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sexta-feira, 21 de maio de 2021

História do Corinde e do Torcaz

Noite após noite e sempre que estou com o Duarte vou reinventando as múltiplas histórias que leio nos livros infantis.

A primeira vez que consegui adormecer o Duarte através narração de uma história, aconteceu apenas em agosto do ano passado quando estávamos no Luso. Nesse dia uns instantes após o almoço o Duarte abriu o estojo da mãe e encontrou lá um objeto que desconhecia um X ATO aberto. O Duarte de forma instintiva pegou na parte cortante e fechou a mão. Ele não se assustou, talvez por não se aperceber o que tinha acontecido. Quando chegou à cozinha,  abriu a mão e nós ficámos muito assutados pois ele não conseguiu explicar a origem do sangue. Já não me recordo se o Duarte chorou mas penso que não, neste caso a aflição foi apenas nossa. Felizmente ele não fez muita força quando apertou a mão e o golpe foi pequeno, ficou o alerta para nós.

Após realizarmos os curativos dissemos para ele segurar um  pouco de algodão e fechar a mão. Ele estava com sono e decidimos deitá-lo um pouco no sofá. Nessa altura adormecê-lo durante a tarde já era uma tarefa hercúlea. Eu decidi fazer uma coisa que adoro fazer sempre que vou ao Luso, ler as histórias da avozinha escritas há mais de quarenta anos, uma coleção de 7 ou 8 livros que o meu sogro tem.

Naquela tarde decidi abrir um dos livros que compõem a coleção e contei-lhe a história do Corinde e do Torcaz. Foi a primeira vez que li aquela história e dado a extensão e complexidade do texto limitei-me a ver as imagens e a narrar a minha história através das imagens  

Passado alguns meses já li a história varias vezes, mas devido às múltiplas alterações que já lhe fiz não consigo contar a história original,  no entanto conto a minha história com base no contexto expresso no livro.

O Corinde e o Torcaz 

"Há muito séculos atrás uma aldeia estava em festa e decidiu convidar os habitantes mais abastados das aldeias vizinhas para comer, beber e divertirem-se. Para a parte da diversão decidiram convidar dois cavaleiros para lutarem a cavalo, O Corinde e o Torcaz. 

O Corinde tinha um  bom coração e apesar de ser um valente cavaleiro não gostava muito de intrigas e conflitos, enquanto que o Torcaz era mais conflituoso estava sempre em lutas e brigas.  Ambos aceitaram o convite para a batalha que estava marcada para a tarde de um dia de primavera. há muito séculos atrás.

Ambos subiram ao cavalo com um pau enorme, era assim que se começavam as lutas nessa época. O Torcaz mais agressivo na fase inicial conseguiu deitar o Corinde ao chão através de uma forte pancada no peito. Nesse tempo usavam grande fatos de ferro que vestiam por cima da sua roupa e muitas vezes o peso da vestimenta era muito elevado, no entanto nesta altura os homens tinham muito mais força que hoje. Outros tempos.

Após o Torcaz ter deitado ao chão o Corinde a luta passou a ser realizada no chão através das espadas que tinham à cintura. No chão, com a espada o Corinde teve uma destreza maior   e apesar da maior agressividade do Torcaz este acabou por sair derrotado.

Após a luta ambos guerreiros tinham direito a um jantar, no entanto o Torcaz acabou por não aceitar e foi para casa cabisbaixo e enraivecido.

Passado umas semanas o Corinde foi dar um passeio a cavalo com os seus cães nas montanhas que envolviam a sua aldeia. Quando chegou ao cimo da encosta observou que no sopé da montanha  a aldeia dos mouros estava a ser atacada e observava já algumas casas em chamas.  O Corinde ficou apreensivo e decidiu soprar num objeto comprido que trazia sempre consigo que expelia um som alto e forte do conhecimento dos habitantes da sua aldeia. que chegaram poucos instantes depois.  

O Corinde e os amigos desceram a encosta em direção à aleia dos mouros que estava a ser atacada. Quando se aproximaram viram que as tropas do Torcaz estavam a tentar conquistar a aldeia dos mouros de forma a alargar o seu território No entanto a batalha não estava as correr nada bem ao Torcaz. O Corinde e os amigos decidiram salvar o Torcaz e dar entender aos mouros da rendição das suas tropas,

Acabaram por levar o Torcaz e alguns dos seus homens para a sua aldeia e trataram deles antes de estes regressarem a casa.

O Torcaz quando já encontrava restabelecido veio ter com o Corinde e agradecer-lhe o gesto que ele teve para com ele e disse-lhe que tinha aprendido a lição e que daí em diante nunca mais se  iria meter em conflitos."

Naquela tarde de agosto de 2020 não precisei de contar a história toda ao Duarte, pois ele passado alguns minutos adormeceu agarrado ao algodão que a mãe lhe tinha dado.

Ontem chegou a  encomenda de mais dois livros infantis da Boutique da Cultura: A flor mais alta do mundo" de José Saramago  e  "A girafa que comia estrelas" de José Eduardo Agualusa.

Aquando da receção da encomenda observei que me tinham enviado um bilhete personalizado desejando-me boas leituras. Um gesto simples que eu dei um grande valor por não ser um gesto vulgar. Para mim foi como se fosse um autografo.


No dia 2 de Abril de 2020 escrevi a minha primeira e única história Infantil. " A História do Moliço"
Quem não leu diga-me o que achou.

Termino o texto com uma mensagem de José Saramago no livro " A maior flor do mundo":
"E se as histórias para crianças passassem a ser obrigatórias para adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar"  

quarta-feira, 3 de março de 2021

O sonho do Duarte

Bem nem sei por onde começar. Arrepiei-me com a descrição tão exaustiva da imaginação do Duarte. Desta  vez fui eu que fiz as perguntas. A minha ambição é transparecer um bocadinho da emoção que o Duarte descreveu o seu sonho.

Tudo começou há breves minutos, sentei-me e comecei a conversar com o Duarte na esperança que ele acalmasse depois de um período após o jantar onde ele correu, saltou do sofá, caiu  e calcorreou todos os recantos da casa como é o normal no final do dia.

Comecei a fazer uns riscos numa folha branca de rascunho e a contar a minha história. Lembrei-me de há uns dias o Duarte ter falado de um sonho que tinha tido, onde dizia que estava no Luso a brincar com os seus brinquedos. O grande hiato temporal sem ir à casa dos avós maternos deixou mossa naquele cérebro pequenino, mas com uma tremenda imaginação.

Contei o meu sonho inventado começando por dizer que ele estava no Luso com a mãe. A mãe Cecília inesperadamente teve uma reunião que demorou muito tempo e quando se apercebeu já era muito tarde para regressarem. Decidiram jantar e passar a noite no Luso.  Senti que a partir daqui já tinha cativado a atenção do Duarte. Parei uns segundos a narração e o Duarte disse "e depois pai". Estava a conseguir acalmá-lo e  a fixar a atenção dele naquilo que eu dizia. Prossegui a narração do sonho inventado. Ao outro dia de manhã bem cedo a mãe acordou e começou a trabalhar horas a fio. A avó "Lai", diminutivo de Cidália, teve que ir acordar o Duarte, vesti-lo, dar-lhe o pequeno almoço e brincar toda a manhã com o neto. A Cecília em consequência das inúmeras tarefas que teve de fazer mais uma vez nem se apercebeu das horas e quando finalmente terminou a última reunião, já era hora de almoço. Cecília disse "não pode ser, como é possível a manhã ter passado tão rápido". A avó Cidália pôs as mãos na cabeça e disse  "como é possível ter-me esquecido de dar de comer às galinhas e aos coelhos". Saiu a correr muito e foi perguntar ao avô "Xandre",diminutivo de Alexandre, se podia dar de comer às galinhas e aos coelhos para ela poder ir tratar do almoço. Após o almoço a Cecília disse à mãe Cidália que tinha de ir para Oliveira do Hospital pois tinha que fazer análises e o pai Tiago estava sozinho,  não sabia fazer comer e estava a passar fome. Bem o meu sonho estapafúrdio terminou quando o Duarte e a mãe iam a caminho de Oliveira do Hospital.

Bem Duarte agora é a tua vez de contar o teu sonho.

