismo provocou uma situação de caos, não há água, luz, comunicações transportes, os edifícios presidências e mais robustos ruíram e os bairros de lata que circundavam a cidade foram completamente destruídos.


Toda esta situação se agravou profundamente pelo desgoverno que o país padece de há uns anos a esta parte. Não há meios de defesa, os hospitais estão sobrelotados e sem meios para fazer face ao número tão elevado de feridos. O Primeiro Ministro aguarda à ajuda internacional, o Presidente da Republica fugiu na altura que o país mais precisava da sua presença.


Tudo situações tenebrosas e assustadoras que arrepiam e nos fazem pensar na força que a mãe natureza que escolheu o “pior” local do Mundo para suceder uma tragédia desta ordem.

A Humanidade mais uma vez terá que se unir para que sejam salvas o maior número de pessoas possíveis, e amenizar o sofrimento de um povo que necessita tanto do seu auxílio.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Estreia

O Tiago teve a enorme simpatia de me convidar a dactilografar algumas coisas no blog dele. O exercício é arriscado porque, afinal, o blog acaba por ser uma extensão manifestada da nossa identidade. Neste caso, da identidade dele. De uma forma ou de outra, o espaço acabará por se tranformar porque há uma «intrusão» nesse espaço de identidade. Como tal, espero não desiludir o criador do blog nem os seus habituais leitores. A estes últimos que, na sua maioria, não me conhecerão, aproveito para os cumprimentar e esperar que se possa alargar um espaço de interacção.
Postarei com a frequência possível, nos intervalos dos nervos dos afazeres burocrático-normativistas que pautam a vida das escolas.
Até breve,
Sérgio.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vote pelo Planeta!!!












No outro dia dei por mim a pensar nos conteúdos que iria leccionar nas minha próximas aulas quando vi este pequeno video que transparece provavelmente o tema mais falado actualmente, as "alterações climáticas". Em meados do mês de Dezembro decorreu em Copenhaga uma Conferência para tentar debelar um problema global, um problema que é de todos.

Infelizmente não se chegou a qualquer consenso, os factores económicos sobreposuream-se aos humanos ou sociais. Compreendo que seja dificil exigir a um país que começou há poucas décadas o seu perído de desenvolvimento que altere significativamente os seus moldes de produção. No entanto deve coexistir uma maior flexibilidade, pois ao contrário dos problemas sociais, económicos, tecnológicos estes afectam toda a humanidade.

Todos nós sentiremos na pele as consequências das alterações climáticas caso não façamos nada para alterar esta situação. É pois necessário que países desenvolvidos dêem o exemplo, ajudem os menos desenvolvidos a conseguirem implementar faseadamente formas de produção energética mais eficientes e amigas do ambiente. No entanto além da concessão dos fundos para que seja possível os países menos desenvolvidos tornarem mais eficiente o seu sistema produtivo é importante é importante que haja um controlo sobre a utilização dos gastos.
P.S. É possivel aceder ao filme que dá nome a este post através de um clic no título

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Testemunho ocorrido no Sistema de Ensino Português










Em meados de Outubro estava eu a iniciar a minha actividade laboral na Escola Secundária de Rio Maior, quando me ligaram da Escola de Fragoso a dizer que eu teria de lá voltar para uma reunião extraordinária. Fiquei perplexo, mais não seja porque estava a cerca de 400km de distância. Bem passemos agora ao que interessa as razões dessa reunião maravilha. Durante a época normal, ou seja logo após a entrega das notas de final de ano lectivo o encarregado de educação de um aluno com 5 negativas interpôs recurso à avaliação, alegando que os professores durante o processo avaliativo não tiveram em conta os seus problemas auditivos, diga-se nunca justificados ou indicados através de uma declaração médica.

Este recurso foi devidamente contrariado em acta, sendo os nossos argumentos aceites em pedagógico. O Pedagógico corresponde ao órgão máximo da escola.


