Em consequência de umas dúvidas ao conferir os meus recibos de vencimentos, onde observei discrepâncias entre os valores que pagava e aqueles que supunha pagar.Após uma breve consulta apercebi-me dos cortes que ocorreram na segurança social e no IRS.É preciso no entanto ter em conta que estes valores se referem a um professor que usufrua de horário completo.A primeira tabela refere-se aos vencimentos de 2009 enquanto que a segunda a 2010. Receio que isto seja o inicio de uma escalada de cortes nos vencimentos que eu não sei onde vai parar. Por enquanto não houve alteração dos valores da ADSE assim como das suas principais regalias.Aguardemos atentamente o futuro.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Cinza
Não pude ver o fundamental da audição na comissão parlamentar de educação aos incumbentes do Ministério da Educação mas o que vi foi, digamos, fracote. Perguntas de deputados que pouco ou nada sabem de educação ou de outros que levavam perguntas porventura demasiado específicas, mas pronto...
Ao ver Nuno Crato, a estrela da companhia deste governo, não posso deixar de sentir calafrios. É que, embora louvando-lhe o discurso contra o pedagogismo e a não valorização do saber, não dá para iludir que o homem faz parte de uma comissão liquidatária e pensa o que pensa. Basta ver o que vai acontecer aos contratados no ano lectivo em preparação (atabalhaoada, como há muito não se via). Acusem-me de defender o meu feudo, o meu tacho mas não há ninguém que possa dispensar expectativas legítimas e uma afeição ao seu trabalho. E se é necessário cortar com a despesa corrente (vulgo pessoal), deixo uma sugestão: extinga-se Religião e Moral ou ponha-se a Igreja a pagar os salários dos seus professores. Se se reduziu horas a várias disciplinas ao longo dos tempos sem diminuir a correspondente componente lectiva dos professores e se se extinguiu a Área de Projecto e o Estudo Acompanhado, porquê poupar esta disciplina confessional em Estado laico?
Plúmbeas nuvens pairam sobre nós.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Até Setembro!!!!
Observo com apreço que o blogue é cada vez mais lido, coexistindo em consequência de uma crescente colaboração, o aumento e qualidade dos textos apresentados o que se encontrou relacionado com o crescimento do número de leitores e dos comentários realizados.
Vou aproveitar o mês de Agosto para reorganizar as ideias e descansar de um extenuante ano lectivo, recarregando baterias para outro que se avizinha árduo.
Em consequência da necessidade da abstracção dos computadores e da internet, pretendendo dedicar-me mais ao papel e ao conforto de umas leituras despreocupadas, informo que o mês de Agosto irá no que a mim diz respeito, ser menos intenso no que concerne à publicação de posts.
Voltarei em Setembro mais vigoroso para o melhoramento do blogue, assim como da qualidade dos testemunhos apresentados.
O trajecto Ourique - Sabóia
Na transição entre a peneplanície alentejana e a costa vicentina há um conjunto sinuoso de estradas que escondem um Portugal por vezes esquecido. Para sinalizar a passagem por um lugar, considero que tão ou mais importante que as paisagens são placas(1) que demonstram a passagem do tempo e a localização geográfica.
1-As placas que sinalizam a distância ao locais, localizadas em São Martinho das Amoreiras.
A insuficiência de horários conduziu a uma necessidade de o completar, dando aulas numa localidade que dá pelo nome Sabóia, onde leccionei apenas seis horas lectivas por semana. Percorri as sinuosas vias de acesso, calcorreando locais e especificidades que me irão ficar sempre na memória.
