sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desabafos "Austeros"

Vivemos situações complicadas, como se diz na gíria e em época de crise todos falam mas ninguém tem razão, ou pelo menos ninguém aparenta ter uma varinha de condão, que faça mudar a situação do défice ou do desemprego.
Apercebo-me com tristeza, a desconfiança e instabilidade que observo o meu futuro. Ao longo da minha curta vida de professor, que não conta ainda com dois ano de serviço, já calcorreei inúmeras estradas, fiz milhares de quilómetros e leccionei em 6 escolas. Não me atemoriza ou preocupa o desafio, de enfrentar contínuas integrações ou conhecer novas situações ou realidades. O que me intriga e entristece é observar a tendência de as coisas piorarem no futuro.
Seria motivador aperceber-me que as progressões na carreira ocorreriam por mérito de acordo com o tempo de serviço e com as prestações de provas. Na minha opinião o Processo Avaliativo devia  ser apenas obrigatório, sempre que pretendêssemos mudar de escalão ou índice, não devendo haver penalização no restante processo da carreira docente. Fora desse período de mudança de escalão, a escola poderia emitir uma avaliação simbólica, sem as burocracias subjacentes ao processo de Avaliação de Desempenho.
Com esta actual “obrigatoriedade” de pedir aulas assistidas, uma vez que ela é inserida no processo de graduação, sendo que aos candidatos que tiverem nota de Muito Bom e Excelente  é-lhes acrescidos 2 e 3 valores respectivamente. Considero que um ou dois valores a mais na média poderá ter um significado enorme, podendo resultar na perda de alguns lugares na lista de colocação a concurso, o que nos dias que correm pode ser a diferença entre ficar a 100km ou 400km de casa.
 A competitividade da sociedade actual começa a passar progressivamente para o Ensino, reflectindo-se em divisões guerrilhas internas para conseguir uma simples menção de Muito Bom ou Excelente.
Deixo aqui uma questão dos colegas que trabalham em escolas com alunos problemáticos com realidades sociais difíceis, serão avaliados da mesma forma que um colega que trabalhe numa escola modelo.
As realidades sociais são heterogéneos e multifacetadas, sendo preciso ter em conta todos estes factores, aquando do processo Avaliativo, pois só dessa forma se processará uma Avaliação Justa

sábado, 9 de outubro de 2010

A República é o que está a dar!

