sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desabafos "Austeros"

Vivemos situações complicadas, como se diz na gíria e em época de crise todos falam mas ninguém tem razão, ou pelo menos ninguém aparenta ter uma varinha de condão, que faça mudar a situação do défice ou do desemprego.
Apercebo-me com tristeza, a desconfiança e instabilidade que observo o meu futuro. Ao longo da minha curta vida de professor, que não conta ainda com dois ano de serviço, já calcorreei inúmeras estradas, fiz milhares de quilómetros e leccionei em 6 escolas. Não me atemoriza ou preocupa o desafio, de enfrentar contínuas integrações ou conhecer novas situações ou realidades. O que me intriga e entristece é observar a tendência de as coisas piorarem no futuro.
Seria motivador aperceber-me que as progressões na carreira ocorreriam por mérito de acordo com o tempo de serviço e com as prestações de provas. Na minha opinião o Processo Avaliativo devia  ser apenas obrigatório, sempre que pretendêssemos mudar de escalão ou índice, não devendo haver penalização no restante processo da carreira docente. Fora desse período de mudança de escalão, a escola poderia emitir uma avaliação simbólica, sem as burocracias subjacentes ao processo de Avaliação de Desempenho.
Com esta actual “obrigatoriedade” de pedir aulas assistidas, uma vez que ela é inserida no processo de graduação, sendo que aos candidatos que tiverem nota de Muito Bom e Excelente  é-lhes acrescidos 2 e 3 valores respectivamente. Considero que um ou dois valores a mais na média poderá ter um significado enorme, podendo resultar na perda de alguns lugares na lista de colocação a concurso, o que nos dias que correm pode ser a diferença entre ficar a 100km ou 400km de casa.
 A competitividade da sociedade actual começa a passar progressivamente para o Ensino, reflectindo-se em divisões guerrilhas internas para conseguir uma simples menção de Muito Bom ou Excelente.
Deixo aqui uma questão dos colegas que trabalham em escolas com alunos problemáticos com realidades sociais difíceis, serão avaliados da mesma forma que um colega que trabalhe numa escola modelo.
As realidades sociais são heterogéneos e multifacetadas, sendo preciso ter em conta todos estes factores, aquando do processo Avaliativo, pois só dessa forma se processará uma Avaliação Justa

sábado, 9 de outubro de 2010

A República é o que está a dar!