As cegonhas que construíam os ninhos ao longo das estradas junto aos locais onde haviam pontos de água, as galinhas, porcos pretos e gado bovino, habituados a circular sem restrições nos montes, caminhando por vezes junto à estrada. Lembranças que ao longo do tempo se iam tornando mais banais, no entanto nunca perderem a sua beleza e singularidade.(2)
2- Cegonhas e Gado bovino que pastoreiam extensivamente
Durante o mês de Outubro, em resultado de uma simulação realizada pelo GPS percorri um caminho alternativo onde o alcatrão aparecia espontaneamente. Tenho a perfeita noção da dureza daquele troço de poucos quilómetros que pareciam uma eternidade. (ver imagem 3 percurso verde). A primeira viagem coincidiu com uma tenebrosa manhã de nevoeiro onde observei um coelho que insistiu em permanecer no meio da estrada ignorando por completo a presença de um veículo estranho por aquelas paragens. Vi-me na consequente necessidade de tornear por momentos a minha rota para não contrapor a rotina matinal de um corpo, onde afinal, eu é que era estranho.
Após as primeiras semanas observei a existência de um caminho mais longo, mas sem dúvida mais confortável e rápido (ver mapa percurso a vermelho).(3)
3- O trajecto Ourique- Sabóia
Durante o percurso os povoados apareciam espaçadamente, sendo necessário calcorrear vários quilómetros para observar pessoas, ou usufruir de rede de telemóvel.
A beleza do percurso dependia da disposição que me acolhera no momento, no entanto, haviam sempre coisas novas que se observavam a cada passagem, tais como o transbordar dos ribeiros durante o Inveno, a diversidade de castanhos do Outono, o florir da Primavera e o amarelecer do Verão Todas estas vicissitudes tornavam cada viagem diferente.
A beleza do percurso dependia da disposição que me acolhera no momento, no entanto, haviam sempre coisas novas que se observavam a cada passagem, tais como o transbordar dos ribeiros durante o Inveno, a diversidade de castanhos do Outono, o florir da Primavera e o amarelecer do Verão Todas estas vicissitudes tornavam cada viagem diferente.
No percurso de Ourique para Sabóia as particularidades de cada local foram crescendo à medida que fui tendo um maior conhecimento dos dispersos povoados:
Saindo de Ourique a chegada a São Martinho das Amoreiras, simbolizava o primeiro contacto com um Alentejo, abandonado, menos conhecido, onde a ligação com Portimão os aproxima da cidade mais próxima, que em muitos casos se contrapõe a Beja, sede de distrito que dista a cerca de hora e meia, percorrida em estradas que por vezes não apresentam as melhores condições.(1)
A partir de São Martinho das Amoreiras a instabilidade do relevo propícia uma maior sinuosidade havendo um constante “subir e descer” que termina na povoação de Luzianes, localidade que nasceu e se expandiu devido à linha de caminho de ferro que foi construída em 1884 entre Amoreiras Gare e Sabóia.(4)
Passando Luzianes o caminho piora, as obras avolumam-se na ténue esperança de conter as vertentes abruptas que insistem em contrariar a vontade humana, impedindo a normal circulação automóvel.
Após cerca de 10kms chegamos a Santa Clara à Velha, uma aldeia que cresceu em torno do rio mira .Na década de 60 em pleno Estado Novo foi construída uma barragem com o intuito de controlar o caudal do rio que transbordava durante o Inverno, propiciando ainda a implementação de uma agricultura de regadio.(5)
Após Santa Clara à Velha prosseguimos cerca de 5 kms, chegamos finalmente a Sabóia. A viagem tem a duração de cerca de 50minutos, percorrendo uma distância de 45kms. Vicissitudes do interior do país.(6).
6. Sabóia em 1940, um povoado que não dista muito da realidade. Fonte Quaresma, António; Terras do Médio Mira: Notas Históricas, Odemira, 2011.
4. Entrada de Luzianes
Passando Luzianes o caminho piora, as obras avolumam-se na ténue esperança de conter as vertentes abruptas que insistem em contrariar a vontade humana, impedindo a normal circulação automóvel.
