Este pequeno vídeo mostra que quando nós queremos ajudar, podemos fazê-lo. A Maria é sem dúvida um grande exemplo de amor perante um colega da turma. É fantástico o que ela fez para integrar aquele menino, em cadeira de rodas, que não conseguia falar ou sequer mexer os braços e as pernas. A Maria fez com que aquele menino se tornasse acarinhado e aceite como amigo. A Maria através de pequenos gestos como ler-lhe uma história ou fazer teatros onde o menino de cadeira de rodas era personagem principal fez com que a deficiência deixasse de existir e passasse a ser mais uma criança a brincar no recreio. As ações realizadas pela Maria para brincar com o menino de cadeira de rodas, foram tão enternecedoras que em vários momentos o menino que não tinha expressão facial, conseguiu tê-la, esboçando um sorriso como reconhecimento pelo amor que ela estava demonstrar por ele. O amor transparecido por Maria, em cada brincadeira tinha um objetivo claro, conseguir que o menino da cadeira de rodas fizesse progressos e pudesse um dia falar, andar e poder interagir com ela. No final do vídeo quando Maria soube do falecimento do menino da cadeira de rodas ficou desfeita. Aquele pedaço de corda que ficou em cima da cadeira de rodas, que a Maria, vinte anos depois já professora fez questão de usar como pulseira simboliza o amor pela diferença e pelo outro
Mania de Escrever
domingo, 22 de fevereiro de 2026
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Um beijinho à minha avó Prazeres que hoje nos deixou
Hoje a minha avó partiu,
Um dia triste, um fim que aguardávamos, dado o agravamento do seu estado de saúde. Lembro-me quando ela estava internada no hospital da fundação, numa das muitas visitas que lhe fiz ela insistiu para que eu ficasse mais um pouco enquanto, ela olhava insistentemente para mim enquanto conversámos. A minha avó sabia sempre quando eu não estava bem. Tinha um sentido maternal que me enternecia. A vida é incerta, a da minha avó foi longa, vivida durante 91 anos. Foi autónoma até aos 80 e tal, não me recordo ao certo do dia da maldita queda que a pôs dependente do andarilho ou de uma bengala. Nunca mais os abandonou depois daquele dia fatídico em que caiu na cozinha e apenas se levantou com a ajuda dos bombeiros após o padeiro ter dado conta do sucedido.
A minha avó era uma mulher de fibra começou a trabalhar muito cedo, ainda com idade para brincar. A infância foi preenchida a servir numa casa onde tinha de tomar conta dos filhos do patrão, crianças da idade dela ou pouco mais novos.
A avó prazeres não sabia ler, segundo ela a culpada pelo seu analfabetismo foi a sua irmã mais velha. A minha tia Graça queimou os livros e os pais da minha avó, o Alfredo e Deolinda não deixaram ir a minha avó à escola. Ela sempre teve essa vontade. Chegou a dizer-me que o seu maior erro foi não ter aprendido a ler com a minha mãe, e sua filha quando esta deu aulas pela primeira vez, em meados da década de 70 do século passado.
Recordo-me daqueles almoços quando andava na escola. Ia sempre almoçar a casa da minha avó. Ela gostava de fazer comer para tanta gente. Lembro-me do meu ano de estágio onde também não faltava ao almoço em casa da minha avó. Um estágio que fiz com o meu eterno amigo Fenias que também ia a casa da minha avó. A ternura que ela tinha por todos naqueles momentos em volta da mesa, também o teve com o Fenias que dizia com carinho é um"preto" bonito e simpático. Nos últimos anos em que permaneceu na sua casa continuava a dar almoço ao filho Vasco e ao neto Diogo.
Após a fatídica queda nunca mais se reergueu, teve em casa da minha mãe. Nestes últimos anos de vida onde a sua saúde já impedia que nós pudéssemos dar-lhe a auxílio que ela necessitava foi para o lar de Aldeia das Dez. Neste momento sinto pena de não ir lá mais vezes, de não ter conseguido estimula-la mais. Recordo-me das conversas onde lhe lia o borda de água, falávamos de agricultura e do seu passado que ela insistia em manter sempre presente na sua memória. Quando olho para trás revejo os jogos que fiz com ela aproveitando os brinquedos do Duarte.