Múltiplas instituições públicas e privadas, com fins políticos, culturais, académicos ou simplesmente mercantis, ao longo deste ano de 2010, têm desenvolvido variadas iniciativas que visam evocar o centenário da República. Proliferam, por este país fora, comunicações e congressos, exposições e publicações de livros alusivos ao tema, representações de história viva, programas de rádio, séries de ficção televisiva e documentários, e até competições desportivas, festas, banquetes e bailes são abençoados com o nome da República.
Creio bem que tudo isto não é censurável. E será até aceitável e talvez recomendável. No entanto, no meio de tanto ruído eufórico e, porventura, de alguma encenação «barroca», receio bem que se perca de vista dois assuntos essenciais relacionados com o passado e o futuro da República.
Primeiro, o chamado período da propaganda republicana (anos 40 do século XIX até 1910) encontra-se, de facto, muito bem estudado por historiadores como Fernando Catroga e Amadeu Carvalho Homem, para citar apenas dois que pertencem à Universidade de Coimbra. Contudo, receio que, no meio deste fogo-fátuo e de tanta (e, em vários casos, duvidosa) publicação de títulos, continuem por fazer e editar obras de investigação historiográfica de grande fôlego e verdadeiramente inovadoras sobre o regime republicano balizado entre a revolução de 5 de Outubro de 1910 e o golpe militar de 28 de Maio de 1926. A prometida síntese monumental sobre o tema (em que, aliás, tive a honra de colaborar com os verbetes «Fátima» e «António Machado Santos») – o Dicionário de História da Primeira República e do Republicanismo — parece ainda estar a ser lavrada e tarda em ver a luz do dia. E julgo serem demasiados os temas e as questões nas áreas da história política, da história religiosa, mas também nos domínios da história da educação e da história económico-social a necessitarem de ser desbravados e mais bem esclarecidos a partir de uma sistemática inventariação e interpretação de novas e velhas fontes.
Daí decorre que alguns historiadores e, o que é lamentável, os opinantes profissionais mais mediáticos da nossa ágora se percam em exercícios de reflexão demasiado especulativa e desactualizada, que, em muitos casos, enfermam de preconceitos e juízos de valor político-ideológicos ou até de outras razões mais crípticas de carácter psicanalítico ou mercantil. Desconfio, por isso, que tais atitudes esvaziem a sempre problemática análise histórica da sua necessária objectividade e não contribuam para um melhor esclarecimento do assunto tratado. Pior: suponho mesmo que essas intervenções possam até semear a confusão nos espíritos de muitos cidadãos.  Por outro lado, importa ainda enfatizar que se perdeu também uma oportunidade irrepetível para criar um verdadeiro «Museu da República» (recordo que hoje apenas temos o Museu da Presidência da República, que é, afinal, um museu com desígnios diferentes): um espaço cívico, cultural, académico e didáctico, preparado para traçar, de forma pedagógica e historiográfica (portanto, não redutoramente apologética), os trajectos da(s) nossa(s) República(s) através do recurso às suas prolíficas fontes, onde, aliás, abunda uma fascinante documentação imagética.
Em segundo lugar, será que caminhamos para o fim da República democrática e social no preciso momento em que discutimos apaixonadamente — e esterilmente (e anacronicamente) — se a República procedente da revolução do 25 de Abril de 1974 é herdeira directa da Primeira República oriunda da revolução de 5 de Outubro de 1910? Ou se a Primeira República foi demoliberal ou ditatorial, tolerante ou intransigente, laica ou jacobina, socialista democrática ou burguesa e anti-sindicalista, comedida ou esbanjadora do erário público?
Certo é que, quando soçobrou a Monarquia Constitucional, sobretudo as massas urbanas devotaram-se ao messiânico ideário republicano; quando tombou a Primeira República, muitos foram os que acreditaram (ou foram coagidos a confiar) nos milagres do «fascismo português»; quando o Estado Novo naufragou, o povo fiou-se nas panaceias socialista democrática, social-democrata, comunista ou democrata-cristã. Mas hoje parece já nada restar dessas ideologias. Ou melhor, no meio deste aterrador vazio ideológico, resta-nos inculcar a ladainha inconsequente dos economistas neoliberais anafados e fartamente reformados, que pelo menos durante os últimos 30 anos dominaram as instituições estatais, empresariais e financeiras nacionais, e só agora, «no fim do jogo» é que «previram» o colapso financeiro do Estado (!). Resta-nos, portanto, aceitar brutais planos de austeridade que nos conduzem, inexoravelmente, à recessão, ao desemprego e à miséria. E, enquanto Portugal sucumbe paulatinamente, resta-nos bradar mais uma vez o velho slogan socialista soarista «A Europa Connosco» — esperando talvez que os inimputáveis Durão Barroso, Angela Merkel, Jean-Claude Trichet e Vítor Constâncio sejam por uma vez tocados pela delicodoce fraternidade europeia e, a bem do povo, extirpem os pecados veniais cometidos no país, nos últimos anos.
5 de Outubro de 2010
Luís Filipe Torgal


Texto publicado no Jornal Folha do Centro e no blogue de Paulo Guinote "A educação do meu umbigo"



domingo, 3 de outubro de 2010

De 2010 a 1910, passando por 1810!!!!

Nos dias que correm o centenário da República tem dominado as temáticas desenvolvidas pela imprensa nacional. O 5 de Outubro de 1910 promoveu a transição de regime político da Monarquia para República.
Não me vou imiscuir na passagem, entre este dois Regimes Políticos e as controversas opiniões decorrente do processo de transição, assim como as suas vantagens e desvantagens.
Durante o centenário da República, Portugal viveu períodos conturbados, desde o sem número de governos da fase inicial da sua implementação, até à ditadura vivida entre 1926 e 1974, culminando nas medidas de austeridade descritas recentemente pelo actual governo.
De acordo com a crónica de Octávio dos Santos, numa crónica  do jornal Público do dia 27 de Setembro, o Estado Português criou a uma Comissão Nacional para a Comemoração do Centenário da República com um orçamento de 10 milhões de euros.
De algum modo, percebe-se o ênfase dado às comemorações de uma data marcante, suscitando interpretações mais aprofundadas sobre um período para muitos, principalmente os mais jovens , totalmente desconhecido.
No entanto, considero intrigante observar os gastos supérfluos do nosso Estado, que apresenta a mania das grandezas, transparecendo ideologias políticas manipuladoras e demagógicas, preocupando-se excessivamente no ganho de preponderância.
Os jogos do empurra e as constantes ameaças de uma crise política, caso não se aprove o orçamento de Estado, intrigam-me pois estou no início da carreira profissional e não consigo confiar nos nossos governantes que mudam constantemente o seu discurso, de acordo com as conveniências temporais, ou seja as medidas tomadas antes e após o período eleitoral.
Lamento que a imprensa se cinja ao desenvolvimento de temática mediáticas que lhe concedem preponderância no que concerne à audiência, fazendo pouca referência ao bicentenário da batalha do Bussaco que se comemorou no passado dia 27 de Setembro. A Batalha do Bussaco pode-se considerar, uma das mais importantes vitórias das tropas aliadas(portugueses e ingleses), que culminou em 1811 com a retirada dos Franceses do território português.