Após cerca de 10kms chegamos a Santa Clara à Velha, uma aldeia que cresceu em torno do rio mira .Na década de 60 em pleno Estado Novo foi construída uma barragem com o intuito de controlar o caudal do rio que transbordava durante o Inverno, propiciando ainda a implementação de uma agricultura de regadio.(5)
5- Cheias do rio mira (anos 60)- Fonte Quaresma, António; Terras do Médio Mira: Notas Históricas, Odemira, 2011
Após Santa Clara à Velha prosseguimos cerca de 5 kms, chegamos finalmente a Sabóia. A viagem tem a duração de cerca de 50minutos, percorrendo uma distância de 45kms. Vicissitudes do interior do país.(6).
6. Sabóia em 1940, um povoado que não dista muito da realidade. Fonte Quaresma, António; Terras do Médio Mira: Notas Históricas, Odemira, 2011.
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domingo, 31 de julho de 2011
Recomendo
Perdoem-me novamente a pretensão de recomendar leituras mas esta vem mesmo a calhar. Por razões que, de tão óbvias, dispensam grandes aprofundamentos. E, claro, o gabarito deste grande historiador falecido em 2010 abre as portas a muitos cépticos, exceptuando aos que pugnam por um mundo baseado na indecência do darwinismo social e do survival of the fitest.
Recordações de Ourique
Admito a minha nostalgia! Por mais duro que tenha sido o degrau a ultrapassar, há sempre marcas e lembranças que nos ficam. Tive pena de apesar de me ter lembrado vastas vezes, nunca me ter dado para tirar foto à placa com a indicação “Albufeira 75km”. Pode parecer estúpido ou ilógico lembrar-me de um pormenor que para o comum dos mortais não teria qualquer importância. As mais vulgares lembranças seriam as possíveis fotos das actividades realizadas pela escola ou das jantaradas celebradas em períodos pontuais utilizados para comemorar uma data ou festividade específica. Recordo-me do ano lectivo e consequentemente dos bons momentos passados, no entanto dou mais relevâncias ao contacto com as gentes locais, a percepção das suas especificidades. A placa “Albufeira 75Km” observada mal cheguei a Ourique teve o simbolismo de me lembrar da distância ao Algarve, mas também perceber a distância de casa.
De Ourique recordo o Alentejo, os costumes e afabilidade das gentes que me souberam receber.
Com tristeza observei o esquecimento da História de uma outrora marcante localidade, que em consequência da sua localização geográfica foi um marco importante da independência do país. A localização do castelo sobreviveu às diabruras do tempo, sendo as suas muralhas substituídas por uma estrutura em cimento, que serve um miradouro fantástico onde se observa o confluir da peneplanície alentejana com a serra de Monchique a sul e a serra do Cercal a sudoeste. Um local aprazível para ajudar a passar os tempos mortos e recarregar baterias.
Durante a minha estadia no Alentejo procurei conhecer a cultura local. Visitei Castro Verde,Santiago do Cacém, Mértola entre outras localidades. Pude compartilhar a presença de um património histórico muito rico onde a presença árabe se cruzou com a romana. É pena que infelizmente haja um desmazelo, não sendo o património devidamente sinalizado e preservado.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Le tour de France
No passado fim de semana terminou a maior montra do ciclismo Mundial, “Tour de France”. Ao longo da minha juventude fui aliciado através do meu pai a observar esta corrida, debruçando-me sobre a televisão apesar de não poder compartilhar a presença de um português a lutar pela vitória. É fascinante observar aquelas paisagens sempre verdejantes, aquelas aldeias pitorescas perfeitamente integradas nas paisagens magnificas que envolvem a singularidade de cada uma das etapas. O esforço físico e a luta sentida em cada um dos atleta, dignifica um desporto que percorrido ao segundo, tornam a beleza das altas montanhas numa perspectiva tenebrosa e árdua.
