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sábado, 5 de junho de 2021

O Nosso Henrique - Autora do texto Lucinda Maria

Após ver a foto do Henrique na sua página do facebook da professora Lucinda Maria, imediatamente me cativou ler o texto. O Henrique era conhecido por todos em Oliveira do Hospital, mas infelizmente não teve a sorte de nascer numa família que o fizesse crescer  como merecia.  Ler o o texto trouxe-me súbitas saudades do Henrique.

Passo a citar:

" Era assim o Henrique, eterno menino de fala cantante… franzino…olhar vivo. Nascido no seio de uma família humilde e marcada pelo álcool, que ia sobrevivendo com algumas dificuldades financeiras. Lembro bem a casa rasteirinha onde viviam, lá para os lados da fonte do Rebolo. Vários rapazes e uma irmã, a mais nova. 

O Henrique não foi à escola… Tinha algumas dificuldades cognitivas, assim como outro dos irmãos, precisamente o que viveu com ele até ao fim. Penso que os outros ainda são todos vivos… casaram e têm a sua vida normal.



Ele calcorreava as ruas da nossa terra… e ajudava uns e outros… fazia vários trabalhos. Sempre prestativo… sempre simpático… sempre humilde. Uma altura, ajudou numa peixaria. Com uma caixa de peixe à cabeça, apregoava:

- Peixe fêco! Peixe fêco!

E a sua voz fazia-se ouvir como uma canção infantil…ingénua e genuína, como ele próprio. Havia quem pretendesse “gozar” à custa dele. Penso que esses intentos não eram bem sucedidos. A sua perspicácia segredava-lhe sempre uma resposta pronta que desarmava os “espertinhos”. Podia contar muitos episódios que atestam bem esta sua característica. Vou contar apenas um.

Recordo-me do Henrique. Lembro-me de na década de 90 o ver a vender cautelas nas ruas de Oliveira do Hospital. Via-o como uma pessoa pobre com uma deficiência mas humilde e sempre pronto a ajudar.

Vou citar um texto que Lucinda Maria, professora aposentada do 1ºciclo, mora no concelho de Oliveira do Hospital. A professora Lucinda dignou.se a escrever um texto sobre o Henrique que me ajudou a conhece-lo e provocou em mim subitas saudades do Henrique.  

Passo a citar o texto de Lucinda Maria

"Certa manhã, saía o Henrique da casa comercial Júlio dos Santos, todo contente e sempre de ar afável. À porta, cruzou-se com um senhor engenheiro cá da cidade, pessoa bem conceituada, que entrava no mesmo estabelecimento. Ao vê-lo, o nosso amigo estendeu a mão para cumprimentá-lo. Ele correspondeu, mas resolveu dizer:

- Estou cheio de sorte! 

Meio admirado, o Henrique perguntou:

- Então poquê, senhole engenheilo?

- Porque ainda é cedo e é a primeira mão de porco que aperto hoje!

Prontamente, sem pensar duas vezes, ajeitando o seu boné de pala quase a tapar-lhe os olhitos vivos, o nosso Henrique respondeu:

- Então, eu ainda estou com mais sote, poque já é a segunda!

Perante isto, o que dizer? O que pensar? Como terá ficado o senhor engenheiro? Desconcertado, certamente. 

Era assim o eterno menino. A mim, chamava-me “senhola pofessola” e, muitas vezes, tentou vender-me cautelas, com aquela sua lógica de que “Há horas felizes!”. É verdade, mas, infelizmente, não gosto de jogo. Penso que nunca lhe comprei nenhuma, mas também nunca fui sarcástica com ele… sempre o estimei… como merecia, de resto.

Um dia, partiu… sem que déssemos por isso… sem ele próprio dar por isso. A sua voz cantante deixou de ecoar nas ruas da nossa terra. Ou será que não? No fundo, ele ainda está aqui. 

Lucinda Maria"

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital em risco de fechar

Fala-se muito dos corte que têm sido feitos nas áreas da educação e saúde e observa-se uma relação evidente associada à contenção de custos tendo notórios reflexos na qualidade demonstrada. Na educação fecham-se escolas, não se renovam ou extinguem-se contratos. 

Com o passar dos tempos, o ensino obrigatório até ao 12º ano,  houve um consequente aumento da  facilidade de atingir o grau de licenciado,  assim como de ofertas  de escolas que leccionam cursos superiores.

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital ,propiciou um conjunto de oportunidade que para um localidade do interior do país seriam muito penalizadoras caso fossem retiradas. Em números aproximados a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital tem 400 alunos, dando portanto um forte impulso no aluguer de casas, à restauração e ao comércio local, sendo valores muito importantes para uma localidade que tem sofrido uma forte desertificação.

No entanto é necessário ter em conta  a necessidade de estabelecer uma relação mais forte entre o ESTGOH e o mercado de trabalho existente no concelho de Oliveira do Hospital, tendo neste caso a autarquia um papel fundamental. Desta forma seria estabelecida uma prova forte das potencialidades da ESTGOH para Oliveira do Hospital.

Foi portanto com tristeza saída no Diário de Notícias do dia 29 de Agosto. Vamos acreditar que ela não irá passar à prática para o bem do concelho de Oliveira do Hospital.