segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O conceito de autonomia na educação

O fim das direcções Regionais da Educação é consequência de uma política onde se pretende dar uma maior autonomia às escolas e às autarquias. Os reflexos das mudanças observam-se nas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) onde são as autarquias que seleccionam os candidatos, nos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária(TEIP) e nas escolas com autonomia onde os horários não vão a concursos nacional sendo os mesmos seleccionados pela escola mediante os critérios de selecção que entenderem.
Aborda-se com firmeza demagógica o fim dos cargos dirigentes, no entanto quem irá ser afectados não são os dirigentes que no caso das chefias das direcções regionais voltarão a dar aulas, mas quem está a começar e vê os seus horários ocupados.
Os designados cortes de milhões não são mais que números, pois a extinção dos organismos implica gastos mantendo-se o salário da maior parte dos funcionários que apenas mudam de lugar. O que se altera são os lugares de base, os referidos contratados, que são cada vez mais voláteis e precários.

domingo, 18 de setembro de 2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Professores contratados


Aquando das minhas pesquisas diárias, na busca de uma vaga para leccionar deparei-me com este texto que retrata de uma forma clara os problemas que os professores contratados se debatem actualmente:

De todos os pontos de Portugal, 7 de setembro de 2011

Quem somos? Professores contratados.
Quantos somos? Somos muitos!!!

Este documento surge no âmbito da situação em que nos encontramos, graças aos sindicatos e ao Sr. Ministro da Educação Nuno Crato. Para a realização do mesmo utilizámos a informação recolhida no sítio da DGRHE (que nem sempre se encontra disponível) e este surge nesta fase por considerarmos que já não é possível espezinhar nem humilhar mais os professores contratados.
Quem diz que a tradição já não é o que era, com certeza não se referia ao Concurso de Docentes. Todos os anos a história se repete: dia 31 de Agosto é sinónimo de incerteza, stress, mudanças e, para os mais sortudos, de alívio (com o prazo de validade de um ano).
Ansiamos pela publicação das listas pela DGRHE e até apostas fazemos acerca da hora em que teremos acesso às mesmas. Este ano, tal como apareceram, desapareceram, dando lugar a um “engenheiro” de capacete amarelo, que apelidámos de “Bob” e que nos impedia de aceder, estando o portal “Em manutenção” durante várias horas.
Considerando a tradição, era previsível o aparece/desaparece das listas, mas e o “desaparecimento” de 3 mil e tal horários? Nem Houdini seria capaz de tal proeza!
O que não pode (também) ser ignorado é a ausência de qualquer nota informativa, por parte do Ministério da Educação, que justifique esta situação. Este silêncio é revelador do desrespeito existente em relação à nossa classe, que tanto tem dado à escola pública. Merecemos que nos tratem sem qualquer respeito? Já sabíamos que para a tutela não somos mais que um número, que todos os anos vive à mercê do seu jogo, mas tratarem-nos desta forma tão leviana, tão desrespeitosa, não dando uma explicação para o feito, não é, de todo, razoável nem aceitável.
Assunto também escandaloso, e do qual ainda também aguardamos informações esclarecedoras, prende-se com a problemática que envolve as Ofertas de Escola.
Em pleno mês de Agosto, mês em que os docentes estão a usufruir das suas merecidas férias, são colocadas a concurso algumas centenas de ofertas de escola, com o intuito de preencher lugares para escolas TEIP. Importa salientar que estas escolas têm autonomia para contratar pessoal, segundo critérios específicos, e às quais só podem concorrer, no concurso nacional, docentes com ausência de componente letiva (DACL). Todos os outros docentes, leia-se contratados, só o podem fazer candidatando-se directamente na aplicação informática da DGRHE, em Ofertas de Escola. Ou seja, todos os docentes, quer se encontrem de férias ou não, têm obrigatoriamente que se deslocar com o seu computador e internet pessoais e consultar diariamente o sítio da DGRHE para poder concorrer atempadamente às referidas ofertas e dentro do prazo estabelecido por cada escola.
Os critérios que cada escola define são vergonhosos, já que os mesmos parecem ser criados especificamente para determinada pessoa, não importando a graduação profissional que é, talvez, um dos poucos itens do concurso com maior peso de justiça para todos os candidatos. São milhares os colegas com maior graduação a serem ultrapassados por outros com graduação bastante inferior, querendo isto dizer que os anos de docência, de experiência, de sacrifício e instabilidade, tanto a nível pessoal como profissional, em benefício da escola pública, de nada valeram.
No dia 31 de Agosto, dia em que saíram as magras listas de colocação e não colocação dos professores, começaram a ser seleccionados para as referidas escolas TEIP docentes para preencherem as vagas não ocupadas pelos DACL, verificando-se o que acima se referiu, ou seja, a entrada de colegas contratados que “escalaram” sobre colegas mais graduados que estes. No dia 2 de Setembro, todas as ofertas de escola, cujo prazo de candidatura ainda estava a decorrer, desapareceram da aplicação informática, sem qualquer explicação para tal.
Hoje, dia 7 de Setembro, continuamos a aguardar uma explicação sobre o assunto, ao qual nem sindicatos, nem diretores e nem a própria DGRHE conseguem responder. E milhares de professores contratados encontram-se presos a um ecrã, a um telefone, a aguardar desesperadamente por uma resposta, um sinal, uma explicação que faça sentido e que apazigue os seus corações, pois a vida não pára, as contas não deixam de chegar e nós continuamos a ter que nos alimentar e sobreviver.
Queremos questionar também a legalidade do não pagamento da Caducidade do Contrato, já que no dia 14 de Julho foi emitida uma sentença favorável a que esta fosse paga pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, prevista no disposto no nº3 do artigo 252º do (Lei 59/2008 de de 11/9). O Ministério da Educação recusou-se a pagar e, assim, todos os professores contratados que não viram o seu contrato renovado não receberam o que por direito é deles. Esta situação é grave, principalmente por ser recusada a uns e a outros não. Existirão diferentes realidades, num país que se rege pelas mesmas leis? Seremos, para este sistema, apenas estatística? Seremos apenas números que enchem as capas de jornais e que servem para abrir telejornais, para dar ainda mais ênfase à crise que atravessamos e ao desemprego exponencial do país?
Deveria haver mais respeito por quem se empenha e trabalha para ajudar a formar um país melhor!

