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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Tão felizes que nós éramos - Clara Ferreira Alves

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

Clara Ferreira Alves- Jornal Expresso 18/3/2017


quarta-feira, 14 de março de 2012

Tou parvo!

Há coisas do diabo! Isto nem o Louçã disse! Carmaba, imagino a comoção e o pseudo escândalo das virgens ofendidas da burguesia se isto tivesse sido dito cá. Mas não foi. Foi alguém de dentro, muito à inside job. São os mercados... Ou em português, sobre a bancarrota moral deste sistema.

Declaração errada do Ministro Miguel Relvas

Hoje quando estava a ver o telejornal, qual não é o meu espanto quando vejo o Ministro Miguel Relvas a indicar que a final da Taça de Portugal seria realizada em canal aberto, como se alguma vez isso não tivesse acontecido, cometendo a gafe de dizer que a mesma se realizará no dia 27 de Maio quando na realidade vai ser no dia 20. Quando se tenta ser omnipresente e estar a par de tudo as coisas acabam por correr mal. Neste governo houve a preocupação de reduzir ministérios alargando-se os seus poderes. Já se percebeu que não resultou

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Conforto é a tua tia

Parece que um qualquer sujeito que está Secretário de Estado (da juventude e desporto?) disse que os jovens desempregados devem sair da sua zona de conforto e emigrar.... É mais uma declaração bizarra (mas não necessariamente uma gaffe) desta gente sinistra que nos governa.
Estará o referido incumbente a querer limpar os números do desemprego (já que excedentes demográficos não há) ou à espera de remessas de emigrantes, como antes se fazia? Ou, simplesmente a dizer I just don't give a damn!
Já agora, que conforto é que há no desemprego?
P.S. Já nem refiro a tristeza que é a emigração de quadros valiosíssimos para outros países, mas enfim... fica a nota.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Insólito ou talvez não

Aquando das minhas pesquisas rotineiras pela internet, encontrei no blogue do Clube dos Pensadores, este requerimento realizado por um munícipe ao Presidente da Câmara de Marco de Canavezes:

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mau...

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2011/10/para-acabar-de-vez-com-os-mitos.html



Texto sugerido por Sérgio Vieira

Para acabar de vez com os mitos da crise

Se nalguma coisa a narrativa austeritária tem sido singularmente bem sucedida, é a disseminar e explorar o mito de que os países da periferia europeia viveriam acima das suas possibilidades por os seus trabalhadores trabalharem de menos e terem regalias a mais. Esta visão hegemónica foi abundantemente vendida aos eleitorados e opiniões públicas dos países do centro europeu, claro, mas tem também exercido grande influência na própria periferia.
Acontece que é, simplesmente, mentira. Este post publicado no blogue da Real World Economics Review, que tem por base um exercício anterior de Kash Mansori, reúne cinco tabelas que mostram isso muito bem. É um conjunto de indicadores a que nós e outros já nos temos referido, mas que aqui se encontram convenientemente reunidos e resumem a questão de forma cristalina.
As figuras falam por si, mostrando que, de uma forma geral, os trabalhadores da periferia europeia…
1) trabalham mais horas;
2) têm taxas de actividade idênticas ou mais elevadas (especialmente Portugal e Espanha);
3) no caso de Portugal e sobretudo da Grécia, apresentaram níveis de crescimento médio anual da produtividade do trabalho, entre 2000 e 2008, idênticos ou superiores aos do centro europeu;
4) registam níveis de despesas sociais per capita bastante mais reduzidos;
e 5) apresentam um nível de despesas com pensões de reforma em percentagem do PIB (isto é, relativamente à capacidade da economia) idênticos aos do centro europeu;
Ou seja, a narrativa hegemónica é uma rematada mentira de consumo fácil, destinada a persuadir as vítimas da espoliação de que "não há alternativa". Quanto à verdadeira história, resume-se nos seguintes pontos:
1) Uma perda de competitividade dos países da periferia europeia ao longo da última década que não se deveu à evolução da produtividade do trabalho mas sim à pertença a uma zona monetária perversa, com um euro sobrevalorizado face ao exterior e, no interior da zona euro, uma competição cerrada ao nível da compressão salarial promovida acima de tudo pela Alemanha...
2) …perda de competitividade essa que, ao longo da última década, provocou o gradual aumento do défice comercial e constrangeu o nível de actividade económica, com consequente perda de receitas fiscais (aumentando o défice orçamental)...
3) …a que se seguiu uma recessão mundial, de 2008 em diante, que implicou uma contracção dos mercados de exportação, com consequente aumento adicional do défice externo e contracção adicional da actividade económica, implicando uma perda adicional de receitas fiscais e um aumento dos gastos do estado por acção dos estabilizadores automáticos (como o subsídio de desemprego)…
4) …recessão mundial essa que incluiu uma crise bancária que esteve na origem da opção política pelo resgate público de bancos falidos em condições desastrosas (somando défice ao défice), aliás na sequência das gigantescas rendas que os estados vêm há muito, e por diversas vias, assegurando à banca…
5) …somando-se ainda ao desperdício obsceno de fundos públicos decorrente da captura do Estado por interesses rentistas, nomeadamente através das ruinosas “parcerias" público-privadas.
Portanto: uma crise cujos fundamentos residem nas estratégias do capital centro-europeu; que foi despoletada por uma recessão mundial também ela decorrente do funcionamento do capitalismo financeirizado; e que se tornou insustentável devido ao desperdício acumulado do erário público em benefício de interesses rentistas nacionais, com a banca e os grandes grupos económicos à cabeça.
E pela qual são os trabalhadores, pensionistas e classes populares a pagar - de uma forma nunca vista e, se não reagirmos à altura, permanente.
Mais do que uma crise, é um gigantesco roubo. E temos todos a obrigação de lutar contra ele nas ruas, nos locais de trabalho… e nas mentes daqueles com quem falarmos.