Múltiplas instituições públicas e privadas, com fins políticos, culturais, académicos ou simplesmente mercantis, ao longo deste ano de 2010, têm desenvolvido variadas iniciativas que visam evocar o centenário da República. Proliferam, por este país fora, comunicações e congressos, exposições e publicações de livros alusivos ao tema, representações de história viva, programas de rádio, séries de ficção televisiva e documentários, e até competições desportivas, festas, banquetes e bailes são abençoados com o nome da República.
Creio bem que tudo isto não é censurável. E será até aceitável e talvez recomendável. No entanto, no meio de tanto ruído eufórico e, porventura, de alguma encenação «barroca», receio bem que se perca de vista dois assuntos essenciais relacionados com o passado e o futuro da República.
Primeiro, o chamado período da propaganda republicana (anos 40 do século XIX até 1910) encontra-se, de facto, muito bem estudado por historiadores como Fernando Catroga e Amadeu Carvalho Homem, para citar apenas dois que pertencem à Universidade de Coimbra. Contudo, receio que, no meio deste fogo-fátuo e de tanta (e, em vários casos, duvidosa) publicação de títulos, continuem por fazer e editar obras de investigação historiográfica de grande fôlego e verdadeiramente inovadoras sobre o regime republicano balizado entre a revolução de 5 de Outubro de 1910 e o golpe militar de 28 de Maio de 1926. A prometida síntese monumental sobre o tema (em que, aliás, tive a honra de colaborar com os verbetes «Fátima» e «António Machado Santos») – o Dicionário de História da Primeira República e do Republicanismo — parece ainda estar a ser lavrada e tarda em ver a luz do dia. E julgo serem demasiados os temas e as questões nas áreas da história política, da história religiosa, mas também nos domínios da história da educação e da história económico-social a necessitarem de ser desbravados e mais bem esclarecidos a partir de uma sistemática inventariação e interpretação de novas e velhas fontes.
Daí decorre que alguns historiadores e, o que é lamentável, os opinantes profissionais mais mediáticos da nossa ágora se percam em exercícios de reflexão demasiado especulativa e desactualizada, que, em muitos casos, enfermam de preconceitos e juízos de valor político-ideológicos ou até de outras razões mais crípticas de carácter psicanalítico ou mercantil. Desconfio, por isso, que tais atitudes esvaziem a sempre problemática análise histórica da sua necessária objectividade e não contribuam para um melhor esclarecimento do assunto tratado. Pior: suponho mesmo que essas intervenções possam até semear a confusão nos espíritos de muitos cidadãos.  Por outro lado, importa ainda enfatizar que se perdeu também uma oportunidade irrepetível para criar um verdadeiro «Museu da República» (recordo que hoje apenas temos o Museu da Presidência da República, que é, afinal, um museu com desígnios diferentes): um espaço cívico, cultural, académico e didáctico, preparado para traçar, de forma pedagógica e historiográfica (portanto, não redutoramente apologética), os trajectos da(s) nossa(s) República(s) através do recurso às suas prolíficas fontes, onde, aliás, abunda uma fascinante documentação imagética.
Em segundo lugar, será que caminhamos para o fim da República democrática e social no preciso momento em que discutimos apaixonadamente — e esterilmente (e anacronicamente) — se a República procedente da revolução do 25 de Abril de 1974 é herdeira directa da Primeira República oriunda da revolução de 5 de Outubro de 1910? Ou se a Primeira República foi demoliberal ou ditatorial, tolerante ou intransigente, laica ou jacobina, socialista democrática ou burguesa e anti-sindicalista, comedida ou esbanjadora do erário público?
Certo é que, quando soçobrou a Monarquia Constitucional, sobretudo as massas urbanas devotaram-se ao messiânico ideário republicano; quando tombou a Primeira República, muitos foram os que acreditaram (ou foram coagidos a confiar) nos milagres do «fascismo português»; quando o Estado Novo naufragou, o povo fiou-se nas panaceias socialista democrática, social-democrata, comunista ou democrata-cristã. Mas hoje parece já nada restar dessas ideologias. Ou melhor, no meio deste aterrador vazio ideológico, resta-nos inculcar a ladainha inconsequente dos economistas neoliberais anafados e fartamente reformados, que pelo menos durante os últimos 30 anos dominaram as instituições estatais, empresariais e financeiras nacionais, e só agora, «no fim do jogo» é que «previram» o colapso financeiro do Estado (!). Resta-nos, portanto, aceitar brutais planos de austeridade que nos conduzem, inexoravelmente, à recessão, ao desemprego e à miséria. E, enquanto Portugal sucumbe paulatinamente, resta-nos bradar mais uma vez o velho slogan socialista soarista «A Europa Connosco» — esperando talvez que os inimputáveis Durão Barroso, Angela Merkel, Jean-Claude Trichet e Vítor Constâncio sejam por uma vez tocados pela delicodoce fraternidade europeia e, a bem do povo, extirpem os pecados veniais cometidos no país, nos últimos anos.
5 de Outubro de 2010
Luís Filipe Torgal


Texto publicado no Jornal Folha do Centro e no blogue de Paulo Guinote "A educação do meu umbigo"



domingo, 3 de outubro de 2010

De 2010 a 1910, passando por 1810!!!!