Mesmo apesar de já há longos anos não ver portugueses a discutir os primeiros lugares da volta a França, a última vez foi José Azevedo em 2002, foi bom para o ego, ver um português discutir e ganhar uma etapa da tão afamada prova. Aconteceu com Rui Costa na oitava etapa, que juntou o seu nome a Acácio da Silva, Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Sérgio Paulino.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
A Educação em Portugal e na Finlândia
Em tempo de férias a classe docente aguarda diariamente o desfecho de algumas decisões que poderão ser tomadas para o próximo ano lectivo. Após 3 anos no ensino apercebo-me com tristeza do excesso de burocracia que existe no exercício da profissão, que nos retira tempo e discernimento mental para o exercício das nossas funções. Na minha opinião quantidade não significa qualidade e o ensino em Portugal no futuro tem de se pautar mais pelo rigor, valorizando mais o conhecimento, reduzindo o facilitismo dando mais poder e reconhecimento aos professores. A autonomia e "privatização" das escolas públicas, a redução da importância do concurso nacional de professores, dando o poder às escolas e autarquias de seleccionar o seu corpo docente é o caminho que o novo governo pretende seguir. Há o risco dos jogos de interesses e da falta de transparência como acontece hoje na nomeação de cargos para determinados sectores públicos.
Deixo aqui uma crónica que saiu no público ontem sobre o modelo Educativo na Finlândia. Nenhum modelo é perfeito, no entanto compreendo que é importante analisar outras propostas caso queiramos verdadeiramente melhorar a Educação em Portugal.
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sábado, 23 de julho de 2011
À Rasca – Retrato De Uma Geração
Antes de abordar o livro que intitula este post, deixo um texto de Mia Couto sobre a designada Geração à Rasca.
A minha paixão por saber e conhecer melhor o século XX, perceber as mutações que se geram diaramente no nosso Mundo leva-me a ter curiosidade de ler o livro "À rasca o retrato de uma geração". A curiosidade advém do conhecimento das qualidades literárias da autora, uma oliveirense (Oliveira do Hospital) que se licenciou em 2010, em Ciências da Comunicação, vertente jornalismo, pela Universidade Nova de Lisboa.Citando o correio da Beira Serra "O mérito da jovem escritora de Oliveira do Hospital já, anteriormente, foi alvo de distinção por parte da Universidade que a licenciou. Ana Pinto foi considerada a melhor aluna do seu curso e, o bom resultado, valeu-lhe a conquista da Bolsa de Mérito e Excelência.
Fica aqui o mote para um livro que promete dar que falar.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
A importância de perceber a evolução dos tempos
Como já foi algumas vezes referido neste blogue, a geração mais nova apercebendo-se da facilidade de aceder ao saber através da internet, tem progressivamente vindo a desvalorizar o que é transmitido pela escola ou através dos livros. A "ditadura do digital", referida pelo Renato Nunes, é algo que deve ser aproveitado de um modo benéfico, no entanto o que se observa em muitas é que com mecanização dos processos inerentes à introdução da informática, perde-se um pouco a essência e o entusiasmo da descoberta por ser algo novo. O incentivo à critica e ao uso de ideias pensadas, discutidas e convenientemente formuladas é algo que deve ser tido em conta na escola, em casa e na sociedade em que estamos inseridos. | ||||||||
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Para sair da crise
Na pesquisa que eu realizei para procurar os conteúdos digitais do jornal Público, por engano fui calhar ao dia 8 de Abril de 2011 onde me deparei com esta crónica de Boaventura de Sousa Santos que apesar de ter 3 meses, época em que Portugal se preparava para pedir ajuda externa e o governo estava preste a cair. Apesar da distância temporal pode-se perfeitamente adaptar às contingências actuais.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Privatização da RTP
Apesar da grande quantidade de informação que nos é transmitida diariamente através da televisão, sendo hoje em dia generalizada a ideia da Tv por cabo, como algo que muitos portugueses já não dispensam, de acordo com várias teorias amplamente divulgadas: ”Os quatro canais não oferecem a diversidade desejada”.