Atenciosamente,
Os professores contratados de todos os pontos de Portugal

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dados viciados

Em tempos de crise, exercer carreira docente é cada vez mais complicado. Não abrem vagas para os quadros, tornando-se cada vez mais difícil a vida para quem está no fundo da lista e que ambiciona chegar ao topo. Neste última lista de ordenação a concurso, observei ter acontecido um retrocesso, pois desci cerca de 50 lugares em comparação com o ano lectivo transacto.

As explicações podem ser variadas, a saída de professores dos colégios privados, a avaliação de desempenho que propiciou o avanço de um ou dois valores, consoante a atribuição de muito bom ou excelente. Por outro lado no respeitante ao tempo de serviço, observa-se que é cada vez mais difícil obtermos um horário completo, tendo em muitos casos de compatibilizar horários em duas ou três escolas para conseguir ter um horário que permita pagar as contas mensais. 

Tal como referido na notícia do jornal i do dia 29 de Agosto as vagas para as ofertas de escolas prioritárias são cada vez mais viciadas sendo os critérios a continuidade pedagógica ou a opinião do director, verificando-se que em muitos casos nem aparece a opção da graduação profissional ou tempo de serviço.

É um sentimento de desmotivação quando observamos que candidatos com menor graduação profissional ficam com horários completos, pois conseguiram entrar no designado sistema.    

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Conforme anunciado...

... a lista de (des)contratação de professores revela um morticínio profissional e um desastre social. Pela minha parte estarei amanhã nas filas do IEFP de Viana esperando poder beneficiar das prestações sociais do desemprego. Um triste espectáculo que tem tanto de angustiante como de perigosamente habitual nesta altura do ano.


P.S. Gostei muito do texto do Renato. Quando tiver mais disponibilidade mental espero comentá-lo. Já agora, o Renato foi colocado. Parabéns.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

“Cunha”: afinal, a História repete-se…

Existe hoje em Portugal uma tendência muito vincada para reconhecer que a crescente autonomia das escolas públicas poderá contribuir para eliminar vários entraves ao progresso nacional. Nesse sentido, argumenta-se que o maior conhecimento da realidade local concreta de cada Escola, por oposição à acção de gabinete dos pedagogos burocratas do Ministério da Educação, centralizado na longínqua e macrocéfala capital, poderá agilizar o processo de resolução dos problemas diagnosticados. Um exemplo prático: cada escola deveria poder contratar directamente os professores que melhor correspondem ao perfil da sua realidade.