Nos dias que correm o centenário da República tem dominado as temáticas desenvolvidas pela imprensa nacional. O 5 de Outubro de 1910 promoveu a transição de regime político da Monarquia para República.
Não me vou imiscuir na passagem, entre este dois Regimes Políticos e as controversas opiniões decorrente do processo de transição, assim como as suas vantagens e desvantagens.
Durante o centenário da República, Portugal viveu períodos conturbados, desde o sem número de governos da fase inicial da sua implementação, até à ditadura vivida entre 1926 e 1974, culminando nas medidas de austeridade descritas recentemente pelo actual governo.
De acordo com a crónica de Octávio dos Santos, numa crónica  do jornal Público do dia 27 de Setembro, o Estado Português criou a uma Comissão Nacional para a Comemoração do Centenário da República com um orçamento de 10 milhões de euros.
De algum modo, percebe-se o ênfase dado às comemorações de uma data marcante, suscitando interpretações mais aprofundadas sobre um período para muitos, principalmente os mais jovens , totalmente desconhecido.
No entanto, considero intrigante observar os gastos supérfluos do nosso Estado, que apresenta a mania das grandezas, transparecendo ideologias políticas manipuladoras e demagógicas, preocupando-se excessivamente no ganho de preponderância.
Os jogos do empurra e as constantes ameaças de uma crise política, caso não se aprove o orçamento de Estado, intrigam-me pois estou no início da carreira profissional e não consigo confiar nos nossos governantes que mudam constantemente o seu discurso, de acordo com as conveniências temporais, ou seja as medidas tomadas antes e após o período eleitoral.
Lamento que a imprensa se cinja ao desenvolvimento de temática mediáticas que lhe concedem preponderância no que concerne à audiência, fazendo pouca referência ao bicentenário da batalha do Bussaco que se comemorou no passado dia 27 de Setembro. A Batalha do Bussaco pode-se considerar, uma das mais importantes vitórias das tropas aliadas(portugueses e ingleses), que culminou em 1811 com a retirada dos Franceses do território português.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Digestões laboriosas

Depois do banquete de austeridade organizado pelos nossos incumbentes e degustado pelos famintos comentadores, confesso-me de pança cheia, a precisar de algo para a azia.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Profecias

Há uma fenómeno que me intriga particularmente: o das profecias auto-realizadoras, ou seja, quando uma previsão se torna realidade por acção do «profeta».
Questiono-me se os problemas com a dívida pública portuguesa, agravados com os sucessivos aumentos de juros decretados pelos «naturalíssmos» mercados, não se poderão inscrever neste rol de profecias.
Quando (e se) Portugal entrar em incumprimento (o célebre «default» de que os loquazes de economês fluente tanto falam, mesmo os de língua portuguesa) tal não se deverá, precisamente, não a um descalabro provocado por uma evolução económica negativa catastrófica (que não temos), mas antes a uma canga acrescida pelos juros inflacionados por quem teme o dito... default?

A economia pouco ou nada tem de natural, de «deus ex machina». É uma construção social. Mas nada disto importa...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Coisas dos Tempos que Correm