Até sempre avó.
Beijinho grande do teu neto Tiago
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
A FANTÁSTICA AVENTURA DE UM AMIGO
"AINDA HÁ QUEM GOSTE DE LIVROS"
O Amigo que me inspirou a escrever esta crónica nasceu no seio de uma família de modestos recursos no interior de Portugal. O seu interesse pela leitura e pelo conhecimento fê-lo sonhar, desde muito jovem, com estudos universitários, ao arrepio da vontade do seu pai, carpinteiro de profissão, que queria vê-lo seguir a mesma arte. Venceu o seu desejo e perseguiu o amor que tinha pela História. Desde sempre, para além da sua profissão de professor, é leitor compulsivo e dedica-se à escrita, em prosa e sobretudo poesia.
Recentemente,
quando regressava a casa, cheio de dores devido aos trabalhos agrícolas que vai
exercendo na sua horta nos tempos livres, viu uma mulher a despejar livros no
contentor do lixo da sua rua. Atónito, esperou que a anónima se afastasse e
logo se aproximou do cemitério dos livros condenados. Espantado, constatou que
se tratava de várias obras dos nossos melhores escritores, não hesitando em salvá-las
do contentor dos indiferenciados. Não tardou que a mulher voltasse de novo com
mais um saco de livros para lhe dar o mesmo destino. Ele interpelou-a com um
diálogo que transcrevo tal e qual ele mo contou e que consta de uma crónica de um
jornal digital para onde habitualmente escreve:
“─ Minha
senhora, estes livros eram seus?
─ A minha mãe
foi por estes dias a enterrar e não quero isto lá em casa.
─ A sua mãe era
professora, não era?
─ Você parece
que é bruxo! Mas, diga lá a verdade, você gosta mesmo disto?
─ Sim, gosto.
Nem pode calcular a minha alegria. Esta foi talvez a minha melhor prenda deste
Natal. Mas já reparou que também tem aqui papéis que fazem parte da sua
história, da sua família?
─ Olhe…, se
fossem umas notas das gordas, isso é que era!”
Depois desta
primeira aproximação à mulher-verduga dos livros, inteirou-se de que ela ainda
tinha mais livros para deitar ao lixo, ao que ele propôs, para a livrar de
posteriores trabalhos, ir ele próprio buscá-los a casa dela. Não tardou a ir
lá, visto ela habitar nas cercanias da sua casa. E de lá não trouxe apenas
livros, mas também, por exemplo, diversos manuscritos. Aproveitou para saber
que a mulher que conhecera, tal como a sua falecida mãe, também desempenhava
funções na área da cultura, o que lhe aumentou os arrepios na alma. E também
ficou a saber que o pai daquela senhora, já falecido há muito, também tinha
sido poeta, o que lhe aguçou ainda mais a curiosidade. No regresso a casa, ele,
por um lado, ia feliz, pois salvara muitos livros da destruição, mas, por
outro, ia triste porque encontrara uma filha que não quisera preservar a
memória dos seus pais...
Alguns dias
passaram, até que este meu Amigo me enviasse uma fotografia estranha.
Tratava-se de uma foto de uma campa do cemitério local, acompanhada da seguinte
pergunta:
“- O
que vê nesta foto?”
Respondi-lhe
que via um monumento funerário com uma grande cruz de pedra, um livro aberto em
mármore sobre a campa e um gato preto, aninhado sobre a estela funerária, de
onde a cruz se ergue e onde está também uma fotografia do falecido, em ferro
esmaltado. De facto, a campa funerária, não sendo, como muitos, um monumento
imponente, como alguns jazigos que parecem catedrais, era modesta, mas
possuidora de muita dignidade. Acrescentei que suspeitava ser nessa campa que
repousava o nosso desconhecido poeta, antigo dono de grande parte dos livros
recuperados (a outra parte pertencera à esposa dele). Acertara em cheio!
Um par de dias
passaram, até que, numa conversa telefónica, o meu Amigo me confessou que
estava deliciado a ler o livro de poemas do nosso poeta, cujo nome prefiro
conservar no anonimato. E desabafou que estava especialmente sensibilizado com
um soneto escrito pelo autor em memória do seu gato, no dia em que o bichano
falecera. Chamava-se Miki e era preto.