O processo que permitirá às escolas (por agora) públicas contratarem os seus docentes já foi iniciado e dificilmente será parado. Se alguma lição a História nos permite sustentar é que estes processos costumam ser irreversíveis e imparáveis, pelo menos até que as massas percebam ou recordem (amargamente) as suas consequências.

Ora, sensivelmente a partir da primeira semana de Agosto começaram a ser publicitadas, a nível nacional, na página oficial do Ministério da Educação, vários horários respeitantes aos diversos grupos de recrutamento, cabendo depois directamente às escolas escalonar os candidatos, entre outros, através dos seguintes critérios (que podem mudar de escola para escola): média final da licenciatura, tempo de serviço, idade, ter leccionado no ano anterior na escola em questão (!), conhecimento do território educativo da escola e resultado da entrevista. Importará frisar que os pesos a atribuir a cada um dos itens anteriormente referidos variam, muitas vezes, de oferta para oferta, mas uma percentagem decisiva é quase sempre atribuída ao factor entrevista…

Salvo raras excepções (que tenderão a desaparecer), caso a caso, os arquitectos do sistema concebem a priori um perfil recheado de pré-requisitos que se encaixam precisamente no candidato que se deseja integrar no sistema (“fato à medida”, como já se lhe chama). Ou seja, em vez de analisar atentamente o currículo dos candidatos, inventariam-se, antecipadamente, um conjunto de condições que apenas um determinado proponente poderá, à partida, reunir! Quem já algum dia concorreu a um lugar (fantasma) numa autarquia conhece muito bem o esquema frequentemente engendrado. Assim, os desejados são habilmente seleccionados, antes sequer de terem movido um dedo para realizar o exame de arremedo ou pronunciado uma palavra sequer durante a famosa entrevista, que, por tão subjectiva e oculta, tudo permite à entidade empregadora. Sempre, obviamente, ao abrigo da legislação, pura e dura. Hipocrisia.

Vivemos na época dos relativismos. Recorrentemente, ouço dizer que a média da licenciatura, a classificação do estágio pedagógico e o número de dias de serviço não significam muito, pois não representam uma garantia de que o candidato venha a realizar um bom trabalho, sobretudo, subentenda-se, num país onde fazer um bom trabalho equivale, por norma, a aceitar acriticamente tudo o que nos é imposto.

Na sua poderosa e fundamentada crítica da pedagogia romântica e construtivista, Nuno Crato sustenta que “As mudanças devem ser graduais, experimentadas e avaliadas” (2011, p. 116). O actual Ministro da Educação, o autor do célebre livro O “Eduquês” em discurso directo, que parecia tão preocupado em dar uma lógica de rigor, objectividade e excelência ao ensino em Portugal, prestaria um serviço inestimável ao país se preservasse a lista nacional de professores, que, apesar de tudo, conferia alguma transparência e objectividade ao sistema. Ou, em alternativa, obrigasse as Escolas a contratarem os seus professores de acordo com critérios objectivos e rigorosos, de onde deveriam, naturalmente, constar a média final da licenciatura e o tempo de serviço. Ou até mesmo, neste momento não me escandalizaria minimamente, a realização de um exame, na área específica, por todos os candidatos interessados pelo lugar, mas, naturalmente, elaborado e corrigido por uma comissão externa de cariz nacional, caso contrário, pela nossa mentalidade, todos nós sabemos perfeitamente onde isso iria resvalar. Sempre fui contra a existência de um exame que regulasse a entrada dos novos professores na carreira, pois, devido a motivos economicistas, num contexto de grave crise, é por demais óbvio que não seria a simples admissão num exame deste género que iria permitir a entrada nos quadros da função pública. Além do mais, fundamental mesmo seria intervir a montante, na formação inicial dos professores, junto das Universidades; mas haveria, de facto, força política para mexer com o elo mais forte? Face ao caminho pelo qual neste momento já enveredámos, o exame seria um mal menor. Exigência? Naturalmente! Mas com critérios objectivos, transparentes e rigorosos, para todos os candidatos, sem que existam vencedores antecipados, algo que, neste momento, não acontece com muitas das ofertas colocadas a “concurso”. Não basta dar uma roupagem de legalidade ao sistema, é preciso, de facto, que ele seja legal.