Após uma inadmissível penumbra na minha participação neste projecto superiormente mantido pelo Tiago, eis que agora regresso à escrita. Com impressões dos dias, da espuma dos dias e das questões que mais nos afectam.
1) A União Europeia é uma sombra da sua retórica. Sarkozy não se deixa ficar atrás de um certo político italiano que o pudor me impede de recordar e, vai daí, expulsa estrangeiros, preferencialmente membros de uma comunidade específica: ciganos, é verdade. Dizendo isto, adianto desde já que não entro numa certa lamechice afectada de defesa intransigente dos ciganos. Como a muita gente, incomodam-me os hábitos marginais voluntários etnicamente «justificados», uma inaceitável violação de direitos dos membros da própria comunidade (casamentos forçados, endogamia imposta, impedimento de se ir à escola, etc.) e presunção de que podem estar algures apenas com as regras que ditam para si (e para os outros, por arrastamento, sempre que há contacto intercultural). Daí que as opções de tipo comunitarista sejam essencialmente erradas e potenciadoras da marginalização das próprias minorias, não fomentando uma efectiva integração multicultural sustentada na ideia imprescindível da universalidade de direitos. O que quer dizer que se um cigano cometer um crime deve ser punido pela lei geral e não por uma lei particular, o mesmo sucedendo a um não-cigano.
Dito isto, importa agora perceber que apesar de a Roménia ainda não estar plenamente integrada no espaço Schengen, esta expulsão selectiva colide com os princípios do projecto europeu e agride a memória colectiva, num continente que também foi de totalitarismos, de pogrons e do racismo como política de Estado. De genocídios e de fanatismos vários. Não são estes os valores que animaram os propósitos europeístas.
Quer o exposto dizer que os problemas reconhecidos às comunidades ciganas têm de ser solucionados sem estes impulsos populistas em que Sarkozy se notabilizou. Como? Sinceramente, não sei, mas não me agrada esta abordagem evocativa de práticas passadas. Até porque uma vez aberta a Caixa de Pandora...
2) O Requiem pelo neoliberalismo foi manifestamente precipitado. No início da crise financeira-económica-social os intelectuais, políticos e cidadãos de esquerda julgaram estar a reviver o início de uma nova fase (tal como após 1929) pautada por mais apertadas regulações económicas e financeiras, por um regresso necessário do social e do Estado, enfim, por uma ordem internacional economicamente domesticada. Dito de outra forma, pela domação da globalização e pelo ocaso do neoliberalismo. A esperança era, como é, justificada, nomeadamente pelos efeitos devastadores da crise, pelas fraudes imensas a coberto da mão-(in)visível e do mito da auto-regulação. Sobretudo, porque chegara Obama à presidência, bem mais keynesiano do que muitos sociais-democratas europeus e do que a monetarista União Europeia.
Quem duvida, hoje, que os tempos que vivemos mais do que um regresso ao paradigma social, reforçaram os mecanismos socialmente regressivos do neoliberalismo: controlo orçamental obsessivo; redução das prestações sociais quando elas são mais necssárias, multiplicação de fora de economistas neoclássicos nos medias para preparar as mentes no elogio da austeridade (assimétrica).
3) Uma avaliação dos ODM. Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio pretendiam reduzir substancialmente a pobreza e melhorar os indicadores de saúde e educação das regiões mais pobres. Segundo as Nações Unidas, as acções no âmbito dos ODM evitaram a morte a várias centenas de milhões de pessoas. O esforço é de louvar, mas não será angustiante festejar? Os problemas do subdesenvolvimento aí estão para durar, zombando das metas dos ODM (o programa apontava para o ano de 2015). Já repararam como uma catástrofo natural mostra a fragilidade destas conquistas: as monções do Paquistão, as secas no Corno de África, o banditismo de Estados falhados (Somália), a ignorância/fanatismo religiosos no Darfur mostram-nos que a condição humana é coisa pouco apreciada em muitos lados...