Duarte- "Pai eu esta noite ouvi os cães a ladrar muito e um homem a acompanhá-los. Ladravam muito alto, gritavam."

Eu- "Gritavam como?"

Duarte- "Au, Au muito alto". Foi tudo tão assustador pai.

O Duarte pôs as mãos na cabeça e disse "Ai meu deus foi tudo tão horrível"

Eu "Mas o que é que se passou no teu sonho filho, conta-me por favor"

Eu suspirava tentando demonstrar um sinal de medo e de envolvência na história.

Duarte" Pai começou tudo a tremer"

Eu com um ar muito espantado argumentei "Como assim Duarte diz-me o que é se passou"

Duarte "Os prédios começaram a levantar-se do chão"

Por momentos pensei que estava a entrar num livro, mas estava apenas a entrar na cabeça do Duarte.

Eu "Mas quem é que levantou os prédios, Duarte diz-me"

Duarte " Foram bruxas pai. Elas com as mãos conseguiram levantar o prédio e move-lo para longe, destruíram tudo à  sua volta, foi horrível pai"

O Duarte com as mãos na cabeça andava de um lado para o outro, mexia nas coisas do escritório e voltava a colocá-las no lugar.

Duarte "Pai foi tudo tão horrível"

Duarte " As escavadoras começaram a levantar as pás a fazer mal aos prédios e às pessoas"

Duarte "Os carros de bombeiros começaram a levantara a escadas descontroladamente"

Duarte "Foi tudo destruído à volta do prédio"

Eu nesta altura já suspirava. Pedia-lhe para respirar fundo.

Eu " A história acabou bem ou mal, o que aconteceu aos cães que começaram o sonho"

Duarte " Os cães ladraram a pedir ajuda"

Eu " E acabou a história ou ainda tens mais a contar"

Duarte" Depois apareceram os polícias para tentar prender as bruxas, lançaram a rede mas não conseguiram e as bruxas venceram"

O Duarte enumerou um conjunto de personagens penso da história da branca de neve e dos sete que não tive capacidade de reter.

E assim acabou a narração diabólica que o Duarte fez do seu sonho.

Os dois sonhos que eu acabei de descrever retratam as realidade que vivemos. Muito trabalho que nós enquanto professores temos, por vezes não conseguimos dar à atenção que o Duarte merecia e socorremo-nos dos avós para darmos conta dos muito recados que temos que fazer. O Duarte por sua vês infelizmente vicia-se cada vez mais em histórias de super-heróis de bruxas e vive aquilo com uma intensidade tal que por vezes não distingue a realidade da ficção.

Apesar de ter tentado puxar por ele preocupou-me a forma entusiasmada e assustadora como ele descreveu tudo aquilo.

Fica o alerta para nós pais e educadores.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

"Pai como é que metem a água na garrafa?"

Hoje eu e o Duarte fomos passear de manhã a Travanca de Lagos.

No final do passeio sentámo-nos no muro da escola primária e o Duarte perguntou enquanto bebia água de uma pequena garrafa de plástico "pai como é que metem a água na garrafa".

A minha imaginação percorreu um conjunto de caminhos para encontrar uma explicação simples que uma criança de 4 anos acabados de fazer percebesse. 

Refleti um pouco e apercebi-me que só há pouco mais de uma década entendi porque é que a água brotava das nascentes dos rios. Na minha mente permaneceu durante muito tempo a ideia da minha avó Prazeres, muito religiosa, que dizia que a água brotava debaixo da terra devido a um milagre divino.

Bem continuando a minha exposição à pergunta do Duarte:

"Duarte a água vem das nuvens e quando chove a água cai no solo e vai para debaixo da terra"

"A água permanece debaixo da terra criando rios"

O Duarte não percebeu muito bem essa parte (rios de baixo da terra) e tive que lhe dizer explicar melhor: "imagina um copo gigante que está debaixo na terra que apanha a água que cai da chuva". "Lembra-te naquela água que está naquele copo gigante debaixo da terra, nunca há sol e a água fica lá muito tempo".

"Porque é que o sol não entra pai" perguntou o Duarte ao que eu respondi "Não entra porque como te disse a água do copo gigante está debaixo da terra e o sol não consegue lá chegar" Para não estar a introduzir a palavra infiltrar que dava azo a outro diálogo e mais perguntas avancei com a explicação.

 "Há duas maneiras que o Homem tem de tirar a água do copo gigante que está debaixo da terra" 

"Quais são as duas maneiras" perguntou o Duarte 

"Sabes Duarte a primeira maneira é furar a terra com uma broca gigante para chegar à água que está no copo gigante"

"Pai como é que conseguimos tirar a água do copo gigante?"

"Bem quem tira a água é um motor" "pai como é que o motor tira a água" Bem inverti a exposição e falei-lhe do aspirador. "Sabes Duarte imagina que o motor é um aspirador que aspira o lixo qua anda no chão da nossa  casa" "O motor aspira a água que está no copo e vai para as torneiras e daí para a garrafa de água".

Queres saber qual a segunda maneira. Ele estava confuso mas aceitou que eu continuasse a explicação. A segunda maneira foi mais difícil de explicar. Foi a minha dúvida que permaneceu na minha cabeça durante mais de duas décadas.




"A  segunda maneira acontece quando o copo gigante fica cheio e a água entorna e forma rios de baixo da terra. Os rios percorrem distâncias muito grandes debaixo da terra até que encontram um local mais fraco e conseguem aparecer à superfície dando origem às nascentes dos rios e ribeiros" 

Esta segunda ideia definitivamente o Duarte não percebeu bem ou talvez eu não tenha conseguido ter a capacidade de a explicar de um modo mais simples. Ficou a tentativa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Memórias da minha vida profissional

Ser professor com gosto é algo fantástico!  Eu dedico-me imenso àquilo que faço quando sinto que sou útil e contribuiu para o meu crescimento profissional. Sabe bem passado vários anos os alunos não terem vergonha de virem ter connosco e cumprimentarem-nos com respeito e admiração.

Lembro-me quando estive em Sabóia- Odemira (2009/10) a minha colega de História com uma simpatia e simplicidade singulares me disse "ser professor é duro mas quando as coisas correm bem é tão bom".  Apesar de já não me lembrar  do nome dela ainda recordo-me das suas feições e da paixão que ela tinha em ser professora. Tinha imenso respeito por ela e adorei trabalhar com ela.

A minha fase inicial de carreira foi muito difícil, definitivamente não estava preparado para desempenhar tais funções. 

Lembro-me de dois episódios positivos que aconteceram no início da minha carreira docente:

O primeiro aconteceu em Rio Maior (2010/11) após 2 anos a dar aulas a alunos do 3º ciclo e secundário que não ligavam nenhuma à minhas aulas. Nesse ano em Rio maior dei aulas à noite a turmas de adultos e  recordo-me que numa aula que me correu particularmente bem ter dito  aos formandos no final. "obrigado". Sabe bem quando estão atentamente a olhar para nós a ouvir-nos com gosto. Não estava habituado a isso e como nunca tinha tido essa sensação a expressão veio do coração e foi espontânea.

O segundo episódio aconteceu no início da segunda década do século XXI onde estive alguns meses desempregado e as aulas como professor de ténis mantiveram a minha cabeça ocupada. Foi uma experiência muito boa pois dessa forma senti que estava mais preparado para entrar no mercado de trabalho. Na altura Portugal vivia uma situação de crise económica e havia muito desemprego docente. Concorri a um colégio sem esperança de lá ficar pois nessa altura entrar num colégio só mesmo com contactos terceiros. Após a entrevista no regresso a casa lembro-me perfeitamente que parei em Coimbra para comer qualquer coisa quando me ligaram a dizer que tinha sido selecionado. Lembro-me que fiquei muito contente e recordo-me perfeitamente, quando após me terem dado a notícia inesperada eu ter dito prolongadamente obrigaaaadoooo.

Aquele mês que passei no Colégio Rainha Dona Leonor nas Caldas da Rainha no ano letivo 2011/12 foi muito duro, trabalhei muito e  ainda hoje me recordo do dia da apresentação e o principalmente do dia da despedida  onde a diretora, uma engenheira com formação na área da gestão me disse " já vai embora", "nota-se que gosta de ensinar". São expressões que nos enchem o ego e vamos buscar quando estamos menos bem.