Mas, bem o sei, a realidade do processo caminhará em sentido inverso. O país do faz-de-conta subsistirá e ontem como hoje, mas também amanhã, a dita “cunha”, o “compadrio” e o “ nacional porreirismo” continuarão a operar milagres, promovendo a incompetência e atirando a ética para as ruas da marginalidade/desemprego.

O actual Ministro da Educação, aparentemente obcecado em criar uma nova panaceia legislativa que coloque os professores (de escolas vizinhas!) a avaliarem-se uns aos outros, deveria perder algum do seu precioso tempo, abrir a aplicação informática disponibilizada pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação e concorrer a um dos horários ali disponibilizados para o seu próprio grupo de recrutamento (Matemática), percorrer o país de lés-a-

-lés, submeter-se ao faz-de-conta das entrevistas, cujas perguntas parecem, muitas vezes, retiradas de um livro de anedotas, e talvez assim compreendesse melhor a mágoa e revolta daqueles que já leccionam há uma ou duas décadas, concluíram, em vários casos, a sua licenciatura com distinção em universidades públicas, realizaram a sua profissionalização, são anualmente (diria mesmo, diariamente) avaliados, obrigados a abdicar da estabilidade familiar e/ou da própria família, impelidos a saltitar de local para local, permanecer a centenas de quilómetros das suas raízes nativas e, no final, acabarem por sentir-se ultrajados pelos alpinistas do sistema. Talvez assim o senhor Ministro da Educação sentisse na pele os efeitos de um dos mais poderosos entraves ao desenvolvimento deste país. Quiçá, assim, o autor da acutilante crítica à pedagogia romântica e construtivista recordasse as suas próprias palavras e percebesse que há muita matéria aparentemente simples que, se fosse alterada, poderia produzir significativas mudanças, não só no domínio imediato da educação, mas também ao nível do desenvolvimento mais global do país. Mudanças simples e graduais, antes de enveredar pela ânsia das revoluções burocráticas.

Na sua famosa obra, que, em Junho de 2011, conheceu a sua 12.ª edição, pela gradiva, Nuno Crato afirma que: “Na realidade, disciplinas tão fundamentais como a literatura, a matemática e a filosofia podem ser essenciais para preparar um jovem para o mercado de trabalho” (p. 68). Sintomaticamente, Nuno Crato não menciona a importância, entre outras, de ciências como a História. Também aqui o processo iniciado, legislativamente, há já alguns anos, parece ser imparável e a fusão das duas ciências (a curto prazo, no Ensino Básico? a médio ou longo prazo, no Ensino Secundário?) estará já a ser detalhadamente delineada no gabinete ministerial. O que, naturalmente, significará, muito em breve, a morte das duas ciências sociais, habilmente condenadas a um vazio curricular particularmente estratégico para quem continua a desejar súbditos incapazes de pensar e, portanto, sempre prontos a conjugar o verbo aceitar.

Consagrei a minha vida ao ensino de uma ciência social – a História – que está nas origens da nossa matriz de pensamento civilizacional. O conhecimento do passado e a noção da irreversibilidade dos processos, que, neste momento, já se encontram em pleno funcionamento, não podem deixar de provocar-me um profundo sentimento de desânimo, até porque a vida humana, simultaneamente tão complexa e frágil, é também bastante curta, o que nos impossibilita de ver uma luz ao fundo do túnel.

Infelizmente, o TGV da estupidez nacional parece difícil de ser interrompido.



Renato Nunes

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital em risco de fechar

Fala-se muito dos corte que têm sido feitos nas áreas da educação e saúde e observa-se uma relação evidente associada à contenção de custos tendo notórios reflexos na qualidade demonstrada. Na educação fecham-se escolas, não se renovam ou extinguem-se contratos. 

Com o passar dos tempos, o ensino obrigatório até ao 12º ano,  houve um consequente aumento da  facilidade de atingir o grau de licenciado,  assim como de ofertas  de escolas que leccionam cursos superiores.