domingo, 12 de setembro de 2010

O Professor Jerónimo Sanches Pinto

Na passada semana com a preciosa ajuda da minha namorada calcorreámos os meandros dos rios Alvoco e Alva, que escondem uma beleza asfixiante, apenas sentida quando se cheira, absorve os seus aromas e a cultura das suas gentes.
A visita começou em Avô, uma vila muito bonita, localizada junto às margens do rio Alva, estava frio e uma humidade intensa no ar. O início do périplo em Avô ocorreu devido a um dos temas a desenvolver na tese de mestrado ser a extracção de minério pelos romanos, sendo Avô um dos expoentes da passagem romana no concelho. O expoente máximo é sem dúvida a Bobadela, que nessa altura era equiparável a localidades como Aeminium (Coimbra) e Conimbriga (Condeixa).
Após questionarmos alguns transeuntes que passavam decidimos ir à junta de freguesia local, onde nos indicaram a casa do professor Jerónimo Sanches Pinto.
Chegados à casa do professor, tocámos levemente à campainha com receio de podermos importunar uma pessoa que nos foi dito já deter uma certa idade. O professor abriu-nos a porta e após termos explicado o fim da nossa visita expressou um sorriso sincero e humilde. Pediu-nos uns minutos aparecendo pouco depois com um conjunto de livros sobre a cultura e as gentes de Avô que ele citou com uma naturalidade e entusiasmo contagiantes. O diálogo prosseguiu com uma leveza não transparecida nos seus 91 anos de idade, sabe bem conversar com uma pessoa que dá valor à sua terra, onde criou raízes e conhece como ninguém. Aprecemo-nos da emoção que latejava da sua face à medida que soletrava poemas de Brás Garcia de Mascarenhas ou expunha o imenso trabalho que realizou em prol da valorização da sua freguesia.
Nestas alturas constato que no Mundo de hoje, já não há pessoas destas que se abrem de uma forma tão espontânea, sincera o seu coração e transparecem uma ligação de amor e valorização de um património que eles consideram seu. Devido à tristeza de observar que o seu trabalho não teve a continuidade desejada observou com uma alegria adicional a nossa visita.
Durante os momentos da conversa que enveredou por uma extensa diversidade de caminhos, questionámo-lo sobre a localização dos principais vestígios romanos, indicando-nos imediatamente a localização de duas calçadas romanas: uma com destino à Aldeia das Dez e outra a Foz de Arouce (freguesia do concelho da Lousã) e Aeminium (Coimbra). Denotámos no seu olhar e nas suas palavras a mágoa que devido à sua idade avançada, assim como a doença que exaspera a sua esposa, que infelizmente conduziu para uma cadeira de rodas e para a necessidade de uma atenção permanente, não nos poder mostrar pessoalmente a riqueza do património que subsiste na sua vila.
A viagem prosseguiu com o reconhecimento das duas calçadas romanas inferidas pelo professor onde lamentavelmente denotámos a inexistência de qualquer sinalização mais detalhada que pudesse transparecer a importância daquelas pedras lacrimejadas no solo possivelmente por escravos romanos para servir o seu poderoso império. A única indicação observada foi num dos troços o nome da rua designar-se “Estrada Romana”.
Nesta fase o céu começava a escurecer e os aguaceiros já encobriam a bonita Serra do Açor. Fomos almoçar a Aldeia das Dez onde apesar do frio e da chuva pudemos observar a bela paisagem circundante. É nestas alturas, que apetece que o tempo pare por momentos e nos deixe inspirar e contemplar a magnificente paisagem que nos rodeia.
Após o almoço deslocámo-nos para o cerne da minha tese de mestrado, o vale do rio Alvoco que vai desaguar no rio alva, na Ponte das Três Entradas, nascendo na Serra da Estrela junto a Alvoco da Serra. Deslocámo-nos em direcção a Vide local onde eu sabia da existência de conheiras, ou seja locais planos onde os romanos faziam outrora a lavagem do xisto e quarzito para uma posterior extracção do ouro. A observação dos conhais é ainda possível pois a área em causa não sofre a influência humana, sendo ainda possível observar os amontados de pedras deixados pelos romanos após procederem à sua lavagem.
Este é um local que eu terei que voltar futuramente, investigando-o com mais atenção e pormenor. Desta forma deixo o meu primeiro testemunho sobre a presença romana no vale do rio Alvoco e Alva que teve como personagem principal o professor Jerónimo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"O leitor sem qualidades"

Com este post não pretendo demover e aprofundar um tema que eu não domino particularmente. Aliás na imensidão de informação que nos circunda diariamente torna-se difícil conseguirmos estar continuamente actualizados ou dizermos que sabemos tudo sobre algum tema. É nisso que se encontra a beleza da ciência e do saber.
Na Geografia assim como na vida é cada vez mais importante a versatilidade e a polivalência, sem descurar a competência e o rigor profissional. O que me incentivou a realização deste texto foi João Ventura e o seu blogue “O leitor sem qualidades”. Apesar de estar longe de me considerar especialista em literatura apercebo-me e dou o devido valor a um texto bem escrito e elaborado.
Este blogue surgiu-me aquando as minhas pesquisas sobre o escritor chileno Bolaño, que me suscitou interesse conhecer devido à sua origem, America Latina( espaço tão controverso e polémico) o tipo de escrita e temas tratados. Tinha curiosidade em saber um pouco mais sobre ele, aquilo que ele escrevia e o modo como o fazia. Fiquei positivamente surpreendido. Recentemente recebi de duas pessoas que eu muito prezo um dos seus livros mais afamados “2666”.
Não posso dizer que goste de um estilo literário em particular porque, considero que leio pouco o que me impede de ter uma ideia formalizada. Posso dizer que me atraem livros com uma mensagem, onde consigamos aprender algo de útil sobre nós e o mundo que nos rodeia(ou).
A literatura portuguesa é muito vasta e apresenta escritores com muita qualidade, no entanto vou salientar dois escritores que têm como primeiro nome José: José Saramago e José Luís Peixoto.
Esta escolha ocorreu devido à simpatia que nutro pela escrita de José Luís Peixoto, difícil, bela e envolta em pensamentos de tristeza e nostalgia. Na escrita de José nós encontramos a ligação com a realidade que vivemos de uma forma figurada mas presencial. Para a concretização da minha opinião transcrevo duas frases inferidas no romance Nenhum olhar: “(…) talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez grosso modo caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros(…)” “ (…) talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram(…)”. As frases podem ter várias interpretações ou significados, induzindo para os problemas que se reflectem na sociedade actual.
O Romance de “Nenhum Olhar” ganhou em 2001 o prémio José Saramago, uns dos mais importantes da literatura portuguesa. José Luís Peixoto é uma das promessas da literatura portuguesa e um possível sucessor de José Saramago. Para terminar cito uma frase de José Saramago sobre José Luís Peixoto: “O José tem que pensar na sua obra”.