Fiquei momentaneamente sem
palavras. Depois de terminar a conversa com o meu Amigo, fiquei a pensar na
extraordinária coincidência do soneto sobre o gato preto, Miky e do
aparecimento do gato preto na foto do cemitério, que me havia sido enviada dias
antes. Creiam, caros leitores, que eu nunca fui crente na imortalidade, apesar
de que muitos tolos sempre a perseguiram. E no que respeita à crença na
eternidade, como muitos de nós, também sempre tive muitas dúvidas. Porém, o
avanço da idade transforma a nossa espiritualidade e molda, progressivamente, o
nosso pensamento e o desejo de que haja vida para além da morte. E
acontecimentos como este que vos relato são um contributo para nos aproximarmos
dessa crença. Neste sentido, coloco a seguinte questão: os passos dados pelo
meu Amigo, a salvação dos livros, o conhecimento do nome dos seus falecidos
proprietários, a curiosidade de conhecer o que eles foram, ao ponto de ir mesmo
visitar o lugar onde repousam os seus restos mortais, faziam apenas parte do
processo científico de investigação por parte de um historiador? E foi o
aparecimento de um gato preto que aparece na fotografia tirada pelo meu Amigo,
dias antes de ele encontrar no livro de poesias deixado pelo poeta, que
continha o soneto em homenagem ao seu gato preto, uma notável coincidência?
Cabe a todos interpretar estes episódios e guardar para si as suas
interpretações.
Eu, que vivi de perto estes
acontecimentos que até me fizeram sonhar, quero acreditar que estas
circunstâncias não foram obra do acaso ou de uma coincidência inexplicável. Eis
a minha hipótese: o poeta e a sua mulher, ao saberem que o seu espólio
literário, ameaçado de destruição, ia ser salvo por um jovem, trataram de segui-lo
e influenciar os seus passos. A visita que o meu Amigo fez ao cemitério para homenagear
o poeta foi por este instigada, que fez questão de o receber dignamente para
“pessoalmente” lhe agradecer. E até fez questão de chamar o seu gato preto,
colocando-o em lugar bem visível sobre a estela da sua campa funerária. Só mais
tarde, ao ler o soneto do poeta falecido, o meu Amigo se lembrou do tal gatinho
preto!
Caros leitores, misteriosamente
fechou-se este episódio, mas não definitivamente. Creio que à medida que o meu
Amigo vá avançando na leitura dos livros que salvou da imundície, todos os seus
autores, como forma de gratidão, o irão empurrar para outras aventuras, algumas
carregadas de misticismo e outras nem tanto, mas todas enriquecedoras!
Agora, digam lá, a vida é
(ou não) um profundo mistério?!
Vila Verde, 19-01-2026
domingo, 28 de dezembro de 2025
O jogo do Benfica
Hoje fui com o meu filho Duarte ver o Benfica Braga a um café e soube-me tão bem. Enquanto via o jogo joguei com ele um jogo de perguntas sobre craques da bola. Eu e ele alternadamente íamos fazendo perguntas, respondíamos e caso acertássemos somávamos o número que calhava no dado. As regras foram inventadas por mim. Aquele tempo foi preenchido de uma forma leve.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
O poder da palavra
"Conheço as palavras pelo dorso.
Outro, no meu lugar,
diria que sou um
domador de palavras.
Mas só eu - eu e os
meus irmãos - sei em que medida sou eu que sou domado por elas.
A iniciativa
pertence-lhes.
São elas que conduzem
o meu trenó sem chicote,
nem rédeas, nem
caminho determinado antes da grande aventura.
Sim, conheço as palavras.
Tenho um vocabulário
próprio.
O que sofri, o que
vim a saber com muito esforço fez inchar,
rolar umas sobre as
outras as palavras
. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as
soltar.
São pesadas e caem.
São o contrário
dos pássaros, embora "pássaros" seja uma das palavras.
A minha vida passou para o dicionário que sou.
A vida não interessa.
Alguém que me procure
tem que começar - e de se ficar - pelas palavras.
Através das várias
relações de vizinhança,
entre elas
estabelecidas no poema,
talvez venha a saber alguma coisa.