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital ,propiciou um conjunto de oportunidade que para um localidade do interior do país seriam muito penalizadoras caso fossem retiradas. Em números aproximados a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital tem 400 alunos, dando portanto um forte impulso no aluguer de casas, à restauração e ao comércio local, sendo valores muito importantes para uma localidade que tem sofrido uma forte desertificação.

No entanto é necessário ter em conta  a necessidade de estabelecer uma relação mais forte entre o ESTGOH e o mercado de trabalho existente no concelho de Oliveira do Hospital, tendo neste caso a autarquia um papel fundamental. Desta forma seria estabelecida uma prova forte das potencialidades da ESTGOH para Oliveira do Hospital.

Foi portanto com tristeza saída no Diário de Notícias do dia 29 de Agosto. Vamos acreditar que ela não irá passar à prática para o bem do concelho de Oliveira do Hospital.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O início dos cortes nos vencimentos


Em consequência de umas dúvidas ao conferir os meus recibos de vencimentos, onde observei discrepâncias entre os valores que pagava e aqueles que supunha pagar.Após uma breve consulta apercebi-me dos cortes que ocorreram na segurança social e no IRS.É preciso no entanto ter em conta que estes valores se referem a um professor que usufrua de horário completo.A primeira tabela refere-se aos vencimentos de 2009 enquanto que a segunda a 2010. Receio que isto seja o inicio de uma escalada de cortes nos vencimentos que eu não sei onde vai parar. Por enquanto não houve alteração dos valores da ADSE assim como das suas principais regalias.Aguardemos atentamente o futuro. 



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cinza

Não pude ver o fundamental da audição na comissão parlamentar de educação aos incumbentes do Ministério da Educação mas o que vi foi, digamos, fracote. Perguntas de deputados que pouco ou nada sabem de educação ou de outros que levavam perguntas porventura demasiado específicas, mas pronto...



Ao ver Nuno Crato, a estrela da companhia deste governo, não posso deixar de sentir calafrios. É que, embora louvando-lhe o discurso contra o pedagogismo e a não valorização do saber, não dá para iludir que o homem faz parte de uma comissão liquidatária e pensa o que pensa. Basta ver o que vai acontecer aos contratados no ano lectivo em preparação (atabalhaoada, como há muito não se via). Acusem-me de defender o meu feudo, o meu tacho mas não há ninguém que possa dispensar expectativas legítimas e uma afeição ao seu trabalho. E se é necessário cortar com a despesa corrente (vulgo pessoal), deixo uma sugestão: extinga-se Religião e Moral ou ponha-se a Igreja a pagar os salários dos seus professores. Se se reduziu horas a várias disciplinas ao longo dos tempos sem diminuir a correspondente componente lectiva dos professores e se se extinguiu a Área de Projecto e o Estudo Acompanhado, porquê poupar esta disciplina confessional em Estado laico?






Plúmbeas nuvens pairam sobre nós.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Até Setembro!!!!

Observo com apreço que o blogue é cada vez mais lido, coexistindo em consequência de uma crescente colaboração, o aumento e qualidade dos textos apresentados o que se encontrou relacionado com o crescimento do número de leitores e dos comentários realizados.

Vou aproveitar o mês de Agosto para reorganizar as ideias e descansar de um extenuante ano  lectivo, recarregando baterias para outro que se avizinha árduo.
Em consequência da necessidade da abstracção dos computadores e da internet, pretendendo dedicar-me mais ao papel e ao conforto de umas leituras despreocupadas, informo que o mês de Agosto irá no que a mim diz respeito, ser menos intenso no que concerne à publicação de posts. 

Voltarei em Setembro mais vigoroso para o melhoramento do blogue, assim como da qualidade dos testemunhos apresentados.

O trajecto Ourique - Sabóia

Na transição entre a peneplanície alentejana e a costa vicentina há um conjunto sinuoso de estradas que escondem um Portugal por vezes esquecido. Para sinalizar a passagem por um lugar, considero que tão ou mais importante que as paisagens são placas(1) que demonstram a passagem do tempo e a localização geográfica.

1-As placas que sinalizam a distância ao locais, localizadas em São Martinho das Amoreiras.

A insuficiência de horários conduziu a uma necessidade de o completar, dando aulas numa localidade que dá pelo nome Sabóia, onde leccionei apenas seis horas lectivas por semana. Percorri as sinuosas vias de acesso, calcorreando locais e especificidades que me irão ficar sempre na memória.