domingo, 20 de junho de 2010

Fim de Emisão

Vivemos numa sociedade dicotómica, num país onde a subdivisão entre o litoral e o interior se demonstra cada vez mais evidente.
O concelho de Oliveira do Hospital, situado a cerca de 30 quilómetros do sopé da serra da Estrela tem conhecido um progressivo afastamento da sua massa crítica para os grandes centros urbanos que oferecem uma maior diversidade e qualidade de empregos.
Um processo natural que infelizmente não é fácil de contrariar.
É consequência de todos estes factores, que observei com desagrado, o fim da edição em papel de uma das referências jornalistas do meu concelho “O Correio da Beira Serra”.
Considero o "Correio da Beira Serra" uma voz activa que defende os interesses dos cidadãos, demonstrando o empenho na divulgação de ideias que depreendem um caminho mais sustentável, que promove o desenvolvimento e resulta numa maior atracção de mão de obra qualificada para o concelho.
Digo-o pela qualidade dos textos apresentados que sustentam a minha ideia que a democracia, perde a sua força quando não tem uma voz activa sustentada e com qualidade dos eleitores.
Li as diversas publicações do jornal, com a atenção permitida por uma vida profissional atarefada, das quais realço dois textos, um descrito por Luís Torgal que aborda as problemáticas da educação em Portugal e outro de António Campos que mediante a sua experiência europeia como eurodeputado refere-se às mentalidades.
Infelizmente a qualidade paga-se e neste meio por vezes nem todos estão acessíveis e receptivos a percebe-la, aceita-la e desembolsar algum dinheiro por ela.
Fica aqui o meu desejo que a edição mantenha o modo digital  e o formato em papel volte às bancas brevemente. Na minha opinião o ego de Oliveira teria a ganhar com isso.
Deixo aqui o endereço do Jornal para quem queira conhecer um pouco do concelho de Oliveira do Hospital:  http://www.correiodabeiraserra.com/ 

Leiam não se irão arrepender!!!!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Este visual, Tiago e Rui, é de profissionais. Um blogue com apresentação magnífica. E é nesta altura que me sinto ainda mais envergonhado por escrever tão pouco. Espero que após esta fase insana das reuniões e avaliações possa escrever umas linhas que me permitam salvar, um pouco, a face.

domingo, 6 de junho de 2010

O documentário "Ruínas"

Manuel Mozos, cineasta português e autor do documetário "Ruínas" distinguido o ano passado em França no Festival Internacional do documentário de Marselha.
Este documentário premiado no Festival de Cinema Índie de Lisboa em 2009 apresentou a seguinte sinopse:
"Fragmentos de espaços e tempos, restos de épocas e locais onde apenas habitam memórias e fantasmas. Vestígios de coisas sobre as quais o tempo, os elementos, a natureza, e a própria acção humana modificaram e modificam. Com o tempo tudo deixa de ser transformando-se eventualmente numa outra coisa. Lugares que deixaram de fazer sentido, de serem necessários, de estar na moda. Lugares esquecidos, obsoletos, inóspitos, vazios. Não interessa aqui explicar porque foram criados e existiram, nem as razões porque se abandonaram ou foram transformados. Apenas se promove uma ideia, talvez poética, sobre algo que foi e é parte da(s) história(s) deste País."
Ainda não consegui ver este documentário, no entanto estou curioso, pois retrata um dos grande problemas do Portugal, o crescente número de casas abandonadas e em ruínas, assim como um património ou legado que começa progressivamente a ser esquecido.
A imagem de apresentação não poderia ser mais bem escolhida, o antigo Hospital, localizado junto às Penhas da Saúde, um monumento digno desse nome que se encontra literalmente ao abandono na vertente leste da Serra da Estrela.
Deixo aqui o mote caso quem conhecer o documentário fale-me um pouco dele.