Escrito no blogue Ladrões de Bicicletas por Alexandre Abreu no dia 25 de Outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Poesia

Troquem a «imprensa portuguesa» pelo que vos parecer mais óbvio. Ou não... Ou as duas coisas. http://arquivopessoa.net/textos/3227

Parece que...

http://educar.wordpress.com/2011/10/21/acrescentando-so-um-ou-outro-detalhe-a-noticia-do-diario-economico-de-hoje/


Texto sugerido por Sérgio Vieira

Acrescentando Só Um Ou Outro Detalhe à Notícia Do Diário Económico De Hoje…

… eu diria que o alarme lançado sobre os docentes é, neste momento, absolutamente inaceitável, pois o MEC refugia-se no silêncio da indefinição e da incapacidade de dizer algo que se sinta em condições de manter.
A notícia em causa é esta, follow-up da de ontem.
A reforma curricular do Ensino Básico anuncia-se como amputação e seria muito bom que assim não fosse. A oferta não essencial de que se fala no OE nunca deveria atingir disciplinas do núcleo duro do currículo de qualquer país civilizado ou aspirante a isso.
A verdade é que o medo se instalou e, em conjunto com a promessa de mais autonomia para os directores, a instabilidade está a geminar a níveis insuportáveis. Com consequências extremamente graves que me parece não estarem a ser acauteladas pela tutela, que desbaratou por completo o capital de confiança e credibilidade com que foi recebido o novo ministro nas escolas.
O que é mais complicado é que, se forem continuados os projectos da era Maria de Lurdes Rodrigues/Valter Lemos de definição de dois ciclos de escolaridade de seis anos (há em funcionamento cursos de formação já com essa lógica há alguns anos e a primeira fornada está quase disponível), generalistas para o 1º ciclo e híbridos para o 2º (corresponde ao actual 3º CEB e Secundário), isso implica mexer de forma profunda num documento muito sensível, de vida ou morte (profissional) para muita gente: o das habilitações para a docência.
E essa mexida é tão ou mais estruturante do que a do currículo.
E se aqui falo já nisso é porque convém, desde já, alertar para algo que pode ter consequências brutais no potencial afastamento de professores dos quadros, num tempo em que a estabilidade jurídica e os direitos adquiridos são encarados como coisas sumptuárias. E porque é importante que o MEC esteja consciente que à engenharia social e do sucesso da era Sócrates não deve suceder a engenharia curricular e orçamental da era Passos Coelho/Crato.
Porque o que está em jogo não é apenas uma questão corporativa. Antes o fosse. O que está em causa é a transformação do ensino e do sector da Educação numa questão menor, prejudicando de forma colossal as próximas gerações ao ser-lhes dada uma formação amputada e confusa, digna de um mau curso das Novas Oportunidades, atropelando pelo caminho toda uma classe profissional, da qual se salvam apenas uns nichos.