As cegonhas que construíam os ninhos ao longo das estradas junto aos locais onde haviam pontos de água, as galinhas, porcos pretos e gado bovino, habituados a circular sem restrições nos montes, caminhando por vezes junto à estrada. Lembranças que ao longo do tempo se iam tornando mais banais, no entanto nunca perderem a sua beleza e singularidade.(2)

 2- Cegonhas e Gado bovino que pastoreiam extensivamente 

Durante o mês de Outubro, em resultado de uma simulação realizada pelo GPS  percorri um caminho alternativo onde o alcatrão aparecia espontaneamente. Tenho a perfeita noção da dureza daquele troço de poucos quilómetros que pareciam uma eternidade. (ver imagem 3 percurso verde). A primeira viagem coincidiu com uma tenebrosa manhã de nevoeiro onde observei um coelho que insistiu em permanecer no meio da estrada ignorando por completo a presença de um veículo estranho por aquelas paragens. Vi-me na consequente necessidade de tornear por momentos a minha rota para não contrapor a rotina matinal de um corpo, onde afinal, eu é que era estranho.
Após as primeiras semanas observei a existência de um caminho mais longo, mas sem dúvida mais confortável e rápido (ver mapa percurso a vermelho).(3)

3- O trajecto Ourique- Sabóia

Durante o percurso os povoados apareciam espaçadamente, sendo necessário calcorrear vários quilómetros para observar pessoas, ou usufruir de rede de telemóvel.
A beleza do percurso dependia da disposição que me acolhera no momento, no entanto, haviam sempre coisas novas que se observavam a cada passagem, tais como o transbordar dos ribeiros durante o Inveno, a diversidade de castanhos do Outono, o florir da Primavera e o amarelecer do Verão Todas estas vicissitudes tornavam cada viagem diferente.
No percurso de Ourique para Sabóia as particularidades de cada local foram crescendo à medida que fui tendo um maior conhecimento dos dispersos povoados:
Saindo de Ourique a chegada a São Martinho das Amoreiras, simbolizava o primeiro contacto com um Alentejo, abandonado, menos conhecido, onde a ligação com Portimão os aproxima da cidade mais próxima, que em muitos casos se contrapõe a Beja, sede de distrito que dista a cerca de hora e meia, percorrida em estradas que por vezes não apresentam as melhores condições.(1)
A partir de São Martinho das Amoreiras a instabilidade do relevo propícia uma maior sinuosidade havendo um constante “subir e descer” que termina na povoação de Luzianes, localidade que nasceu e se expandiu devido à linha de caminho de ferro que foi construída em 1884 entre Amoreiras Gare e Sabóia.(4)

 4. Entrada de Luzianes

Passando Luzianes o caminho piora, as obras avolumam-se na ténue esperança de conter as vertentes abruptas que insistem em contrariar a vontade humana, impedindo a normal circulação automóvel.

Após cerca de 10kms chegamos a Santa Clara à Velha, uma aldeia que cresceu em torno do rio mira .Na década de 60 em pleno Estado Novo foi construída uma barragem com o intuito de controlar o caudal do rio que  transbordava durante o Inverno, propiciando ainda a implementação de uma agricultura de regadio.(5)

 5- Cheias do rio mira (anos 60)- Fonte Quaresma, António; Terras do Médio Mira: Notas Históricas, Odemira, 2011

Após Santa Clara à Velha prosseguimos cerca de 5 kms, chegamos finalmente a Sabóia. A viagem tem a duração de cerca de 50minutos, percorrendo uma distância de 45kms. Vicissitudes do interior do país.(6).
6. Sabóia em 1940, um povoado que não dista muito da realidade. Fonte Quaresma, António; Terras do Médio Mira: Notas Históricas, Odemira, 2011.

domingo, 31 de julho de 2011

Recomendo

Perdoem-me novamente a pretensão de recomendar leituras mas esta vem mesmo a calhar. Por razões que, de tão óbvias, dispensam grandes aprofundamentos. E, claro, o gabarito deste grande historiador falecido em 2010 abre as portas a muitos cépticos, exceptuando aos que pugnam por um mundo baseado na indecência do darwinismo social e do survival of the fitest.