Querendo transpor uma ideia de um post transcrito por Cristina Carvalho hoje no blogue De rerum natura “café às cores”, em muitos casos os portugueses são aliciados pelas cores, pelo exterior, o status social e qualidade de vida que emprega a posse de um infindável número de canais televisivos. Não quero com isto censurar, pretendo apenas alertar para um problema que está em vias de acontecer, a privatização da RTP.
No exercício da minha profissão de professor, vi-me privado dos designados canais por cabo que compartilhava na minha residência habitual, tendo a sorte de felizmente poder ter os dois canais públicos a RTP 1 e 2.
É com tristeza que eu antevejo o fim dos designados canais públicos, não só por acreditar que são uma mais valia e não um fardo como se faz querer, mas porque também nesta fase não existirão provavelmente muitos compradores e os preços serão necessariamente baixos. Na minha opinião estão a vender-se activos que nos poderão ser muito úteis no futuro.
A existência de canais públicos indica-nos a não emergência do lucro, elaborando-se por isso programas que não têm unicamente como objectivo as audiências, mas a qualidade e públicos mais restritos. É isso que acontece com a RTP2 onde é possível observar um programa de hora e meia sobre o cultura “Câmara Clara”, o “Sociedade Civil” que aborda a problemática da cidadania activa e por exemplo o noticiário sobre política externa “Olhar o Mundo”. Na RTP1 o muito afamado “Prós e contras” que promove o debate e a troca de ideias, ou seja faz serviço público durante várias horas.
Exceptuando o Prós e contras são tudo programas que têm poucas audiências, mas que são uma tremenda mais valia para quem tem apenas os designados 4 canais, assim como para o país pois dá-se uma palavra ao cidadão que de outra forma não aconteceria.
Com a privatização da RTP temo que todos estes programas se extingam e o direito à cidadania esteja desta forma cada vez mais restrito e limitado.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Temos governo
A leitura do post do Tiago inspirou-me não para um comentário mas para uma nova entrada.
Não há nada neste governo que me deixe descansado e o passar dos dias (que farão as semanas e os meses...) só confirma as razões da inquietação. Os problemas do país estão identifcados, não é um problema de desconhecimento e não há possibilidade, a menos que sejamos muito ingénuos, de as abordagens para uma hipotética (cada vez menos real) solução ou mitigação dos problemas, ser meramente técnica e não trazer consigo um projecto social. Entendamo-nos: o discurso científico não é monista e, como tal, o discurso sobre os assuntos da polis também o não pode ser. É epistemologia básica. Os media, na sua estupidez ou no seu discurso formatado, referem expressões como «os economistas defendem, afirmam...». Que economistas? Quem são, todos? A resposta, embora desnecessária, é óbvia: os economistas não pensam todos da mesma forma porque a economia enquanto ciência social é um discurso construído sobre uma certa parcela da realidade não é imutável nem neutra. E, mais do que uma ciência pura, desprovida de preconceitos, é uma economia política . Se o discurso da economia fosse unívoco e infalível estaríamos mais na base do dogma teológico e não do conhecimento humano. E como as decisões sobre o social implicam consequências, importa ver quais são as opções: são elas que denunciam ao que viemos e o que pretendemos.
E o que este governo quer é simples: operar uma tranformação radical, eliminando qualquer coisa que lhe possa cheirar a social democracia (não vou sequer perder tempo a explicar que o PSD não é social democrata mas sim um partido da chamada nova direita ou não estaria no grupo parlamentar do PPEuropeu em Bruxelas, só por exemplo) e que o seu discurso social não invalida nada do que aqui se diz, pelo contrário, vai no mesmo sentido.
A intervenção social que o PSD e o CDS defendem é o da caridadezinha, ou seja, remeter os direitos sociais (saúde, pensões, educação) para a esfera da esmola e da pretensa boa vontade dos endinheirados que através de fundações, vouchers, fundos e bolsas diversas premeiam os «bem-comportados» que sabem o seu lugar e se «esforçam». Supostamente, a demissão social do Estado pouparia dinheiro e traria mais resultados. Está aí o exemplo dos EUA para mostrar que não: na saúde, por exemplo, não só os gastos são exorbitantes com um sistema privado como deixam uma parcela imensa da população afastada de quaisquer cuidados de saúde. Ainda há pouco um artigo de Krugman no i abordava esta questão.