O eventual esmagamento do 2º CEB, transferindo a sua matriz curricular para o 3º CEB é uma imbecilidade, caso venha a avançar, e uma medida ao serviço da imbecilização da Educação. A pulverização curricular no 3º CEB é uma evidência, mas a redução de 13 ou 14 disciplinas ou áreas disciplinares para 10 (por exemplo) é possível sem grande dificuldade, desde que o objectivo não seja apenas reduzir o peso da carga lectiva de 35-36 horas para 32 ou 30, argumentando que é excessiva e depois colocando o que agora é componente lectiva no horário dos professores em componente não lectiva e opcional para os alunos.
O país está em crise e as finanças públicas em colapso?
A solução é cortar 8-10% no Orçamento da Educação por ano ou moralizar os contratos ruinosos que o Estado estabeleceu com  o Centrão dos Negócios ao longo dos últimos 10-15 anos? E, por exemplo, verificar até que ponto a promiscuidade público-privada nas assessorias e consultadorias técnicas e jurídicas não atinge em todo o país os níveis que se sabem ser prática comum na Madeira?
Ficamos sem História, Educação Visual ou Geografia como saberes autónomos e estruturantes, mas ficamos com florescentes escritórios de advogados, bem relacionados com o poder político?
Até que ponto é Nuno Crato capaz de ser mais do que um operacional, executor de uma política de cortes, retomando toda (relembremos que as NO e a Parque Escolar aí estão para durar) a herança do período que tanto criticou?
Está Nuno Crato convicto que é este o seu contributo para a Educação Nacional?
Para isto chegaria um pequeno grupo de ajudantes de ministro, sem rosto ou identidade.

Texto publicado no blogue Educação do meu Umbigo por Paulo Guinote a 21 de Outubro de 2011




Vanguardas

E Crato continua a implodir a educação, perdão, o Ministério. http://educar.wordpress.com/2011/10/19/ja-semos-os-primeiros-a-contar-do-fim/

Texto sugerido por Sérgio Vieira

Despesa em Educação em percentagem do PIB será a menor da União Europeia

A despesa pública em educação em percentagem do Produto Interno Bruto, prevista para 2012, vai empurrar Portugal para a cauda da União Europeia.

De 5% do PIB em 2010, as despesas do Estado com a educação passarão a representar apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5%. Na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.

A descida deste indicador estrutural é apresentada na proposta de Orçamento do Estado para 2012. No quadro da despesa do Estado por classificação funcional, a redução na área da educação é 1,5 mil milhões de euros: passará de 8,1 mil milhões, em 2011, para cerca de 6,6 mil milhões, em 2012.

O impacto das medidas de contenção orçamental para a educação, ciência e ensino superior está avaliado, na mesma proposta, em 600,1 milhões de euros, que foi também a "ordem de grandeza" dos cortes no sector apontada anteriormente pelo ministro Nuno Crato. Mas na proposta de orçamento, na parte respeitante ao Ministério da Educação e Ciência, descreve-se que a redução de encargos será de 404 milhões.

O PÚBLICO questionou o MEC sobre esta diferença e também sobre o universo de comparação que está na base do cálculo das reduções previstas para 2012, mas não obteve respostas.

Por comparação ao que estava orçamentado em 2011, o corte previsto nas transferências para as universidades e politécnicos é de 97,4 milhões; as escolas do ensino não superior deverão receber menos 289 milhões; e as despesas com pessoal descem 778 milhões.