Até não saber nada,
como eu não sei."
Adorei este poema por falar na palavra e na espontaneidade com elas surgem quando a inspiração inala em nós e deixamos que as palavras fluam num texto.
Diariamente tenho a ambição de conseguir soltar as palavras que tenho em mim e fazer um belo texto. Procuro inspiração embora muitas vezes não o consiga. Escrever exala em mim um prazer e uma tranquilidade natural.
A carta do Benfica
O Duarte tem andado muito entusiasmado com o ténis. Gosta imenso dos treinos com o Luís. Ontem teve uma consulta com o pediatra Frederico e disse-lhe que o que gostava de ser quando fosse grande era tenista profissional.
Ontem recebemos uma carta do Benfica relativa a assinatura do jornal. Ele todo entusiasmado associou a um possível pedido para um contato para ir jogar ténis para o Benfica. Leu a carta atentamente e percebeu que o seu desejo não se concretizara no entanto o entusiasmo por termos recebido uma carta do benfica não esmoreceu. O sonho comanda a vida.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
O Duarte ia fazer queixa à Câmara
Estiveram a fazer uma obras ao pé do estacionamento de nossa casa e deixaram uns montes nos lugares de estacionamento que impedia que os carros lá estacionassem convenientemente.
O Duarte ontem disse que não viessem cá tirar os montes até ao Natal ele ia fazer queixa à câmara.
Hoje vieram cá tirar os montes de terra, ao que o Duarte disse. Se calhar tiveram medo.
O Duarte quer ser famoso
Hoje o Duarte disse que queria ser ao que eu interroguei porquê.
Ele respondeu que queria descobrir qualquer coisa mas que já não havia nada para descobrir. Já inventaram a lua.
Eu disse-lhe que há sempre descobertas novas a fazer.
O Duarte respondeu vou inventar carros voadores ou então comida invisível.
O desejo de aprender continua vivo naquela cabecinha pequenina mas muito curiosa
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
A importância de um poema
Arte Poética
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'
Ouvir o podcast "o poema ensina a cair" é uma terapia que recorro sempre que preciso de estar comigo próprio. Este poema recordar a luta que eu travei para concluir um artigo cientifico para a pós graduação de Ensino Especial que estou a realizar. Para mim era algo inatingível até eu começar a estruturar o artigo e rescreve-lo com base na informação lida.
Este poema fala do peixe que eu não estava a conseguir agarrar com persistência e muito trabalho consegui agarra-lo e livrei-me com o alívio que não sei que dizer.
Sinto que daqui para a frente muitos mais peixes terei que apanha-lo quando estiver realizado e crente de que fiz o melhor de mim.
domingo, 2 de novembro de 2025
O jogo do monopólio
Ontem
joguei monopólio com o Duarte, já não o fazia há muito tempo. Ainda me lembro
quando a partir dos 5 anos comecei a jogar monopólio com o Duarte ainda lhe
tinha de ler as frases da sorte ou da caixa da comunidade, ele aos pouco foi
decorando os nomes dos jogadores (monopólio da seleção nacional), os números o
Duarte desde muito cedo conseguiu identificar devido às muitas cadernetas que fomos
preenchendo a partir dos 4, 5 anos de idade. Aos poucos foi aprendendo a fazer
os trocos. Passávamos ali largas horas a comprar e a vender jogadores e aprender
os números, a fazer trocos e a ler, inicialmente só a partir da memorização,
mas à medida que foi entrando na escola primária foi aprendendo devagar a descodificar
as letras. Desde cedo se percebeu o talento para os números, cálculo mental.
Tudo com o monopólio. Ontem jogámos e o Duarte já dominou todas as regras do monopólio.