Recordações de Ourique

Admito a minha nostalgia! Por mais duro que tenha sido o degrau a ultrapassar, há sempre marcas e lembranças que nos ficam. Tive pena de apesar de me ter lembrado vastas vezes, nunca me ter dado para tirar foto à placa com a indicação “Albufeira 75km”. Pode parecer estúpido ou ilógico lembrar-me de um pormenor que para o comum dos mortais não teria qualquer importância. As mais vulgares lembranças seriam as possíveis fotos das actividades realizadas pela escola ou das jantaradas celebradas em períodos pontuais utilizados para comemorar uma data ou festividade específica. Recordo-me do ano lectivo e consequentemente dos bons momentos passados, no entanto dou mais relevâncias ao contacto com as gentes locais, a percepção das suas especificidades. A placa “Albufeira 75Km” observada mal cheguei a Ourique teve o simbolismo de me lembrar da distância ao Algarve, mas também perceber a distância de casa. 

De Ourique recordo o Alentejo, os costumes e afabilidade das gentes que me souberam receber.

Com tristeza  observei  o esquecimento da História de uma outrora  marcante localidade, que em consequência da sua localização geográfica foi um marco importante da independência do país. A localização do castelo sobreviveu às diabruras do tempo, sendo as suas muralhas substituídas por uma estrutura em cimento, que serve um miradouro fantástico onde se observa o confluir da peneplanície alentejana com a serra de Monchique a sul e a serra do Cercal a sudoeste. Um local aprazível para ajudar a passar os tempos mortos e recarregar baterias.

Durante a minha estadia no Alentejo procurei conhecer a cultura local. Visitei  Castro Verde,Santiago do Cacém, Mértola entre outras localidades. Pude compartilhar a presença de um património histórico muito rico onde a presença árabe se cruzou com a romana. É pena que infelizmente haja um desmazelo, não sendo  o património devidamente sinalizado e preservado.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Le tour de France

No passado fim de semana terminou a maior montra do ciclismo Mundial, “Tour de France”. Ao longo da minha juventude fui aliciado através do meu pai a observar esta corrida, debruçando-me sobre a televisão apesar de não poder compartilhar a presença de um português a lutar pela vitória. É fascinante observar aquelas paisagens sempre verdejantes, aquelas aldeias pitorescas perfeitamente integradas nas paisagens magnificas que envolvem a singularidade de cada uma das etapas. O esforço físico e a luta sentida em cada um dos atleta, dignifica um desporto que percorrido ao segundo, tornam a beleza das altas montanhas numa perspectiva tenebrosa e árdua.
Mesmo apesar de já há longos anos não ver portugueses a discutir os primeiros lugares da volta a França, a última vez foi José Azevedo em 2002, foi bom para o ego, ver um português discutir e ganhar uma etapa da tão afamada prova. Aconteceu com Rui Costa na oitava etapa, que juntou o seu nome a Acácio da Silva, Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Sérgio Paulino.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Educação em Portugal e na Finlândia

Em tempo de férias a classe docente aguarda diariamente o desfecho de algumas decisões que poderão ser tomadas para o próximo ano lectivo. Após 3 anos no ensino apercebo-me com tristeza do excesso de burocracia que existe no exercício da profissão, que nos retira tempo e discernimento mental para o exercício das nossas funções. Na minha opinião quantidade não significa qualidade e o ensino em Portugal no futuro tem de se pautar mais pelo rigor, valorizando mais o conhecimento, reduzindo o facilitismo dando mais poder e reconhecimento aos professores. A autonomia e "privatização" das escolas públicas, a redução da importância do concurso nacional de professores, dando o poder às escolas e autarquias de seleccionar o seu corpo docente  é o caminho que o novo governo pretende seguir. Há o risco dos jogos de interesses e da falta de transparência como acontece hoje na nomeação de cargos para determinados sectores públicos.

Deixo aqui uma crónica que saiu no público ontem sobre o modelo Educativo na Finlândia. Nenhum modelo é perfeito, no entanto compreendo que é importante analisar outras propostas caso queiramos verdadeiramente melhorar a Educação em Portugal.


sábado, 23 de julho de 2011

À Rasca – Retrato De Uma Geração

Antes de abordar o livro que intitula este post, deixo um texto de Mia Couto sobre a designada Geração à Rasca.