Quanto às preocupações com o interior despovoado, a produção nacional, e outras coisas absolutamente vitais mas tornadas «fofinhas» em discursos ocos de Cavaco, que se pode dizer? Cavaco, um dos iniciadores do desmantelamento das pescas e da agricultura num processo de integração dependente na CEE/UE tem de ter muita lata para agora cobrar isto num estilo, «eu bem avisei» e vir professoral e paternalmente dirigir-se ao seu séquito de rapazes mal-comportados, os tugas!
E sobre isto que pode um governo de fundamentalista do «laissez faire» fazer ou, melhor, «não fazer»? Como pode querer defender a economia nacional com as privatização dos últimos sectores estratégicos, entregando-os baratinhos ao capital estrangeiro (ah, o capital não tem pátria!) Velhas perguntas com velhas respostas!
Só o afã liberal deste governo é novidade. Tudo o resto é disco estragado: o discurso da responsabilidade, do interesse nacional, as promessas (quebradas a cada hora), a incoerência dos discursos com as práticas. É a continuação da degradação da democracia, do assalto ao Estado pelos grupos económicos e financeiros parasitários, agora talvez com mais rapidez e entusiasmo ministerial.
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sábado, 25 de junho de 2011
Desabafo compulsivo
Há um clima de expectativa sobre as medidas do governo que começam a esmorecer à medida que o novo executivo vai agindo e tomando decisões. Começou com os ministros que aparentam ter uma visão demasiado matemática da realidade, esquecendo muito daquilo que disseram no passado.
Como será que se promoverá o desenvolvimento do interior, com politicas que têm como objectivo os cifrões.
Expliquem-me como se desenvolvem regiões e atraem pessoas para o interior quando se fecham linhas de caminho de ferro escolas e hospitais. Induz-se com a necessidade de amenizar a dívida, muito bem.(...)
Com o discurso do Presidente da República do longínquo 10 de Junho relembro umas fotos que vi na passada quarta feira, onde vi um Alentejo cheio de gente e campos cultivados. Havia gente nova que trabalhava de sol a sol, no entanto gente pobre sem expectativas de vida, nem de um futuro melhor.
Há um retrocesso do discurso de Cavaco Silva fazendo lembrar velhos tempos. Será que em tempos que correm é possível voltar a cultivar o interior Alentejano de centeio, trigo e cevada.... O Futuro o dirá!!!
No entanto é preciso que pensemos na realidade e nas consequências da entrada na União Europeia, do controlo que temos das nossas colheitas, do pescado.
Mais do que nunca é preciso termos em conta a realidade de forma a que possamos planear devidamente o nosso futuro. Uma decisão difícil espera o novo governo, no entanto espero que as novas políticas não se virem excessivamente para a direita esquecendo os mais pobres e desfavorecidos.
Precisamos controlar os fundos aumentar a segurança,distribuir melhor os salários, diminuir os clientelismos e as burocracias na criação de empresas.(...)
Quais terão sido as razões que contribuíram para o fim do Ministério da Cultura, reduzindo-a a uma secretaria de Estado. Na minha opinião a valorização da cultura poderia ser um caminho que conduziria ao desenvolvimento do designado interior pelo nosso Presidente da República. Porque não valorizar o saber local, dar a conhecer às pessoas da cidade a beleza do campo, fazê-las perceber as suas valências e dificuldades. Todo este cenário poderia propiciar o desenvolvimento das linhas férreas e das vias de comunicação obrigando as pessoas a tornar ao interior vendo neste espaço um local aprazível que alberga coisas boas.