Entre o final de 2010 e 30 de Junho de 2011, a redução de pessoal do MEC, onde se incluem os professores de todos os níveis de ensino, foi de 0,3 por cento, inferior à verificada nos outros ministérios. Com 237.532 trabalhadores, continua a ser o líder na administração central.

O orçamento previsto do MEC é avaliado em 8,1 mil milhões, o que representa uma redução de 400 milhões, por comparação ao que foi orçamentado para 2011 para os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, agora agrupados num único organismo.

Na proposta entregue segunda-feira no Parlamento, a diferença apresentada é superior a 800 milhões, uma vez que a comparação é feita com estimativa da despesa real em 2011, que, neste altura, já ultrapassa o orçamento previsto em cerca de 500 milhões. Tendo por base esta estimativa, a previsão da despesa consolidada do Estado no orçamento do MEC para 2012 sofre um decréscimo de 18,4%.

Questionado por jornalistas, em Braga, o ministro Nuno Crato escusou-se a pronunciar-se em concreto sobre os cortes previstos no orçamento do seu ministério, mas considerou que as opções do Orçamento do Estado para 2012 são "as melhores" face ao "momento difícil" que o país atravessa. "São opções difíceis, vivemos um momento difícil, mas eu creio que são as melhores opções face à situação em que estamos", disse. "Temos todos esperança no futuro, na educação, na ciência, vamos ultrapassar este momento difícil, vamos de certeza conseguir ultrapassá-lo", acrescentou.

Jornal Público 19 de Outubro de 2011
Texto realizado por Clara Viana

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Subsídio de Natal dos Docentes Contratados

Hoje apercebi-me que uma das escolas onde eu estive no ano passado me transferiu a quantia relativa ao subsidio de natal que eu teria direito ao subsidio de natal relativo ao tempo de serviço exercido entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto de 2011.

De acordo com o OFÍCIO CIRCULAR No 8 / GGF / 2011  quem não foi colocado após 31 de Agosto e até agora não foi colocado tem direito ao pagamento durante o mês de Outubro do referido Subsidio de Natal. Agora mais do que nunca devemos ter conhecimento das regras:

Transcrevo seguidamente o referido ofício:
Relativamente ao assunto citado em epígrafe, e atendendo ao regime especial de contratação dos docentes, no abono do subsídio de Natal dos docentes contratados, deverão seguir-se as seguintes orientações:
I- Docentes com contrato até 31 de Agosto e colocados durante o mês de Setembro
- O subsídio de Natal dos docentes que forem colocados durante o mês de Setembro, deverá ser pago em Novembro pela escola onde o docente for colocado.
- O subsídio em causa abrange todo o período de exercício de funções de Janeiro a Dezembro e deve ser proporcional ao tempo de serviço prestado pelo docente no ano civil.
- Caso o no de horas do contrato de Janeiro a Agosto seja diferente do no de horas do contrato de Setembro a Dezembro, o subsídio de Natal deve ser calculado proporcionalmente ao no de horas de cada contrato.
( no 1 do art.o 207, do Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, aprovado pela Lei no 59/2008, de 11.09)
II- Docentes com contrato até 31 de Agosto e não colocados durante o mês de Setembro
- Os docentes que não obtenham colocação durante o mês de Setembro, devem ser abonados do subsídio de Natal durante o mês de Outubro, pela Escola onde estavam colocados em 31 de Agosto. O subsídio de Natal deve ser calculado proporcionalmente ao no de horas e ao período de exercício de funções de Janeiro a Agosto de 2011.
(alínea b) do no 2 do art.o 207, do RCTFP)
Av. 24 de Julho, 134 - 3o 1399-029 Lisboa Tel.: 21 394 92 00 Fax: 21 390 70 03
III – Docentes colocados pela 1a vez
Docentes com contrato até 31 de Agosto e colocados após 1 de Outubro
- Os docentes colocados pela primeira vez devem ser abonados de um subsídio de Natal proporcional ao período de exercício de funções de Setembro até 31 de Dezembro.
- Os docentes contratados até 31 de Agosto e colocados após 1 de Outubro, são abonados pela escola onde forem colocados relativamente ao período de exercício de funções de Outubro até 31 de Dezembro, (uma vez que já foram abonados pela anterior escola de Janeiro a Agosto).
- Este abono deve ser efectuado em Novembro para todos os docentes colocados até Novembro e em Dezembro para os restantes casos.
(alínea a) do no 2 do art.o 207, do RCTFP)
As orientações do Ofício-Circular no 9/GGF/2007, de 25.05, ficaram sem efeito face à aplicação ao pessoal docente contratado, do Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, aprovado pela Lei no 59/2008, de 11/09.
O presente Ofício-Circular, substitui o Ofício-Circular no 15/GGF/2009.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A progressiva desvalorização dos currículos de Geografia e História