A partir daí consegui contactos com colégio privados onde andei até final de 2012, e devido à má experiência acabei por deixar de vez o ensino durante um longo período de tempo.

Entre 2013 e 2017 estive sempre fora do ensino. 

Neste período distante das salas de aula tive várias profissões. Aprendi e conheci gente muito interessante em todas elas, no entanto houve uma que me marcou particularmente, técnico de campo no projeto piloto do cadastro predial de Oliveira do Hospital. Cresci imenso profissionalmente nesse período  entre 2014 e 2015.

Nesta altura os empregos que exercia eram precários:  estagiário na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, carteiro, comercial da Vodafone, ou guia turístico na freguesia da Bobadela.  Penso que não me esqueci de nenhuma função realizada. De todas as profissões descrita neste parágrafo a que mais gostei foi a de guia turístico, não me revendo a trabalhar em qualquer uma das outras.

O nascimento do meu filho em Janeiro de 2017 teve um peso fundamental no meu reerguer profissional e regresso de uma forma mais segura à vertente educativa.

Curiosamente no dia em que ele fez uma ano, a 29 de janeiro de 2018, fui-me apresentar na escola secundária do Fundão. O regresso ao ativo não foi fácil no entanto soube muito bem  no final aperceber-me que tinha conseguido ultrapassar o primeiro obstáculo onde foi muito importante a ajuda da Cecília 

Daí para a frente os obstáculos prosseguiram e nos dois ano letivos seguintes lecionei em duas escolas em simultâneo. Em 2018/19 (Manteigas e Pampilhosa da Serra) e 2019/20 (Pampilhosa da Serra e Tabuaço). A vontade de ir a casa  e poder ver o meu filho diariamente suplantou a dureza que as centenas de quilómetros ofereciam. No ano letivo 2019/20, especialmente duro. guardo a simpatia das escolas por onde passei e nunca me irei esquecer daquele mail que a escola de Tabuaço me enviou quando fui colocado em Grândola, agradecendo o meu trabalho e desejando-me sorte para o desafio que iria ter no ano letivo 2020/21. São gestos simples que eu dou um enorme valor.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Uma breve reflexão no final do primeiro período.

Chega ao fim mais um dia e quase mais uma semana de trabalho.

Observo que a interrupção letiva do natal se aproxima rapidamente. Sinto-me muito cansado e com muita vontade de abraçar o meu filho e a minha esposa e sentir o aconchego da minha família mais de perto. 

Na passada segunda feira, antes de me fazer à estrada para mais 3h e meia de caminho ficou-me no ouvido as breves palavras do meu filho Duarte:

"Pai não vás, está muita chuva, gosto muito de brincar contigo". Palavras que inevitavelmente nos tocam o coração.

A semana passou e inevitavelmente já não é possível transpor na integra o diálogo naquele final de tarde de segunda feira tive com o meu filho. As viagens são extremamente cansativas, no entanto não consigo abdicar delas. Elas são fundamentais para suavizar um pouco a dureza da  minha semana de trabalho.

Já passaram alguns meses e apesar da passagem do tempo, não consigo sentir o calor e a alegria de estar no meu local de trabalho. A impossibilidade de ver a cara das pessoas e de nos aproximar tornou ainda mais difícil difícil à adaptação e a uma escola profissional fria.

Hoje numa conversa com uma colega na sala de professores disse-lhe que sentia falta exigência e rigor no ensino nesta escola profissional. Aos alunos basta marcarem presença nas aulas ou mesmo que faltem há sempre uma justificação que cola e lhes permite continuar a faltar sempre que quiserem.

Nós professores somos sem dúvida quem trabalha mais na escola.

O que acho mais confrangedor é andarmos atrás dos alunos para eles fazerem as fichas para conseguirem concluir o módulo, quando eles nas aulas não quiseram saber e posso dizer mesmo andaram a gozar connosco. Sem dúvida isto é um ciclo vicioso que os alunos conhecem muito bem.

É interessante perceber que que a minha colega pensa exatamente o que escrevi no dia 14 de Novembro. Nós desaprendemos de ser professores

É gritante a falta de autonomia dos alunos e vontade de ter acesso ao conhecimento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O pedido do Duarte ao Pai Natal

 O pedido do pai natal este ano do Duarte foi um carro com guincho. Ficou registado em desenho.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Um passeio matinal natalício.

O isolamento profilático chegou ao fim. Para a Cecília está a ser mas difícil do que ela desejava o regresso às rotinas e futuramente ao trabalho.
O regresso do Duarte à casa dos pais depois de ter cumprido quase duas semanas de isolamento em casa dos avós foi misturado com a alegria do Natal e o retorno às brincadeira. O Duarte consegue distinguir perfeitamente os brinquedos da casa dos avós e da casa dele. Durante o isolamento dei aos meus pais alguns brinquedos cá de casa e o  Duarte disse aos avós que não queria, pois esses brinquedos eram para brincar na casa dele.

Este fim de semana depois de um progressivo regresso ao trabalho que aconteceu apenas na quinta e sexta feira tive um tempo para sair com o Duarte e saborear novamente o prazer das brincadeiras e conversas ao ar livre nas ruas de Oliveira do Hospital.

Este sábado de manhã esteve um sol radiante depois da tormenta que foi a sexta feira onde choveu muito na região centro e até nevou cerca de 1 hora em Oliveira do Hospital. Nota-se que a chuva e o  Inverno finalmente chegaram. Gosto do Inverno, de saborear os momento à lareira na companhia da família.

Neste sábado acordámos cedo, ainda antes das 9h. O passeio deste sábado com o Duarte foi um passeio natalício. A mãe antes de sairmos por volta das 10h30 disse-nos para irmos ver os presépios e passear junto ao Largo Ribeiro do Amaral.

Após ter parado para comprar pellets, o combustíveis para alimentar e tornar mais quentes as noites frias de Dezembro o Duarte insistia que queria ir ao parque do Mandanelho. Eu disse-lhe que hoje iriamos fazer uma volta diferente mas devido à insistência da criança estacionei o carro junto do parque do Mandanelho e fomos a pé até ao Largo Ribeiro do Amaral.

Nós evitamos ir para esta zona devido à presença dos baloiços que o Duarte adora e agora infelizmente não os pode frequentar. 

Quando chegámos ao Largo Ribeiro do Amaral olhei para biblioteca municipal e lembrei-me dos tempos em que o Duarte com apenas 2 e 3 anos acabados de fazer ia à biblioteca comigo. Eu deixava-o  circular e desfrutar do espaço lúdico para crianças. O jogo que ele mais gostava era o  Gombby onde ele numa espécie de puzzle em círculo com cores observava as várias fazes do dia através de uma  personagem que ele adorava. De vez em quando pegava em livros, folheava e contava histórias à sua  maneira com base aquilo que via nas imagens. Foi dos primeiros contactos que ele teve contacto com tantos livros ao mesmo tempo e adorou. Outras das brincadeiras que nós fazíamos era com almofadas em forma de cilindro, colocávamos uns em cima dos outros e contruíamos castelos, ou então usávamos as almofadas como se fossem rodas e empurrávamo-los para onde queríamos. Por vezes quando os avós  paternos lá iam ter, aproveitávamos uma grande almofada em a forma de um crocodilo  usada para nos sentarmos no chão, sentávamos lá o Duarte e eu ou meu pai puxávamos. Ele adorava ser transportado sentado em cima da almofada, principalmente quando algum de nós puxava com mais velocidade.