Fui para férias descansado sabendo que não haveria qualquer hipótese de voltar a interpor recurso desta vez para o órgão superior a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), pois não teria argumentos para tal.

Qual não é o meu espanto, quando em meados de Outubro, já o ano lectivo ía com 3 semanas de aulas, soube que o pai tinha recorrido à DREN, sendo-lhe dada razão.

Vou passar a descreve a carta descrita por uma pessoa que não tem contacto com o meu educativo, nem sabe como funciona a realidade escolar:

Tendo em conta os princípios que enformam a legislação sobre a avaliação das aprendizagens-evolução do aluno, aquisição de competências numa lógica de ciclo e retenção com último dos recursos(...) o Conselho de Turma, com a concordância do Conselho Pedagógico não assegura a aplicação dos mesmos justicando a retenção do aluno exclusivamente pela postura desadequada do aluno face às actividades: falta de interesse, falta de estudo, falta de empenho, pouco investimento no estudo, comportamento desajustado.(...)atendendo à lógica de ciclo,(...) não justifica que as dificuldades do aluno, no 7º ano, comprometam significativamente a aquisição de competências de final do 3º ciclo do ensino básico.

Com estas palavras apreende-se que se a falta de estudo,empenho, postura desadequada face às actividades escolares não são suficientes para a reprovação. Associado a este facto depreende-se que as competências não adquiridas no 7º ano podem ser adquiridas nos anos subsequentes. Valia mais não se chumbar ninguém até ao final do 9º ano, bem se calhar caminha-se nesse sentido.

Continuando a transcrever a carta, prometo não vos massar muito mais:
A repetição não é um meio pedagógico adequado, porque os alunos vão encontrar dificuldades acrescidas quando a sujeitos a um mesmo programa, numa turma em que têm que fazer novos esforços de integração e para onde transportam o estigma do "chumbo"(...) A ideia muitas vezes ouvida que a "repetição não faz mal" não tem qualquer fundamento sobretudo numa escolaridade básica. A transição de ano sem que os alunos adquiram as competências necessárias e sem que se encontrem os meios de superação de dificuldade não é de modo algum solução, mas a repetição, atirando a responsabilidade da não aprendizagem para o aluno e sua família, também não é.(...)


Bem acho que esta passagem diz tudo, coitadinho do menino que vai ter de se adaptar a uma nova turma e transportar o estigma do chumbo...Toda esta situação ridícula, coloca em causa o trabalho dos professores, da escola, do sistema educativo etc. Quem se fica a rir com tudo isto são os alunos, que se apercebem do facilitismo que de uma forma cada vez mais evidente é demonstrado pelas mais altas instâncias do ensino em Portugal.

É contra esta corrente que temos de lutar, não só nós professores como todos os cidadãos, pois só dessa forma o país pode crescer e evoluir.
Fica aqui um testemunho, espero que vos faça pensar e reflectir um pouco

terça-feira, 9 de junho de 2009

Para mais tarde recordar



O dia 23 de Maio de 2009!!!
Um dia que me irá ficar na memória por uma multiplicidade de razões!!
O dia começou cedo de um modo frenético e agitado, também não era para menos, ía a dois casamentos, até ao momento algo único na minha vida. A Cecília, a "minha menina bonita" chegou deslumbrante nos seu traje nupcial. Após uma sempre preciosa ajuda feminina, no aconchegar da vestimenta, lá fomos, já atrasados para o casamento do Malta onde o grande Fenias já estava de serviço. Assistimos à cerimónia, tirámos a foto da praxe e ainda fomos a tempo de assistir ao grande momento da manhã, o noivo desatou a chorar desalmadamente.
Após os últimos cumprimentos ao noivo e o abraço ao Fenias lá fomos para Pombal "by the second wedding". Não foi fácil, mas lá chegámos ao dito casamento da Claudinha. Quando lá chegámos, cerca das 15h, já tinham comido o primeiro prato. Sentámo-nos na mesa que nos estava reservada, e ficámos na amena cavaqueira. A companhia, a comida e a bebida eram fantásticas, tudo ingredientes que tornaram este copo de água memorável. Houve tempo para tudo, para um pezinho de dança, tirar umas fotos, conversar, rir. Resumindo tudo ingredientes que contribuiram para desanuviar após uma intensa e sempre dura semana de trabalho.
Um dia para mais tarde recordar!!!!