Envio um texto que me enviaram para  o mail escrito por um colega, sobre a futura unificação dos grupos disciplinares de Geografia e História:
1.O “Diário de Notícias” de hoje, 13 de Outubro, publica uma notícia, com chamada de 1ª página, sobre a reforma curricular que o Ministério da Educação estará a preparar para o próximo ano. O jornal destaca, logo na página da frente, a redução da carga horária de História e de Geografia; esta é, também, a primeira das medidas que surgem na imagem que, na página 12, encima a notícia. Na notícia, as disciplinas de História e de Geografia são consideradas “não estruturantes”. O ficheiro que envio em anexo contém o que é publicado pelo Diário de Notícias sobre esta matéria.
2. Infelizmente, esta notícia não surpreende. A unificação da formação inicial de professores, contestada na Petição Pública Nacional, lançada a 23 de maio e ainda em curso, só pode ser compreendida no quadro de uma desvalorização curricular das disciplinas de História e de Geografia.  
Neste momento, temos 2500 subscrições da Petição Pública Nacional, o que é significativo (25% do total dos professores portugueses das duas disciplinas), mas insuficiente para obrigar a Petição a subir ao Plenário da Assembleia da República;  tal não dá também a força necessária para os professores de Geografia e História, também através das Associações que promovem a Petição (APGeografia, APHistória, APGeógrafos, AIGeografia), confrontarem os responsáveis políticos e educativos. A subscrição da Petição surge, nesta altura, como particularmente importante.
3. Junto reenvio o texto da Petição Pública Nacional e a respectiva ficha de subscrições. A Petição está também disponível online, desde 6 de outubro, como sabem, em http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N14927
4. Junto igualmente o programa do Seminário Nacional “A Formação Inicial de Professores de Geografia e História” e a respectiva ficha de inscrição, que poderá igualmente um momento de reflexão e de mobilização dos professores de ambas as disciplinas.
Cumprimentos.

Sérgio Claudino (Instituto de Geografia e Ordenamento do Território do Centro de Estudos Geográfico da Universidade de Lisboa)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Deambulações pela sociedade e economia

O futuro infelizmente é uma incógnita para "nós", jovens que estamos a tentar demonstrar o nosso valor e vemos frequentemente serem-nos colocadas barreiras, através de métodos pouco claros e muitos deles cúmplices de uma legislação que favorece as grandes empresas e afunda os pequenos e médios empresários.

Na designada baixa de Coimbra é notória a progressiva extinção do comércio tradicional, que é progressivamente abandonado, em detrimento das grandes superfícies comerciais ou das lojas chinesas.

É muito difícil as nossas empresas têxteis e de calçado poderem competir com os produtos oriundos dos países do Sudeste Asiático. Ontem fui à decathlon e pude constatar, que quase 100% dos produtos, têm origem nos países atrás mencionados. Enquanto não houver uma política global que regule as importações e estipule regras que definam que os produtos não podem ser produzidos por crianças, ou as condições de trabalho têm de ser condignas com a dignidade humana, o que não acontece como todos nós sabemos., é impossível  que os nossos produtos possam ser competitivos.
As nossas empresas têm de fazer face um conjunto de adversidades externas para conseguirem sobreviver.  A aposta na inovação e na qualidade poderão ser saídas , no entanto é muitas vezes necessário lutar contra  as burocracias e  dificuldade notória no acesso ao crédito. 