Hoje decidi ir de novo à biblioteca para lhe mostrar os enfeites de Natal e reviver velhos tempos.
Quando entrámos ele dirigiu-se imediatamente para a árvore de Natal e teve um breve diálogo com a senhora da receção que passo a descrever:
Duarte: "A árvore de Natal tem presentes de verdade"
A senhora com um ar de desilusão após ver o ar expressivo da criança e disse-lhe: "não são apenas caixas sem nada lá dentro"
Senhora: "Como te chamas?"
Duarte: "Duarte Sousa"
Senhora: "Que idade tens"
Duarte" Vou fazer quatro anos em Janeiro"
Senhora" Porque viste à biblioteca"
Duarte "Venho cá ver histórias de natal"
Senhora " Toma estes livros de natal, podes ver aqui se quiseres"
O Duarte agradeceu os livros pegou neles e levou-os para a ludoteca 

Quando chegámos à ludoteca eu ainda lhe tentei ler umas histórias mas definitivamente não era altura para isso. O Duarte observou um cenário de madeira contruído para o  natal e foi-se imediatamente sentar no trono do pai natal. Após uns breves instantes contornou o cenário natalício e dirigiu-se para os bastidores, o local onde se preparam as festas de natal. Antes de irmos embora sentou-se num trenó e tocou num bonecos de natal e umas bengalas que estavam junto a um vidro. Nesta idades a curiosidade fá-los ter necessidade de tocar  e mexer nas coisas. O pai por vezes tem que chamar a atenção.

Antes de sairmos da Biblioteca perguntámos se o presépio do Largo Ribeiro do Amaral já estava pronto ao que a senhora disse que sim. Descemos uns metros e quando estávamos a chegar junto do presépio vimos que a porta lateral da igreja matriz estava aberta. O Duarte perguntou-me "podemos entrar pai". Eu respondi-lhe que teria que perguntar primeiro. 

Dirigimo-nos para a Igreja Matriz e após nos darem autorização entrámos.

Foi muito curiosa aquela visita à Igreja, pois entrámos no preciso momento em que estavam a fazer o presépio de natal.
A curiosidade do Duarte é imensa e o à vontade que ele tem para questionar e meter conversa com quem não conhece é surpreendente.

Quando chegámos junto ao presépio  que se encontrava na parte central da igreja no chão por baixo da mesa onde o padre celebra as missa. Eu relembrei-lhe as imagens do presépio que estavam ali representadas José, Maria e os  reis magos. O diálogo que se seguiu entre o nós e as pessoas que lá estavam a trabalhavam foi o seguinte:

Duarte: "Este presépio não tem tantas figuras como o do meu avós"
Eu: "Neste presépio as figuras são maiores que as dos avós e por isso estas são menos. O presépio dos avós tem músicos, lavadeiras, animais...."
Senhora" Mas olha que este presépio também tem animais, procura-os"
O Duarte e eu olhámos lá por trás de José e Maria e de facto lá estavam escondidos o burro e a vaca.
Após uns breves momentos apareceu o padre António que lhe fez mais perguntas 
Padre António " Sabes porque é que o menino jesus ainda não está nas palhinhas deitado"
O Duarte não respondeu
Padre António: " A Maria está grávida e o menino jesus só irá nascer no dia 25 de Dezembro"
Duarte: " Quem o vai ajudar a nascer"
O Senhor Padre com um sorriso no rosto pela pergunta inesperada da criança disse-lhe a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
Padre António "o José dará uma ajuda quando o menino jesus nascer"
O Padre António perguntou-lhe onde estava o Burro e a Vaca, o José e a Maria ao que o Duarte apontou para as figuras de uma forma certeira,
Passado uns minutos o Duarte disse "Pai olha uma borboleta" 
Eu não  discerni de imediato onde ele tinha visto uma borboleta.
Duarte: Ele apontou "pai ali" por cima do presépio.
Após breves minutos eu conclui que ele se estava a referir a um anjo que estava na mesa do padre por cima do presépio. 
Eu respondi-lhe que aquilo não era uma borboleta, mas sim um anjo. Achei deliciosa esta observação.
Felizmente não me perguntou o que era um anjo pois teria novamente de puxar pela imaginação para lhe dar uma resposta.



Após este breve diálogo despedimo-nos das senhoras e dos senhor padre e  fomos ver o presépio do Largo Ribeiro do Amaral que tinha quase todas as figuras do presépio da igreja à exceção  do menino jesus que naquele presépio já tinha nascido. 

Neste passeio matinal ainda fomos ao parque do mandanelho e depois fomos para casa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O resultado do teste

 O Duarte dorme.

O resultados dos testes finalmente chegaram e os nossos receios infelizmente confirmaram-se. Na Cecília o vírus foi detetável e no meu caso não foi detetável. 

O Duarte foi fazer o teste esta manhã às 11h. Acordou perto das 10horas e quando o acordámos e suavizamos ao máximo o momento. Dissemos-lhe que ia fazer o teste para confirmar que ele já era crescido e perceber a sua enorme valentia. Ele foi todo contente e na curta viagem fez inúmeras perguntas que eu tentei dentro do possível responder. A sua curiosidade é imensa.

Quando chegámos ao laboratório observámos uma fila com cerca de 7 pessoas, perguntámos quem era o último da fila e um dos presentes questiono-nos como se chamava a criança que ia fazer teste, eu respondi e o senhor respondeu simpaticamente que podia passar à frente pois já o tinham chamado. Nós avançámos na fila e esperámos pela nossa vez. Esperámos uns breves minutos e nesses minutos o Duarte observou o Laboratório e disse bom dia à senhora que o estava a atender com um sorriso no rosto escondido pela máscara. O Duarte usa a máscara com uma  naturalidade invulgar. 

O Duarte foi desde o início incentivado para a necessidade de usar máscara pelo pais e aceitou com grande naturalidade. No passado dia 14 de Novembro tive de fazer umas compras rápidas e levei-o comigo. Ele ficou radiante pois vê muita gente e muita variedade de produtos. A primeira coisa que ele pede é para o colocar dentro do carro. Eu como estava com pressa e eram poucas compras tentei agilizar ao máximo as compras e ir direto ao essencial. As perguntas eram imensas e admito que não conseguia dar resposta a todas. Lembro-me que fiquei uns minutos no pão e o Duarte perguntou-me se era bom dia ou boa tarde, eu disse que era bom dia e ele disse bom dia a um senhor que estava a comprar pão e este sorriu ao perceber à alegria da criança e retorquiu a saudação.

Nesta fase o uso de máscara mesmo para uma criança de 3 anos é algo para nós obrigatório em recintos públicos fechados. No laboratório quando entrámos na sala a senhora pediu-me para se sentar com ele na marquesa e eu disse-lhe para ele abraçar o Juba o seu ursinho inseparável. A senhora perguntou-lhe quantos anos tinha e ele disse que ia fazer 4, curioso não disse que tinha 3.

Sobre o teste posso dizer que o teste  inicial na boca fê-lo sem dificuldade, o mais difícil foi o teste realizado nas narinas onde ele fez uma cara muito feia e as lágrimas insistiram em sair pontualmente da sua cara, mas ele resistiu e rapidamente as breves lágrimas se transformar num olhar de vitória por ter conseguido ultrapassar o teste. Afinal a sua mãe tinha-lhe dito que tinha uma surpresa quando chegasse a casa.

Ele quando chegou a casa falou da experiência à mãe e esta deu-lhe mais umas compras em miniatura que uma colega da sua escola lhe tinha dado. Ele ficou muito contente e radiante com mais aquele presente.

A Cecília continua no quarto com febre, vómitos, dores de cabeça, com falta de apetite e força.

Há poucos minutos tivemos uma sensação assustadora. Não encontro outro adjetivo para descrever o que sentimos quando vimos o senhor agente da GNR tocar à campainha para nos dar as declarações do isolamento profilático e observar os vizinhos com um ara assustado.

O importante é que a Cecília recupere. Irei dar o meu melhor.    

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Momentos de expectativa

Não está  fácil olhar os dias e conseguir vencer as dúvidas que surgem. Os sintomas da malditas pandemia apareceram este fim de semana e puseram-nos todos em sobressalto.

Admito que as dúvidas e os medos me fizeram espalhar logo a notícia pelo o núcleo central da familiar mesmo antes de saber o resultado. Aliás neste momento em que escrevo ainda não sabemos o resultado do teste à covid 19 realizado por mim e pela Cecília.  Estamos os três na expectativa e em isolamento profilático. 

A Cecília foi quem suscitou as dúvidas iniciais. 

Na sexta feira quando cheguei a casa a Cecília já  se encontrava deitada no sofá. A febre foi o primeiro sinal de alerta logo na sexta feira. Ela decidiu tomar um beneruon e foi descansar na esperança de no sábado de manhã estar melhor. 