A minha primeira Experiência como Professor....










A minha primeira experiência como professor decorreu numa pequena aldeia Minhota designada de Fragoso. Durante a seis meses conheci uma realidade exigente, pactuei algumas situações delicadas e anómolas, que me fizeram crescer e aprender a lidar melhor com determinadas situações.

Durante Janeiro e Julho de 2009 conheci os meandros de uma profissão controversa, muito exigente qur no que respeita à grande diversidade de situações que nos vemos obrigados a lidar diariamente, assim como pelo imenso trabalho que temos de ter extra-aulas... No entanto não há melhor sensação do que observar o reconhecimento do nosso trabalho, constatar o interesse e o apreço por aquilo que fazemos.

Há medida que o tempo passa as responsabilidades, os problemas, as preocupações aumentam, no entanto são elas que nos fazem crescer e aperceber que a vida não é fácil, e para conseguirmos algo que realmente desejamos, temos de lutar e trabalhar. Isso é a belezea da vida!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Um fim de semana diferente


As palavras permitem-nos descrever de um modo solto e descontraído aquilo que sentimos. Por vezes a confusão que emana nas nossas vidas leva-nos a procurar espaços onde possamos de uma forma relaxada escrever, sem o stress e a pressão resultante do cumprimento de horários ou de datas.

Neste fim-de-semana Pascal, tive a possibilidade de usufruir desses momentos, passando um fim-de-semana prolongado por terras Algarvias na sempre agradável companhia familiar.

Já há algum tempo que não me deslocava ao Algarve, já não sei ao certo, o tempo mais que suficiente para observar de um modo claro alterações paisagísticas, essencialmente no que concerne ao crescimento do mercado imobiliário.
Não queria entrar muito num assunto tão delicado como o planeamento urbanístico, que mexe com tantos interesses, ainda para mais no Algarve, no entanto não posso deixar de fazer alguns comentários expressando um sentimento de profunda apreensão, quando observo a construção de aldeamentos turísticos tão próximos das dunas.

O planeamento urbanístico deve ser realizado de um modo coerente, tem de jogar com um conjunto de factores de índole geográfica, geológica, histórica, arquitectónica, de engenharia etc. Antes da concretização de infra estruturas imobiliárias é essencial a elaboração de estudos interdisciplinares, percebendo-se de um modo claro, as localizações mais e menos adequadas à construção de imóveis. Infelizmente as coisas nem sempre se desenrolam desta forma e muitas vezes os interesses económicos sobrepõem-se à coerência dos factos.

Eu com a elaboração deste post não pretendo censurar ou criticar os interesses imobiliários que detêm um enorme peso e são essenciais numa sociedade que procura crescentemente o luxo resultante de um turismo de qualidade. O que eu pretendo dizer é que devem ser as autarquias ou o governo a indicar os locais mais apropriados para a construção e não o contrário, como infelizmente ainda acontece muito em Portugal.

Pondo de lado a problemática do planeamento, que nos conduzia à concretização de um post muito extenso fugindo ao seu principal objectivo a descrição do meu fim de semana pascal no Algarve na companhia dos meus pais e da minha mana.

Estes dias serviram essencialmente para descansar para pôr a leitura em dia, passar uns dias agradáveis na companhia dos meus pais e da minha irmã e desfrutar da sempre especial presença do Mar. Não consigo esconder a minha eterna paixão pelo Mar, sem no entanto esconder o enorme respeito que ele me merece.

Nesta fase um pouco mais atribulada da minha vida derivado essencialmente da incerteza de um futuro instável, estes dias serviram para organizar as minhas ideias e recarregar as baterias, para uma batalha que não se advinha fácil.