Cliquem no título para verem o trailler!!!

sábado, 15 de maio de 2010

Portugal e a União Europeia

Lisboa retrata um Portugal Moderno, das oportunidades, da Liberdade, no entanto também da desigualdade e da diferença. Lisboa é cada vez mais uma sociedade cosmopolita que apresenta uma ligação cada vez mais evidente com os principais pólos urbanos Europeus e Mundiais.
Lisboa enquadra-se cada vez mais no Mundo Global, onde os conceitos de Crescimento e Desenvolvimento, são tão próximos mas ao mesmo tempo tão distantes.
Actualmente basta ligar a televisão ler os jornais, sairmos à rua para nos apercebermos das mudanças que latem diariamente em Portugal. Habitamos num Mundo onde informação circula a um ritmo alucinante, tudo se sabe, há a generalização da democracia, no entanto sentimo-nos cada vez menos autónomos. Vivemos numa sociedade por vezes um pouco ingrata.
A Urbanização, a Terciarização, a entrada na União Europeia trouxeram um consequente aumento da literacia, um Portugal mais moderno e desenvolvido. No entanto este incremento da liberdade social e económica trouxe inúmeras desvantagens, pois não conseguimos ser autónomos e gerir convenientemente o "nosso" dinheiro. Portugal e os portugueses passaram a ter mais dinheiro ou pelo demonstram-no, no entanto são menos auto-suficentes e autónomos, como retrata o défice e o endividamento das famílias. Cada um deveria viver de acordo com as suas potencialidades.
Na sociedade neoliberal que vivemos as Grandes Forças Económicas como as Multinacionais, Bancos, Empresas de Rating  controlam os mercado, conduzindo as economias mais débeis a situações complicadas, que conduzem muitas vezes à subjugação e ao controlo da economia. Infelizmente é o que está a acontecer com a Grécia, esperemos que tal situação não chegue a Portugal.
Para a saída da crise precisamos de Europa Unida, onde haja um consenso, pois só dessa forma podemos fortalecer o Euro e evitar o efeito dominó da crise grega. Portugal deve agir rápido, de uma forma austera mas eficaz.
Vamos estar atentos à situação económica e social  Portuguesa, Europeia e Mundial!!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

(Des)União Europeia

No próximo dia 9 de Maio comemorar-se-á mais um dia da Europa. Sou europeísta e agradam-me as soluções federalizantes, pelo que é através desta declaração de intenções que deverá ser lida a reflexão que se segue.
A União Europeia é, talvez, o único projecto político dos dias de hoje que vale realmente a pena. Se outros méritos não tivesse, bastar-me-ia o facto de ter sido a garantia de paz entre os países da Europa Ocidental. Simultanemamente, é um tema interessantíssmo para se estudar e as implicações das decisões europeias têm mais impacto nas nossas vidas do que comummente se pensa.
Apesar de tudo, a UE dá, frequentemente, um triste espectáculo de desunião, mesquinhez e que ainda se guia mais pela balança dos egoísmos nacionais do que por outro qualquer sentido à altura das responsabilidades europeias e dos próprios objectivos confessados em vários documentos. O evoluir desta crise será o mais recente exemplo deste decepcionante «cada um por si» que o monetarismo do BCE e da Alemanha impõe para a manutenção teimosa da rigidez dos PEC's para salvaguardar um EURO que, tal como está, vai interessando cada vez menos aos países do Sul.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cal


Outrora nas minhas leituras de Verão, li “Cal” de José Luís Peixoto que me suscitou interesse e me fez reflectir sobre a sociedade, o envelhecimento da população


No nosso Mundo mais concretamente nos designados países desenvolvidos, onde se inclui naturalmente Portugal o conceito de envelhecimento tem sido cada vez mais referenciado por uma multiplicidade de razões.