Acontece que no sábado de manhã apesar de a febre ter baixado, o cansaço e as dores no corpo avolumaram-se assim como a capacidade de  conseguir fazer tarefas em casa.

Decidimos no sábado logo após o almoço ligar para a Doutora Marta Garcia, que sempre muito prestável retribuiu a chamada e disse que dados os sintomas teria de ligar imediatamente para a linha da saúde 24.

A linha saúde 24 disse-lhe para marcar a data do teste que seria apenas na segunda feira.

O Domingo decorreu com a tranquilidade possível.

As principais preocupações da Cecília foram com o Duarte que apenas com os seus três aninhos já tem tantas vivências.

Não será fácil para uma criança voltar a estar circunscrito às quatro paredes do nosso apartamento. Agora ao contrário do que aconteceu na primeira vez a Cecília não pode ajudar. Os dois Homens da casa é que têm que ajudar à recuperação da mãe.

As brincadeiras de hoje:

Com as compras em miniatura do Lidl fizemos compras e vendas. Eu perguntei o que haveria para comprar o Duarte descrevia os produtos que tinha e eu pedia à medida que me lembrava do que precisava para o nosso almoço.

Lembro-me quando lhe pedi as pernas de frango me disse "pai tem cuidado os ossos não são para comer, os osso são para o cão" ou quando me tentou vender a melancia teve o cuidado de me dizer para tirar a casca verde.

No final da brincadeira das compras eu disse-lhe "filho eu não tenho dinheiro" ao que o Duarte respondeu " pai não há problema  não é preciso pagar".

Já passado uns minutos e terminadas as compras tivemos a ver as cartas dos animais do Pingo doce e as cartas sobre o ambiente do Lidl. Nas cartas dos animais ele apontou para um montinho e disse "pai estes animais são muito maus" Abriu a boca e num gesto feroz com a carta do crocodilo na mão rosnou dando a entender a sua malvadez. Após os crocodilos falou na sua paixão pelos dinossauros onde disse os nomes terminados em "rex" com uma clareza de quem já tinha tido aquelas brincadeiras com a mãe possivelmente. Após os dinossauros passámos às cartas do ambiente que ao Duarte lhe libertam menos a sua curiosidade. A primeira carta do Lidl que ele pegou foi a referente ao excesso de  plásticos no planeta. Infelizmente já não consigo exprimir a expressão que ele usou sobre o perigo para o planeta da ingestão de plásticos mas foi muito gira.

E assim se passam os dias em momentos de expectativa de  saber o que nos espera.

sábado, 14 de novembro de 2020

Vivências da minha manhã de sábado

 As minhas manhãs de sábado com o Duarte são maravilhosas.

Após uma semana muito dura sentir à sexta feira o Duarte a vir a correr para mim e dar-me um abraço tão sincero de felicidade apaga tudo o que de mau me possa ter acontecido.

A família é sem dúvida o que eu mais sinto falta durante a semana.

Recordo-me que no final do mês de Outubro o Duarte cantou a música do dia das bruxas que aprendeu na escola e a minha comoção foi notória. Lembro-me que as lágrimas me caíram de forma imediata quando no preciso momento em que  estava a colocar o auricular ele disse "não tenhas medo". O medo é algo que nós aprendemos a vencer. Reconheço que os obstáculos têm sido imensos e por vezes sinto a falta de apoio para os poder ultrapassar.

O Duarte é sem dúvida muito importante para eu enfrentar a segunda feira com mais força.

Ao Sábado de manhã, vamos sempre dar um passeio que semana após semana começa a ser muito repetitivo mas sabe tão bem.

Este fim de semana fomos fazer a parte rotineira do Sábado de manhã que foi atestar ambos os automóveis de modo a estarem preparados na segunda feira para mais uma semana de muita estrada.

Após ter atestado o carro da mãe Cecília, fomos atestar o carro do pai. Ele quando entrou no carro do paI viu lá uma lancheira com o mickey que a mãe lhe tinha comprado numa loja chinesa. Posso considerar que foi amor à primeira vista, ele adorou a lancheira e não mais a largou. 

Quando nos dirigimos para as bombas de combustível o Duarte estava tão feliz com a sua lancheira nova. Eu fui pôr gasóleo no carro e acabei por colocar também adblue um substância que se põe no motor para evitar que seja tão poluente. Bem, acontece que me demorei mais do que o normal e quando cheguei ao carro ele estava a chorar desalmadamente, eu não me tinha apercebido disso quando estava no exterior e perguntei o que se passava quando entrei no carro. Ele disse-me que e a lancheira tinha caído ao chão, como não conseguia ir buscá-la e uma vez que eu não o tinha  ouvido sentiu-se sozinho e chorou. Aqueles cinco minutos que eu demorei foram uma eternidade para o Duarte.


Passada essa tormenta lá fomos ao parque do Mandanelho para darmos uma volta na bicicleta sem pedais dada pelo padrinho Diogo. O que ele gosta da bicicleta! Mal eu a coloquei o chão e lhe dei liberdade para andar a felicidade ficou imediatamente estampada no seu rosto. Descemos para a parte mais a norte do parque.


Fazendo um parênteses na história de sábado não posso deixar de referir a sua  intuição de olhar para um mapa e perguntar onde é que nós moramos. Admito que em parte foi induzido pelos pais ao gosto pela interpretação dos mapas, no entanto devido à sua grande curiosidade tem sempre vontade de conhecer um pouco mais.

Continuando a história do dia. Chegámos à parte mais verde do parque e fomos diretos a uma zona que ele intitulou de quartel. Inventamos lá uma história onde subimos uma espécie de escada e descemos varão para dar a entender que ele está subir e descer para uma missão dos bombeiros. Após descer o varão ele pergunta "pai onde é o fogo", eu indico-lhe um local ele vai fingir que apaga e volta para as escada e varão para repetir a façanha. 

A fase seguinte do passeio é ir ao lago dos patos onde ele os observa a tomar banho, ou a descansar nas margens do lago. Por vezes os patos estão na margem do lago e vociferaram sons e eu digo-lhe que eles lhes estão a dizer "bem vindo à nossa casa" e o Duarte acaba por trocar umas breve palavras com eles.

Quando já vínhamos para casa deparámo-nos com um pássaro de grande porte que circulava livremente no parque . Eu tive uma conversa com o Duarte que passo a citar:

 Disse ao Duarte baixinho 

"Olha não podemos falar muito alto que ele tem medo de nós, deve ter fome e anda à procura de comida"

 Eu o Duarte seguimo-lo para ver onde é que ele ia e o Duarte perguntou-me como se chama este pássaro tão grande" e eu disse-lhe que não tinha a certeza mas pensava ser um pavão". 

Após mais uns passos para ver para onde ia o pavão, o Duarte pegou numa bolota e eu perguntei-lhe " vais dar a bolota ao pavão" e ele respondeu" não pai quem come bolotas é o esquilo o pavão não gosta". 

Passada esta conversa entre pai e filho lá decidimos ir para casa pois já passava do meio dia e a manhã de sábado estava passada.

sábado, 24 de outubro de 2020

A lagarta das couves

Certo dia de Outubro o Duarte foi à horta com a avó Paula e o avô Pedro e tiveram um diálogo muito giro desenhado de forma magnifica pela a avó. Passo a citar:





Após dois dias de chuva tudo cresceu na horta. Então, fomos os três até lá.
-Avó, nem vais acreditar? Olha como cresceram os nabos!
Chegámos perto das couves. As lagartas tinham comido as couves , só deixaram os talos. A minha intenção foi matá-las, mas o meu neto ao vê-las disse:
- Avó , as lagartas são tão fofinhas, tão lindas, tao queridas! Não vais matá-las.
Chegou ,então o avô para salvar a situação:
Vamos apanhá-las e pô-las ali no mato , que têm muita erva fresquinha.
-Está bem avô!

sábado, 17 de outubro de 2020

A música do Outono- Escola do Duarte

O Duarte hoje surpreender-nos com a música do Outono. Cantou a letra toda e eu não pude deixar de escreve-la para mais tarde recordar:

"Loucas. loucas andam as folhinhas;

Ficaram castanhas e amarelinhas; 

Voam Voam como os passarinhos; 

Depois lentamente dão-se ao abandono;

Ficam lá no chão chegou o Outono."