A minha geração e as subsequentes, vivem uma situação em que têm de se adaptar ao conceito da "precariedade", onde o mérito e o rigor são muitas vezes desvalorizados em detrimento do designado clientelismo. Nos dias que correm já não basta ser bom é preciso conhecer bens os meandros do sistema para que consiga entrar e lá permanecer. 

Eu próprio já troquei ideias nas familiares tertúlias de café ou de família, onde referi a "impreperação" da minha geração para a austeridade que aí vem. Fomos mal habituados, tivemos um acesso fácil a tudo e agora achamos que não temos capacidade de nos adaptarmos às vicissitudes da designada crise financeira Global. Sinto que a educação e aquisição de um curso superior é sempre uma mais valia. No entanto, é necessário percebermos e adaptarmo-nos às contingências actuais e  e em vez de percorrermos um caminho, indo directamente para aquilo que sempre ambicionámos, temos de nos sujeitar a outras tarefas ou trabalhos. Mais do que nunca precisamos de acreditar nas nossas capacidades, termos um bom suporte familiar, e arrisquemos num caminho, onde a probabilidade de falhar está sempre presentes. 
Actualmente, ao contrário do que acontecia anteriormente, já não temos o vizinho que nos leva uns legumes caseiros produzidos no seu quintal, a guarita que antes estaria sempre garantida,  pode já não estar caso as coisas nos corram mal. A insegurança e indefinição, passaram a ser palavras mais pronunciadas nos dias que correm.

Considero que num passado recente,  se vivia menos bem as pessoas eram mais pobres,  no entanto a entreajuda era maior, o aliciante do consumo era menor, o que originava que não houvesse tanta propensão para subir socialmente como ocorre nos dias de hoje. 
Tudo tem os seus prós e contras, com a difusão das novas tecnologias, os contactos sociais são muitas vezes transcritos à distância, houve a difusão do crédito e ao consumo fácil ,que trouxe consequências para uma sociedade que se tornou cada vez mais endividada.

Precisamos de saber lidar e adaptarmo-nos à evolução. Infelizmente nem todos o conseguem observando-se um crescente aumento do desemprego e da criminalidade.

Sinto que o cidadão tem cada vez menos poder para fazer face às mudanças tendo elas ocorrido muito rapidamente, deixando-nos desprotegidos para lhes fazer face. Cada vez mais na minha opinião, a sociedade civil deve ter um papel cada vez mais activo informando, os cidadãos de modos a que estes possam exercer uma  cidadania mais activa e participativa.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Máscaras que revelam faces

Nuno Crato talvez tenha sido o ministro que mais aplausos arrancou quando se soube que iria ocupar a pasta da Educação. Embora longe de unânime, mereceu crédito de muitas pessoas desencantadas com os rumos de turbulência burocrática da educação, minada por um facilitismo galopante e pela perda de referência do sentido das aprendizagens. A expectativa criada (mesmo em alguns sectores da esquerda pouco dados a romantismo social em educação) prendia-se com isto mesmo: devolver alguma dignidade às escolas e prestígio aos saberes.
Pela minha parte, fui daqueles que, mau grado alarmados com um discurso de nauseabundo elitismo e de neo-liberalismo (a célebre 'liberdade' em educação que mais não significa concorrência entre escolas privadas e públicas para financiamentos de acordo com resultados, o que implica que o Estado financie escolas de luxo com alunos de luxo para alunos de luxo), acalentaram a ingénua esperança de que os tormentos burocráticos do dia-a-dia fossem varridos, que as escolas deixassem de ser, enfim, um local onde se passa o dia para ser um local onde se pode aprender e ensinar.
Ora, não só não há indicação nenhuma de supressão das estéreis e absurdas burocracias como a única coisa que foi varrida foram lugares aos milhares. E a decência neste infames concursos.
Pior: correm rumores de que Crato estará a preparar uma nova reforma curricular em que as Ciências Sociais são esmagadas. Não vale a pena dizer o que isto significa para quem dá, ou espera poder dar, aulas nestas áreas... Que Crato nutria um profundo desdém pelo 'eduquês' e pelo pedagogismo, já se sabia. Que, afinal as ciências sociais não lhe merecem grande consideração também se vai revelando evidente.
Para concluir, a cereja em cima do bolo: o Sr. Ministro, vai cumprindo a sua promessa de acabar com o ME, anunciando para o próximo ano lectivo um corte de € 500 milhões. Em salários, pois está claro... O mais interessantemente repugnante é que os lobos da Troika exigiam um corte de € 195 milhões. Ah, e nem menos um cêntimo para as escolas privadas.
Concluir-se-á, portanto, que está em marcha a segunda fase de liquidação dos contratados e confirmada a denúncia de que, para esta malta das 'liberdades', o que é público é para acabar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O dia Mundial do Professor