A minha paixão por saber e conhecer melhor o século XX, perceber as mutações que se geram diaramente no nosso Mundo leva-me a ter curiosidade de ler o livro "À rasca o retrato de uma geração". A curiosidade advém do conhecimento das qualidades literárias da autora, uma oliveirense (Oliveira do Hospital) que se licenciou  em  2010, em Ciências da Comunicação, vertente jornalismo, pela Universidade Nova de Lisboa.

Citando o correio da Beira Serra "O mérito da jovem escritora de Oliveira do Hospital já, anteriormente, foi alvo de distinção por parte da Universidade que a licenciou. Ana Pinto foi considerada a melhor aluna do seu curso e, o bom resultado, valeu-lhe a conquista da Bolsa de Mérito e Excelência.

Fica aqui o mote para um livro que promete dar que falar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Bastilha

Hoje é 14 de Julho!

domingo, 10 de julho de 2011

A importância de perceber a evolução dos tempos


Como já foi algumas vezes referido neste blogue, a geração mais nova apercebendo-se da facilidade de aceder ao saber através da internet, tem progressivamente vindo a desvalorizar o que é transmitido pela escola ou através dos livros. A "ditadura do digital", referida pelo Renato Nunes, é algo que deve ser aproveitado de um modo benéfico, no entanto o que se observa em muitas é que com mecanização dos processos inerentes à introdução da informática, perde-se um pouco a essência e o entusiasmo da descoberta por ser algo novo.
O incentivo à critica e ao uso de ideias pensadas, discutidas e convenientemente formuladas é algo que deve ser tido em conta na escola, em casa e na sociedade em que estamos inseridos. 












sexta-feira, 8 de julho de 2011

Para sair da crise

 Na pesquisa que eu realizei para procurar os conteúdos digitais do jornal  Público, por engano fui calhar ao dia 8 de Abril de 2011 onde me deparei com esta crónica de Boaventura de Sousa Santos que apesar de ter 3 meses, época em que Portugal se preparava para pedir ajuda externa e o governo estava preste a cair. Apesar da distância temporal pode-se perfeitamente adaptar às contingências actuais.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Privatização da RTP

Apesar da grande quantidade de informação que nos é transmitida diariamente através da televisão, sendo hoje em dia generalizada a ideia da Tv por cabo, como algo que muitos portugueses já não dispensam, de acordo com várias teorias amplamente divulgadas: ”Os quatro canais não oferecem a diversidade desejada”.
 Querendo transpor uma ideia de um post transcrito por Cristina Carvalho hoje no blogue De rerum natura “café às cores”, em muitos casos os portugueses são aliciados pelas cores, pelo exterior, o status social e qualidade de vida que emprega a posse de um infindável número de canais televisivos. Não quero com isto censurar, pretendo apenas alertar para um problema que está em vias de acontecer, a privatização da RTP.
 No exercício da minha profissão de professor, vi-me privado dos designados canais por cabo que compartilhava na minha residência habitual, tendo a sorte de felizmente poder ter os dois canais públicos a RTP 1 e 2.
É com tristeza que eu antevejo o fim dos designados canais públicos, não só por acreditar que são uma mais valia e não um fardo como se faz querer, mas porque também nesta fase não existirão provavelmente muitos compradores e os preços serão necessariamente baixos. Na minha opinião estão a vender-se activos que nos poderão ser muito úteis no futuro.
A existência de canais públicos indica-nos a não emergência do lucro, elaborando-se por isso programas que não têm unicamente como objectivo as audiências, mas a qualidade e públicos mais restritos. É isso que acontece com a RTP2 onde é possível observar um programa de hora e meia sobre o cultura “Câmara Clara”, o “Sociedade Civil” que aborda a problemática da cidadania activa e por exemplo o noticiário sobre política externa “Olhar o Mundo”. Na RTP1 o muito afamado  “Prós e contras” que promove o debate e a troca de ideias, ou seja faz serviço público durante várias horas.
Exceptuando o Prós e contras são tudo programas que têm poucas audiências, mas que são uma tremenda mais valia para quem tem apenas os designados 4 canais, assim como para o país pois dá-se uma palavra ao cidadão que de outra forma não aconteceria.
Com a privatização da RTP temo que todos estes programas se extingam e o direito à cidadania esteja desta forma cada vez mais restrito e limitado.