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Uma conversa ao jantar

Há refeições que temos mais paciência para saborear as conversas do Duarte. Infelizmente daqui para frente o tempo vai ser escasso e a paciência para tratear umas frase também, por isso vou aproveitar hoje.

A refeição começou com a habitual birra para comer a sopa. O espernear, gritar, pôr a mão na boca a dizer que não quer comer a sopa. Bem as birras vão ser rotinas habituais no futuro sempre que a sopa for um menos saborosa ou não tiver "canjicas".

Eu imbuído nos meus pensamentos e na dura batalha que me espera para a semana não estava a ligar à conversa fluida que o Duarte  estava a ter com a mãe. Quando ele  já comia um peixe cozido com batata doce cor de laranja com um sorriso e satisfação de fazer inveja a muita gente liguei-me definidamente ao discurso de ambos.

A conversa derivou para escola e foi aí que eu fiquei curioso espero conseguir narrar com o mesmo entusiasmo que o Duarte o fez.

A mãe perguntou "tu fazes chichi na sanita" ao que ele respondeu "mãe eu faço de pé, as meninas é que fazem sentadas"..."mãe eu não me sento senão caia lá dentro". A prontidão da resposta do Duarte deixou-me perplexo.

A mãe após uns sorrisos perguntou "são quantos os teus colegas", ao que o Duarte  respondeu "são muitos mãe" e enumerou os números de 1 a 9 sem se enganar em nenhum.

Começámos por lhe perguntar o nome dos colegas da escola ao que ele de forma natural deu um enfâse maior aos rapazes e disse o "Gonçalo Salito, o Tim (Martim), O Duarte Tomás, o Leo (Leonardo) e o Lourenço". Depois de enumerar o nome dos colegas a mãe começou a contar o nome dos colegas através dos 5 dedos da mão ao que o Duarte de forma curiosa disse "o dedo mais pequeno é o do Tim" por ele ser o mais pequeno de todos. A mãe ainda disse  que se calhar o dedo mendinho devia ser para o Leo ao que ele contrapôs "não não é para o Tim". 

Depois de ter falados dos  rapazes perguntámos então e as meninas como é que se chamam. É muito giro perceber que ele rapidamente adaptou a linguagem ao aumento do número de colegas que passaram de 7 para 24. No ano passado só tinha uma colega Matilde, mas como este ano são duas ele disse prontamente uma é Matilde Lopes e a outra é Matilde Costas. Concluiu a enumeração das meninas com a Ritinha, a Alice e a Leonor.

O Duarte sempre teve um poder de observação muito apurado. Lembro-me que quando lhe mostramos fotografia de familiares que viu muito poucas vezes, ele após lhe mostrarmos fotografias  tem uma destreza de os reconhecer e enumerar com uma certeza cativante. 

É muito interessante perceber a rapidez com que ele se apercebe das coisas que fazemos ou dizemos e imita tudo. Conta para o bem e para o mal. 

A conversa terminou com duas fotografias que a Educadora Sofia me enviou. O Duarte explicou cada uma das fotos e descreveu  as brincadeiras que tinha tido na pré-escola. Falou das antas e dos arcos que brincavam no recreio exterior, dos jogos dos animais e dos muitos jogos que haviam nas caixas amarelas e vermelhas.


sábado, 12 de setembro de 2020

Dormir

Dormir é maravilhoso.

Na passada quinta feira quando fazia mais uma viagem de Grândola para Oliveira do Hospital ouvi um podcast onde abordaram as várias variantes do conceito de segurança. Segurança é uma palavra com significados que eu desconhecia na sua plenitude, como ter uma refeição, um salário, não ter dívidas, ter saúde e um sentimento de  segurança quando se circula na rua.

O ato de descansar bem está intrinsecamente ligado ao sentimento de segurança abordado no parágrafo anterior.

O Duarte nunca foi muito de dormir.

No dia 15 de Outubro de 2017, o dia dos grandes incêndios na região centro fomos de manhã ao pediátrico de Coimbra com o Duarte que na altura ainda não tinha 9 meses. Recordo-me que quando voltámos já perto da hora de almoço já se avistavam ao longe várias nuvens de fumo.Foi curioso pois o Duarte tinha passado várias noites a dormir muito mal e nessa noite muito difícil para as gentes da beira e particularmente de Oliveira do Hospital, dormiu muito bem.

A escola até aos três anos e 6 meses anos foi um espaço onde o Duarte não dormiu aquilo que na nossa opinião seria o desejável. Nas lembranças mais recentes relativas ao ano letivo 2019-20 lembro-me o que a educadora me disse "o Duarte dorme muito pouco, e por vezes temos de o tirar de lá pois está a incomodar". Após menos de uma hora a descansar colocavam-no a brincar com os mais velhos da pré-escola.

Já nos foi proposto para o Duarte deixar de dormir a sesta, no entanto consideramos que ele descansar por pouco que seja  será  bom para ele.

O Duarte durante o dia é muito estimulado quer pelas educadoras, pais e avós paternos. À medida que o Duarte foi crescendo e as estratégias para o adormecer foram-se tornando cada vez mais complexas,  difíceis e resultavam cada vez menos. Nós nunca tivemos o dom de lhe saber contar histórias para o adormecer e recorremos ao método mais fácil que foi mostra-lhe a Heide, o Gombby ou a menina dos cabelos ruivos no telemóvel. Na fase inicial (verão de 2018) apenas precisava de um episódio para adormecer, no entanto à medida que foi crescendo as dificuldades foram maiores pois um episódio não bastava para que ele dormisse. No final de 2019 lembro-me que após lhe mostrar um episódio de uma série ele se sentava sempre na cama e dizia "pai não quero dormir". Foram duras batalhas que nós enquanto pais e professores tínhamos de ter para conseguir preparar as aulas, fazer as lides de casa e dormir uma horas para nos fazermos à estrada ao outro dia.

Como já foi noticiado por mim neste blogue em Março e Abril, o período de confinamento foi duro para o Duarte e para  nós enquanto pais. O Duarte  perdeu de um dia para o outro o contacto físico com os avós e ficou cingido aos poucos metros quadrados do apartamento. O adormecer foi cada vez mais difícil, e ganhou uma afinidade cada vez maior à mãe.  

Nesta férias recordámos a sua alegria perante todos aquelas novidades. Notámos que ele absorveu todos os aqueles momentos com uma intensidade que eu não esperava. Não foi pois de estranhar que após o almoço fosse muito fácil de adormecer e dormisse horas a fio. Sentia-se feliz e seguro na companhia dos pais.

A visita aos avós maternos no Luso foram sempre para o Duarte locais em que ele sentiu uma tranquilidade, um sossego e segurança que não sentia em mais nenhum outro lugar. No fundo o Luso foi para o Duarte um espaço que ele sempre fez grandes sestas.

A insegurança da nossa profissão dos pais e a personalidade do Duarte podem explicar os sonos curtos após a hora da sesta.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Memórias de Tabuaço

O ano letivo 2019-20 foi muito difícil para mim. 

Com a colocação em Tabuaço consegui obter o horário completo anual que era aquilo que mais desejada, no entanto foi extremamente doloroso dar aulas em duas escolas (Pampilhosa da Serra e Tabuaço) tão distantes e morar geograficamente no meio destas duas localidades.

Sinceramente no início pensei que não iria conseguir, disse-o a muito pouca gente. As mensagens da família e o excelente acolhimento que recebi em Tabuaço fizeram-me acreditar que seria possível.

À medida que o nervosismo foi desvanecendo fui conhecendo melhor a localidade e as suas gentes. A procura de um quarto que servisse as minhas necessidades e me permitisse descansar uma noite em Tabuaço não foi fácil. 

Acabei por ficar  numa casa no sopé da vila, onde coabitei com o senhorio dono da casa. 

Aquele espaço onde pernoitava apenas uma noite por semana, a madrugada de terça feira foi muito importante para a minha integração. Não me esqueço daquela casa de banho com três sanitas e três chuveiros uns ao lado dos outros à semelhança do que acontece nos balneários. A expressão que o meu senhorio utilizou aquando da apresentação da casa foi surpreendente. "professor esta é uma casa a arder".