Pela primeira vez jogámos o monopólio incluído dentro do escalão etário
definido pelo jogo + de oito anos. O Duarte desta vez ao contrário do que acontecia
com 4, 5, 6 anos, 7 anos, demonstrou maior impaciência e incapacidade de estar
quieto, reflexo de uma idade onde os estímulos são muitos e capacidade de
concentração já não está tão apurada.
sexta-feira, 16 de maio de 2025
Ter a coragem de dizer o que sinto
Olho à minha volta e vejo tempo livre. Estou de baixa há três meses e a mim parece-me que passaram três anos. Nunca pensei que ocupar o tempo fosse tão difícil. Saber lidar com uma depressão e com o cansaço extremo. Ter vergonha de o dizer aos outros. Lidar com a necessidade de desligar da minha atividade profissional mas não o conseguir. Observar apenas o lado negativo, constatar que não quero mais ser professor, pois já passei por muito, não consegui aliviar a pressão, cedi aos alunos e não fui claro na exposição dos conteúdos, deixei crescer um monstro e não consegui combate-lo. Fui vencido pelos pensamentos que entroncavam no pânico, na incapacidade de interagir e partilhar o que sinto, os meus problemas a minha ansiedade.
A minha vida sempre oscilou numa luta interior entre o eu mais irreverente e o mais introvertido. Entre o professor mais autoritário e o mais afável e desleixado. O querer fazer coisas e o aquele que se acomoda à letargia de cumprir o mínimo. Lembro-me das duas vezes que me envolvi em projetos fui incentivado por colegas professores. Também já tive casos que em que fui incapaz de responder a reptos e propostas de trabalho em conjunto por estar embrenhado em trabalho e ter medo de me envolver, pois não me sentia confortável. Nas minha oscilações de personalidade é muito difícil encontrar o bem estar, é difícil ter coragem para tomar de decisões e acreditar nelas. Já aconteceu mas por norma privilegio decisões fáceis de tomar, prefiro seguir caminhos onde sei à partida que tenho sucesso.
sexta-feira, 4 de abril de 2025
Interpretação do poema "Comigo me desavim"
COMIGO ME DESAVIM
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
Francisco Sá de Miranda (poeta fins do século XV)
Ouvi este poema no episódio com Djaimilia Pereira de Almeida do podcast o poema ensina a cair. Recorro a este podcast sempre que pretendo um equilíbrio. Não me canso de o ouvir.
Neste poema me revejo., parafraseando Djaimilia " descreve os meus dias"
Citando a interpretação do poema por Djaimilia:
"Estamos destinados a nós, cada um está destinado a si próprio e isso às vezes é um aborrecimento. Por exemplo Isto acontece quem esteja a falar de um jovem de 14 anos ou de um capitão nos últimos anos de vida é sempre Djaimila"
Ela quando se refere à sua prosa e à descrição das suas personagens refere-se sempre às vivências e às leituras dela própria
Continuando a soletrar Djaimilia este refere ao fotógrafo Norte Americano Garry Winogrand que a certa altura diz "Estou preso a mim, por mais que eu fotografe nunca posso ter um ponto de vista que não seja o meu." Djamilia diz que literatura é a mesma coisa pois ela é todas as personagens.
Isabel Marinho (apresentadora do podcast) começa por soletrar os últimos dois versos "pois trago a mim comigo; também inimigo de mim, isso dá-nos uma visão um bocadinho desalentada no sentido em que não há grande saída.
A Djaimilia sobre esses dois últimos versos refere o seguinte:
"Eu à vezes transporto essa inimiga e ao mesmo tempo é como ver-me ao espelho e parecer que não sou a pessoa mais triste do mundo. Escrever é uma das coisas que me ajuda nisso. Escrever ajuda-me a fazer as pazes comigo, a resignar-me e encontrar aquilo que me dá esperança, encontrar o lado mais bonito das coisas. É importante relevar as pessoas amigas que não querem saber disso, não querem saber da inimizade interna e que gostam de nós como nós somos e nos estão sempre a mostrar o que nós temos de mais bonito.
A análise do poema continua com conclusão que todos nós temos um inimigo dentro de nós.
Continuando a soletrar Djaimilia esta diz que às vezes ter um autoinimigo dá jeito pois este desafia-me e eu escrevo contra ele muitas vezes.
Isabel pega na ideia parafraseado no paragrafo anterior fazendo referência aos seus livros onde Djaimilia diz que se desconhece a si mesmo. De procurarmos esse caminho não o que é o conhecimento absoluto mas de nos permitirmos ir por lugares menos conhecidos nossos. Tem a ver com essa inimizade interna também?