Vou ficar por aqui, aguardando que esta (des)conexão de ideias seja percebida. Bem afinal e vistas as coisas quem terá uma visão conexa da realidade, acho que nem os políticos, O Mundo é cada vez mais uma máquina volátil e desconhecida.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Hipnótico
O novo governo já mexe. As leituras em relação ao seu desempenho futuro estão evidentemente condicionadas pelos pontos de vista do observador porque as decisões tomadas reflectem opções decorrentes de uma certa forma de encarar o mundo. E a deste governo é inequivocamente neoliberal e anarcocapitalista. Não só pelo entusiasmo em relação à linha da chamada troika e FMI, aquilo que gosto de designar como FMI feliz, mas, sobretudo, pelos nomes escolhidos para incumbentes nos ministérios. Victor Gaspar é, como dizia uma jornalista do i, um falcão liberal. Hipnotizado por Friedman, sempre se entusiasmou com a rigidez monetarista que preside à arquitectura do Euro. Dito de outra forma, a política que pôs as economias numa camisa de forças é a mesma que supostamente nos vai tirar dela. Animador? A coisa só melhora: para a economia está mais um brilhante académico fundamentalista dos mercados que se propõe a liberalizar os despedimentos e a baixar em mais de 10% a Taxa Social Única, compensando com um aumento dos escalões intermédios do IVA. Quer isto dizer que para que os srs. empreendedores não paguem impostos, carrega-se o consumo que todos os cidadãos fazem. Virá aí um surto de iniciativa empreserial e de criação de emprego, certamente! (Ou uma quebra ainda mais acentuada no consumo...).
Na Saúde está um brilhante gestor (que fez um bom trabalho na máquina fiscal, é verdade) ligado aos grupos rentistas privados. Esteve nos seguros privados e agora vai para o Público. Só dá confiança, não é? (Há coisa de um ou dois anos uma representante do sector privado da saúde disse que negócio melhor que o da saúde só o das armas.)
Na Educação está um homem superiormente inteligente mas com uma visão mercantil do sector. Entendamo-nos: não me aflige a denúncia do facilitismo, do eduquês, do psicologismo e da Sociologia Educativa do Coitadinho do Aluno (vi esta expressão no blogue de Paulo Guinote, A Educação do Meu Umbigo), aflige-me a degradação notória da educação pública. Mas as propostas de Crato estão longe de me descansarem: aferição do desempenho de escolas e professores pelos resultados dos exames dos alunos (os rankings) com consequências ao nível do financiamento, o que abre (ou acentua) as portas a uma lógica concorrencial entre escolas públicas e destas com as privadas, eliminando a noção de serviço público. uma outra consequência possível desta linha é o financiamento público de um ensino para elites em meia dúzia de escolas; fim dos concursos de professores.
O tempo dirá se estamos perante uma mudança de paradigma social mas não faltam a este governo «jovens turcos» com gula de mercado e impecáveis credenciais de darwinismo social e encantamento pelo casino.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Coisas que valem a pena
Num tempo em que o denominador comum é o facilitismo, a fraude educacional e o estiolamentoo do valor do saber, é refrescante ver que ainda acontecem coisas destas. No caso, é uma escola privada (laica!). Poderia ser uma das públicas que, apesar dos condicionamentos estupidamente erigidos pelo ME, não desistem de ensinar e de transmitir o valor do conhecimento.
Nem optimismos bacocos e irrealistas nem catastrofismos.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Obsolência programada
Na sociedade actual o desejo pelo lucro e consumo sobrepõem-se na maior parte dos casos à valorização dos produtos optando-se quando algum aparelho electrónico obtém alguma avaria procedermos à imediata troca por um novo. Esse acto é consequentemente incitado pelo fabricante e vendedor que lhe favorece mais a venda do que a reparação. Por outro o tempo de vida dos produtos é muitas vezes limitado propositadamente através de chips que quando se atinge um determinado número de utilizações bloqueia o aparelho.
É um ciclo que favorece o mercado, desvalorizando os aparelhos electrónicos, acumulando-se resíduos que são prejudiciais para o meio ambiente.
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