Logo na primeira noite que lá dormi percebi logo o intuito da expressão "Professor isto é uma casa a arder". Uma família grande e um grande número de amigos tornavam aquelas noites jantares em família ou somente de amigos. Nunca cheguei a perceber quem eram as pessoas, mas também não fiz por isso eu apenas as ouvia do quarto. Naquele período fez-me tão bem sentir a presença de pessoas, fez-me sentir menos sozinho.

A segunda feira era um dia particularmente complicado, pois tinha muitas aulas e concentradas essencialmente da parte da tarde. Eram dias que eu chegava a casa no sopé da vila de Tabuaço com a minha cabeça completamente destroçada. Cheguei a ir várias vezes ao Meu Super sem ter necessidade de lá ir apenas para desanuviar. 

Segunda feira jantava cedo, pois na maior parte dos casos era só aquecer e comer. Após o jantar apesar de por vezes as temperaturas estarem muito baixas nunca abdiquei de ir tomar café ao " Arcada" que ficava a escassos 300 metros de minha casa. Lembro-me da forma acolhedora como sempre fui recebido, de terem uma salamandra dentro do café, onde muitas vezes a filha brincava enquanto a mãe trabalhava. Vi e conversei com outros clientes do café que trabalhavam nas obras, ou na agricultura e se reuniam ali para conversar, beber cerveja ou um copo de vinho.

Após umas semanas percebi a importância daqueles dias para recuperar energia para dedicar mais tempo ao meu filho. Para o Duarte à semelhança do que está a acontecer agora eu nunca deixei de dormir em casa apenas chegava tarde e saia cedo.

Hoje em  Grândola, um pouco mais distante que Tabuaço de Oliveira do Hospital, o Duarte perguntou "o pai não vem", ao que a mãe retorqui "a escola é muito longe e demora muito a cá chegar" e ele concluiu "mas mãe eu estou preocupado" . Não sei quando ele vai perceber que eu não vou dormir a casa mas para já sabe bem ao Duarte ouvir a mãe ao outro dia de manhã dizer "O pai esteve cá mas chegou tarde e teve que sair muito cedo, ele deu-te um beijinho, deixou-te uns papeis para tu pintares e saiu".

Formas encontradas por nós para contornar a ausência.


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Férias 2020

O mês de Agosto está quase a chegar ao fim, assim como as férias. Souberam tão bem estes dias descontraídos longe do rebuliço dos manuais e das leituras para a preparação das aulas. Viver um dia de cada vez e saborear o que de melhor esta altura do ano tem para nos oferecer. 

Após um ano letivo atípico, considerámos estas férias um prémio merecido para o  Duarte que em consequência do confinamento viu-se cingido aos poucos metros quadrados do apartamento, longe dos avós e de um local ao ar livre onde pudesse brincar.

Nas férias de verão a praia nunca pode faltar. Este ano tivemos muita sorte com o tempo, pois apanhámos ótimos dias de praia. Este ano pela primeira vez o Duarte percebeu a satisfação de passar uns dias em família longe da rotina de Oliveira do Hospital. Na praia o Duarte não gostou de molhar-se todo na água fria das praias da região centro, no entanto adorou fazer castelos e outras construções na areia, correr à beira mar e delirar com a água fria com a espuma das ondas a bater-lhe nos pés.



No início do mês de Agosto o Duarte adorou ir à casa dos avós paternos regar a horta enquanto estes estavam de férias. Esta era uma rotina que o Duarte já adorava fazer nas constantes visitas aos avós antes e depois do confinamento. Ele adora o contacto com a natureza e por ser o único neto e mais novo membro da família é o centro de todas as atenções.

Este ano notámos que o Duarte ao contrário dos anos anteriores já se apercebe de tudo o que se passa à sua volta.  Como pais ficamos muito felizes embora por vezes nos custe perceber que em consequência da nossa vida profissional não conseguimos acompanhar como queríamos o seu crescimento. Após uma breve visita aos avós paternos (praia) foram constantes as perguntas do Duarte "mãe quando é que voltamos à casa da praia". Ele adorou  as rotinas da casa da praia , brincar ao ar livre, o contacto com a água salgada do mar deram-lhe uma cor e uma alegria no olhar que nos deixaram enternecidos.





As deslocações ao Luso para passar uma semana já são tradição no final do mês de Agosto. Durante e após o confinamento o Duarte perguntou constantemente aos pais "quando vamos ao Luso ver os avós". Ele gosta daquele rebuliço e liberdade na casa dos avós do Luso. Os mergulhos na piscina, as idas à horta, dar de comer às galinhas e coelhos. Os avós adoram vê-lo correr para cima e para baixo ao sabor do som dos animais e do rádio que avô colocou no quintal para afugentar os pássaros. Uma infância ao ar livre em meios pequenos com tradições rurais que o Duarte teve a sorte de observar e experimentar na sua infância muito feliz.

sábado, 22 de agosto de 2020

Grândola 2020-21

Olho para a frente, o caminho é sinuoso. Sinto que hoje já conheço melhor o percurso a seguir embora esteja longe de saber o que farei para o resto da minha vida.  Hoje sei que faço aquilo que gosto, não sei se amanhã isso continuará a acontecer, no entanto sei que o que faço hoje me trará ferramentas para o futuro. 

No desempenho da minha profissão de professor gosto de conhecer o meio e as pessoas com quem trabalho. Ser professor hoje é uma tarefa complicada, pois ao contrário do passado, não podemos apenas debitar conteúdos, é necessário adequar os conteúdos aos alunos que temos à nossa frente de modo a cativá-los para os conteúdos lecionados e prepara-los para enfrentar o futuro enquanto cidadãos 

No final do ano letivo decidi mudar o rumo do meu concurso e alargar o leque de escolas para conseguir um horário completo anual. A dificuldade de conseguir um horário completo anual, e o cansaço dos constantes horários incompletos e temporários, para quem está no último terço da tabela e quer progredir obrigou-me a arriscar e concorrer para o Sul do Tejo. Foi uma decisão consciente embora me tenha custado muito por saber que iria deixar a família a centenas de quilómetros de distância.

O dia 14 de Agosto foi sem dúvida um dia fértil em emoções, pois soube que Grândola seria o local onde iria exercer a minha profissão no próximo ano letivo. Fiquei contente pois consegui um horário completo anual na contratação inicial que era o que pretendia, no entanto pensei nas inúmeras dificuldades que iria ter a minha esposa na gestão da casa sozinha, com a mesma profissão colocada a 1 hora e meias de casa, com um filho de três anos

Quando estamos mais longe sentimos a importância de ter amigos à distância de um telefonema e felizmente posso dizer que tenho alguns. No dia 14 de Agosto estávamos de férias e soube tão bem ter recebido a visita  da minha irmã e do meu cunhado, pois pudemos compartilhar com eles os nossos receios e medos. 

O Duarte vai ser sem dúvida aquele que vai sentir mais a falta do pai mas aos poucos já começa a estar habituado. Há uns dias no meio de umas brincadeiras disse-lhes que iria dentro de umas semanas recomeçar o trabalho na escola e não iria estar presente durante a semana, só viria ao fim de semana.  O Duarte perguntou de imediato "porquê pai". Eu disse-lhe que tenho de ganhar o tostão para te comprar brinquedos ao qual ele de forma imediata  disse "pai eu tenho aqui brinquedos não preciso de mais". O segundo argumento apresentado foi que lhe queria comprar uma bicicleta nova, pois a que ele tem já é demasiado pequena, ao que ele disse com naturalidade "pai eu tenho uma bike não preciso de mais nenhuma", depois e por fim disse-lhe que era para comprar comida e ele não resistiu e foi a correr para o colo da mãe com os olhos humedecidos e com vontade do conforto de um abraço. Estava longe de imaginar a reação do Duarte que já percebe e expressa muito bem aquilo que sente.