Djamilia responde não sei se é mesmo isso, mas tem a ver com a importância de mantermos uma cerimónia connosco mesmos. Às vezes pelo menos a mim dá jeito. Quando estou a escrever dá-me jeito.Às vezes não há fuga possível. Quanto mais escrevo menos percebo quem sou.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2025
Boas memórias
Gosto de aprender e acima de tudo ensinar. Recordo-me de um dia em Vendas Novas uma aluna do 7º ano ter perguntado com um sorriso. O que é que vamos dar a seguir? Eu respondi vão aprender, aprender é mesmo incrível. Quando eu consigo entrar nos conteúdos sentir-me confortável naquilo que vou dizer o sentimento de bem estar transparece nos alunos e vejo-os felizes.
O sentimento de reconhecimento do meu trabalho senti-o na reunião final do ano letivo 2022/23, quando me despedi dos pais da minha direção de turma em Vendas Novas. Enquanto diretor de turma tenho muitas lacunas, não tenho perfil para ser diretor de turma. Acumulo problemas, sobre problemas e acabo por não os resolver. No entanto no meu segundo ano em Vendas Novas fiz de tudo para amenizar os meus erros. Trabalhei muito e foquei-me naquilo que interessa e no final do ano letivo quando dei por concluída a minha última reunião de pais, estranhamente vi os pais dirigirem-se a mim a agradecer o meu trabalho, fiquei comovido. Nunca me irei esquecer daquele gesto. Após a última reunião do meu Conselho de turma senti-me leve e com a sensação que cumpri bem as minhas funções. Sabe bem quando vemos o nosso trabalho recompensado. Nessa altura senti que o meu coração derreteu e quebrou-se o gelo que muitas vezes o assola
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
Um desabafo
texto escrito a 14 de Dezembro (Sábado)
O passado é
um fardo que me aporta e me impede de serenar. Quando estou bem relaxo estou
bem, quero viver tudo, penso que nunca mais voltarei a ficar mal e facilito,
desleixo-me. Aconteceu que na semana passada caí com estrondo e não me consegui
ainda levantar. No sábado passado estava bem queria corrigir os testes do
7ºano. Estava feliz porque estava convencido que os testes estavam bons, tinha
conseguido lecionar as coordenadas geográficas e sabia que a mensagem tinha
passado. Sentia vontade de ver o meu filho jogar em mais um torneio de hóquei,
na minha opinião estava tudo sobre controlo. A serenidade latejava e eu estava
feliz. Num abrir e fechar de olhos cambaleei, deixei-me vencer pelo cansaço. As
aulas começaram a correr a mal, os alunos a comportarem-se mal e eu tornei-me
apático e sem reação. Progressivamente fui-me fechando, deixei de interagir,
passei a não ter capacidade de resolver problemas e estes avolumaram-se. Não
consegui preparar aulas do 7º ano, 9º.
Olho para o
dia de ontem e observo o prazer que tive em dar aula ao 7ºC. Tinha a estrutura
da aula na cabeça e descrita numa folha de papel. Quando sentia que aula estava
a descarrilar agi de forma afirmativa e consegui que a minha mensagem passasse.
Na aula do 7ºC tive prazer em expressar os meus conhecimentos, pois percebi que
a maior parte dos alunos estava lá pronto a ouvir-me. Isso nem sempre é assim,
há alturas que consequência do cansaço perdemos confiança.
Eu luto
avidamente pela perfeição pelos sorrisos, sentir que os alunos me acarinham e
gostam de mim. Quero à força que isso aconteça e quando penso assim, isso
dificilmente acontece. Recordo-me de imensas coisas que eu me agarrei par
serenar em todas elas acreditei e em todas acabei por não ver nenhum resultado.
Agarrei-me ao desporto. Há uns tempos jogava ténis frequentemente na esperança
de melhorar, para poder participar em torneios e ganha-los. Em tempos
socorri-me da música pois acreditava que era ela a minha saída. Queria saber um
número infindável de músicos para me tornar melómano. Acabei por me esgotar e
desisti da música tal como desisti do ténis.
A minha
procura por saídas para a minha ansiedade esbarra no meu querer alcançar a
perfeição. Alcançar a perfeição enquanto docente é o que me tem esgotado
mais. É a profissão que eu desempenho há
mais tempo. Insisto em não desfrutar dela e quero de forma insistente idealizar
o professor perfeito.