Apesar do descrédito que vive a profissão docente, é indesmentível a importânicia da educação para que  ocorra um melhor desenvolvimento económico e social.

É com satisfação e sem qualquer rancor, que celebro hoje o dia Mundial do professor, que eu considero ser também o dia da educação e da concretização de um desenvolvimento mais equilibrado e sustentado.

Ensinar aquilo que fomos apredendo ao longo da vida é algo que nos deve dar prazer e lisonjear. Tal como referido na frase mestra do blogue "o primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma", nós professor mas também os cidadãos temos o dever de aprender e interpretar aquilo que aprendemos de um modo construtivo e evolutivo, pois apenas dessa forma poderemos ensinar melhor os nossos alunos, filhos ou concidadãos.

Aguardo que em tempo de crise, não se pense unicamente a curto prazo, descurando a educação e a qualidade do ensino, pois dessa forma descura-se o futuro do planeta não só ao nível económico como ambiental.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Diariamente

Fatalmente a situação de desemprego, agravada pela inexistência de possibilidades de colocação, faz os seus efeitos emocionalmente desgastantes. A rotina feita hábito doloroso de ir espreitar as listas das cíclicas e das ofertas de escola na vã esperança, alimentada por uma qualquer patética ilusão de um resultado positivo, uma colocação, torna-se... insuportável como insuportável é a a flagelação de não ter concorrido de outra forma menos petulante e estúpida. Porque, de facto, também disso se tratou.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Arranja-me um emprego

Apercebo-me com apreensão toda esta situação vivida no meu país, verificando com cada vez mais clareza o poder transparecido por uma maioria absoluta que privilegia as zonas francas, demonstrando-se com cada vez mais clareza e sem pejo, a implementação do clientelismo e da designada cunha em todos os parâmetros da vida social e profissional.

As medidas restringem cada vez mais os direitos sociais são cada vez mais evidentes assim  como a dificuldade de arranjar um emprego. Apetece-me dizer tal como o Sérgio Godinho "Arranja-me um emprego".

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vidas adiadas

Não há remédio: este ano é para o desemprego. Acabei de ver agora a lista da terceira bolsa de recrutamento e o cenário só se agravou. Nem vale a pena explicar como.

Quanto ao ministério, nada se me ocorre dizer a não ser esta interrogação: como podem Nuno Crato, o director da DGRHE e outros, dormir descansados? As suas acções ou omissões destroem vidas aos milhares. Esta autêntica velhacaria, em país que se desse ao respeito, só poderia conduzir à reparação dos lesados ou à demissão sumária dos responsáveis. Se o governo não existe para servir mas para destruir, para quê o governo?

Se o actual ministro da educação alguma vez gozou de expectativa favorável, esta criminosa situação nos concursos vem recordar aos néscios o princípio básico da prudência em matérias de sebastianismo.

Entretanto, a FENPROF apresentou queixa-crime contra o ministério. Podem ter todos os defeitos do mundo, mas são os únicos que defendem os professores e enfrentam o Ministério da Educação.
 

sábado, 24 de setembro de 2011

Elucidativo


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Algo inesperado

Não esperava ouvir Ricardo Reis a sair-se com isto, mas olha... ainda bem que o diz... ou a coisa apertará tanto que até os mais convictos anarcocapitalistas ficam apreensivos?