Neste ano letivo sentimos o conforto de saber que os avós estão por perto e vão ser um pilar essencial para que o Duarte continue a crescer feliz. A escolinha onde ele se encontra muito bem integrado  dá-nos um enorme conforto para desempenharmos de forma tranquila a nossa profissão. 

terça-feira, 7 de abril de 2020

O Giz roxo



Acedi ao convite de Mónica Menezes, formadora de escrita criativa, onde esta propôs  aos interessados que escrevessem um breve texto de 30 a 50 palavras onde não estivesse presente  a letra "U":


Cito as breves linhas:

"Valorizei o gesto mas não dei grande importância ao giz roxo oferecido pela Elisabete na primeira visita do herdeiro da família à  Escola. Tive a sensibilidade de o recolher com carinho e o acomodar na minha casa. Hoje são  amigos inseparáveis nas visitas ao exterior neste período de isolamento."








sábado, 4 de abril de 2020

A magia da linguagem na idade dos porquês.


Neste período de quarentena temos ouvido com particular atenção o Duarte, tanto porque ele não se cala como porque ele de dia para dia evolui e expressa-se de uma forma mais fluente.

Já há algum tempo que digo que tenho de fazer a evolução da linguagem no Duarte mas arranjo sempre qualquer coisa para fazer e essa tarefa tem sido continuamente adiada.

Vou enunciar lembranças dispersas pois não tenho um fio condutor claro na minha cabeça.

Vou começar com o enorme gosto do Duarte por comida: O Duarte foi habituado aos ovos caseiros da avó materna, avó Cidália ou como ele diz a avó “Lái”. Desde muito novo para ele não estar sempre a pedir ovos dizíamos que o carteiro naquele dia não tinha trazido um ovo ou que as pititas da avó “Lai” não tinham mandado ovos. A partir daí as perguntas do Duarte foram “ O Carteiro não trouxe ovo” ou “as pititas da avó lai não mandaram ovo”. O Duarte é um grande comilão e agora em que ele está em casa dias a fio perde a noção dos horários e quando não está a brincar está a perguntar à “mãe o comer já está pronto”.

O Duarte tal como a maior parte das crianças a partir do momento que consegue fazer algo de novo usa e abusa dessa nova conquista na sua evolução como criança. Aconteceu isso no andar, onde passou do gatinhar ao correr sem passar pelo andar. É arrepiante ver a velocidade daquelas pernas pequenitas a correrem e o ar de felicidade  estampado no rosto daquela criança. Neste período de quarentena nos seus passeios curtos à volta do prédio quantas vezes o pai ou a mãe se vêem-se obrigados a correr a sério, pois quando ele sai porta fora corre tanto que não é nada fácil agarrá-lo, a mãe que o diga.

As perguntas do Duarte no período de quarentena: O Duarte não percebe bem o que se passa e faz inúmeras perguntas. Mais no início quando acordava perguntava “amanhã a avó Paulita (avó paterna) não me vem buscar para irmos à escola” uma rotina frequente neste ano letivo que foi abruptamente interrompida, sem que ele percebesse porquê. A forma de nós contornarmos a situação é dizer-lhe que a escola está muito suja e as professoras Fátima e Lurdes estão a limpá-la. Outra questão que ele faz é “porque é que as pessoas têm um papel na boca” e nós tentamos explicar-lhe dizendo que é para evitar que um bicho entre no corpo delas.

Uma saída no 2º dia de quarentena: A mãe teve duas reuniões em videoconferência e o Duarte foi com o pai dar uma volta de carro. Pensei em lugares onde houvesse o menor número de pessoas possível e desci até ao rio alva pois lembrei-me que o Duarte adora ver o rio. Fui ver o rio e subi a encosta em direção a São Romão. À medida que ia subindo apercebi-me que ele estava a adormecer e eu não queria isso e decidi parar o carro a meio da encosta e comentei com ele a paisagem. Disse-lhe que lá ao fundo no cimo da encosta fica a casa da Heide e um pouco mais a baixo junto à igreja fica a casa da avó e mãe do Pedro, tudo tal como na história real. Lá consegui que ele espevitasse e subi em direção a um fontanário parei e disse-lhe que era ali que as cabras da Hide bebiam água após virem dos prados. O Duarte pôs a mão na água que saía da fonte e disse que estava fria e eu realcei que nas montanhas da Heide faz muito frio e por isso a água é tão fria. Nestas idades é maravilhosa a capacidade que as crianças têm de absorver tudo aquilo que vêm e ouvem. Continuámos viagem e um pouco mais em frente parámos junto a uma ex escola da mãe. Nós já lhe tínhamos dito que a escola atual da mãe fica junto às montanhas, apesar de não ser esta(São Romão) fez-se a ligação com a história da Heide para tudo fazer sentido. Realcei o facto de a escola estar fechada e de as professoras estarem todas lá dentro a limpar a escola.  Após a passagem pela escola da mãe o Duarte pediu-me para ir ver o campo de ténis e assim o fiz levei-o a ver tanto ao campos de ténis como ao de futebol.A viagem prossegui com a ideia de ainda irmos à ponte de madeira da história da Heidei. O Duarte não se esqueceu e salientou por diversas vezes no regresso a Oliveira do Hospital que tínhamos ainda que ir à ponte de madeira. Lembrei-me de ir ao parque do Mandanelho,  já em Oliveira do Hospital para ele ver uma ponte de madeira mas com o adiantado da hora e a fome a apertar acabou por se esquecer e fomos diretos a casa.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

A História do moliço

Os momentos para adormecer o Duarte depois de almoço  são cada vez mais difíceis. A adaptação de uma criança de 3 anos à quarentena tem sido boa mas devido à quantidade de horas que ele passa dentro de casa é difícil que ele gaste energia como dantes. Nós pais temos a sorte de estar ambos em casa e engendramos tudo para o manter ativo sem ecrãs, mas por vezes com a quantidade de tarefas que temos para fazer não lhe conseguimos dar a atenção desejada e recorremos ao telemóvel para o manter quieto e entretido. Ambos sabemos que não é a estratégia mais correta, e observamos que ele por ser mais estimulado é mais difícil de acalmar para adormecer tanto na hora da sesta como de noite.

Antes nós passávamos-lhe um episódio da Heide ou do Bombeiro Sam e ele acalmava e acabava por adormecer, agora apercebo-me que é necessário mais estratégias e por vezes é preciso  zangar-mo-nos com ele para sossegar e adormecer. Hoje não parava de trautear as músicas daqueles vídeos estúpidos que ele viu no telemóvel.
Ele quando adormece com o pai pergunta sempre pela mãe mas a partir de ontem a pergunta recorrente foi se a mãe estava numa reunião em vez das normais: está a trabalhar no computador ou a arrumar a cozinha.

Após uns breves minutos a pensar como o podia aclamar inventei a história do moliço a partir daquilo que tinha visto da minha visita ao museu do mar em Ílhavo e de algumas pesquisas na Internet.

História do moliço  

Indiquei-lhe que  os moliceiros são barcos que apanham o moliço. O moliço é apanhado na ria de Aveiro e serve para fertilizar os solos ou como eu lhe disse para tornar as terras mais felizes. Para fixar a atenção dele perguntei-lhe se um barco andava no mar ou na terra, e ele após uns breves instantes lá me disse que  andava sobre a água. Aos pouco foi conseguindo que ele deixasse de trautear a música estranha dos vídeos.

Duarte há pessoas que trabalham na apanha do moliço, chamam-se moliceiros. Essas pessoas residentes em Aveiro estavam dependentes da chuva do Inverno para que houvesse muito moliço para que este tornasse as terras muito felizes. A abundâncias de alimentos hortícolas e frutícolas era frequente e por isso as pessoas perderam o hábito de poupar e comiam em abundância o ano todo. 

Num certo ano, consequência de um Inverno muito seco o moliço foi escasso, e as terras estavam pouco férteis ou tristes dando origem a uma forme generalizada.  A população habituada à abundância ressentiu-se ,pois não se precaveu para uma eventualidade dessas. Com o passar do tempo as pessoas com mais recursos foram percebendo as dificuldades dos mais desfavorecidos ou mais expostos à fome ofereceram um pouco do que tinham para que aquelas pessoas pudessem ter um verão mais acolhedor e com menos dificuldades.

A solidariedade e a necessidade de poupar de pensar mais a longo prazo foi algo pensado e implementado com mais frequência a partir daquele verão quente, que não lhes deu os alimentos a que estavam acostumados.



Com esta história inventada pela minha imaginação conseguir acalmar o Duarte. O que achei mais giro foi ele após entrar na história ter colocado todos os bonecos sentados a ouvir a história.