Estamos na
fase final do primeiro período e luto contra o tempo para avaliar os trabalhos e dar as
notas dos meus alunos sem que hajam dúvidas. Esbarro nos meus erros e dúvidas e
insisto em dizer que não consigo e que
não presto. Passo a mensagem de fraqueza à Cecília e até já o disse em frente ao
meu filho. Todas essas fraquezas transmitidas a quem está mais próximo de mim
deitam-me ainda mais a baixo. Levantar a cabeça é difícil. Encarar de frente os
trabalhos do 10º ano que tenho de
corrigir e elaborar as tabelas dos quizizzz realizados pelo 11º ano tornam-se
tarefas árduas que eu não tenho forças para vencer. Pôr mãos à obra e deixar o
semblante carregado não é uma tarefa fácil, mas quero acreditar que
consigo.
terça-feira, 11 de junho de 2024
A minha visita à minha avó
Ir ver a minha avó ao lar a Aldeia das Dez são momentos que eu exploro de várias maneiras.
Gosto de ver a minha avó de olhos abertos a olhar e a falar para mim. Não gosto quando ela está a maior parte do tempo de olhos fechados. Quando a questiono sobre o porquê de ela estar de olhos fechados ela diz-me que gosta de ver o escuro. Eu acabo por respeitar embora não goste.
Nesta duas últimas visitas trouxe-lhes histórias do Duarte para lhe ler. Eu adoro pegar em coisas para 2 e 3 histórias e interagir com a minha avó , já o fazia em casa da minha mãe.
A história que lhe li na primeira visita foi " Mia e o balão" enquanto que hoje trouxe um livro da Rita Ferro "As caras da Mãe"
Consegui perceber pelos olhos que gostou desta nova experiência, consegui que ela saboreasse aquele tempo à sua maneira com entusiasmo.
Quando lhe mostrei a história procurei que ela visse as imagens e as interpretasse à maneira dela, foi muito interessante perceber o que ia na cabeça dela e perceber o que ela estava a entender.
Na visita de hoje levei-lhe um brinquedo do Duarte, para ela treinar o cérebro e a motricidade das mãos.
quinta-feira, 25 de abril de 2024
A nossa celebração do 25 de abril em Coimbra
Hoje fomos a Coimbra celebrar os 50 anos do 25 de abril.
Saímos a meio da manhã de Oliveira do Hospital, e chegámos a Coimbra, já eram quase 13h. Almoçámos e fomos para a praça da República desfrutar do início da festa e da marcha em direção ao pátio da inquisição.
Após termos visto a prima Paula Pontes e tomado café com o meu pai descemos em direção ao pátio da inquisição.
sexta-feira, 5 de abril de 2024
POEMA EM LINHA RETA
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das
etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
Uma visita à Terra de Besteiros
Hoje o plano foi ir para terras de Besteiros e fomos visitar a cidade de Tondela.
Uma cidade que gira em torno das suas principais tradições locais como a Olaria e o fiar do linho. Tondela não está muito virada para o turismo é uma cidade mais de passagem e não tanto de pemanecer por lá.
No passado dia 30 de Março foi nesta cidade que decorreu a peça de teatro acompanhada por uma orquestra intitulada o "Rebentar do Judas". Uma iniciativa cultural fantástica que os meus pais tiveram a sorte de assistir. Foi pena a chuva.
Quando chegámos a Tondela visitámos o museu municipal que nos deu uma visão muito boa da história do concelho de Tondela. É um museu muito organizado e com uma muito boa apresentação dos temas e com boa conciliação entre o digital e o espólio do museu.
Depois de almoço fomos passear pelo parque verde da cidade e marcámos o momento com uma fotografia.
Ainda fomos às termas de Sangemil, no entanto ficámos um pouco surpreendidos por um desmazelo que latia sobre aquele local. O rio dão estava com um leito muito bem composto.
Após esse passeio fomos para Oliveira do Hospital serpenteando o planalto Beirão
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Alberto Caeiro II
Quando vier a primavera,
Alberto Caeiro
Adoro este poema de Alberto Caeiro