Neste livro de crónicas intitulado Cal por José Luís Peixoto, este descreve a rugosidade e o saudosismo de vidas envelhecidas pelo trabalho e pelas dificuldades insurgentes da dureza de outros tempos. Pessoas que envelhecem e sofrem actualmente as incompreensões e injustiças de uma sociedade, de um país que os esquece e não lhes concede o devido valor.

As consequências de tudo isto são diversas e sujeitas a várias interpretações. Presenciamos situações em que a mobilidade está cada vez mais patente, é cada vez mais fácil deslocarmo-nos, mobilizarmos informação entre espaços longínquos em segundos. Actualmente podemos ascender socialmente se trabalharmos ou estudarmos, caminhando-se para um maior bem-estar, qualidade de vida e um consequente aumento da esperança média de vida.

O envelhecimento apresenta-se como o resultado desta evolução social, tecnológica, saúde, educação…

No entanto nem tudo é positivo pois o aumento da riqueza conduziu a desequilíbrios cada vez mais acentuados, promovendo a criação de uma sociedade narcisista que por vezes se esquece dela própria. Observam-se cada vez mais casas vazias, o esquecimento de pessoas que nos são próximas pelo simples facto de já não nos serem úteis. Posso não estar correcto mas sinto que actualmente a palavra solidão ganhou uma outra profundidade.

As pessoas idosas perdem cada vez mais o simbolismo que detinham num passado recente onde havia um outro respeito e atenção pelas pessoas de idade. Não me estou apenas a falar daqueles que são esquecidos em lares ou hospitais, mas também os que são burlados por pessoas sem princípios nem valores morais.

Não há melhor cura para uma doença do que sentirmo-nos a presença de alguém que gostamos próximo de nós.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As mudanças no Sistema de Ensino Português























Após a leitura do post do Sérgio suscitou-me interesse falar um pouco sobre as mudanças que ocorreram no sistema de ensino em Portugal nas últimas décadas.

Há uns dias tive conhecimento de um projecto que me instigou à reflexão sobre a evolução dos tempos, das vivências da nossa juventude durante as últimas décadas.

A nossa sociedade tem evoluído a um ritmo diabólico, não só a nível tecnológico, como a nível social e económico. No post “O Nosso Mundo” abordei as diferenças que subsistem, de um modo cada vez mais evidente, entre divergentes pólos de desenvolvimento Mundial.

Neste caso vou precisar um pouco mais a realidade portuguesa reflectindo sobre as sinergias existentes entre as vertentes económica e social do nosso país que se induz indubitavelmente no nosso sistema de ensino.

O projecto anteriormente citado aborda as dificuldades que o corpo docente sente em controlar a irrequietude dos discentes que se denota de um modo cada vez mais constante e persistente em comportamentos de indisciplina e falta de educação.

As principais causas para tal ocorrência, induzidas com total clareza no considerado projecto, referem a falta de tempo das famílias para promover a educação dos seus educandos, a tecnologia designadamente as consolas, os telemóveis e os computadores que impelem a majoração dos comportamentos sedentários, agressivos e por vezes autoritários dos alunos.

Na sociedade em que vivemos onde o egocentrismo subsiste derivado de uma sociedade onde reina a lei do mais forte, torna-se cada vez mais difícil aos encarregados de educação despenderem tempo para dedicar aos seus filhos, estando por isso essa tarefa cada vez mais destinada à escola e aos professores. No entanto, é importante não esquecer que uma coisa não pode substituir a outra, embora por vezes se possa fazer crer.

Voltando ao projecto e reflectindo sobre as soluções enunciadas para a resolução de todos estes problemas, estas baseiam-se no estimular dos discentes através de actividades lúdicas e de um cariz didáctico, mais activo e dinâmico que propicie a aquisição de competências mais diversificadas e enriquecedoras.

Considero esta ideia muito interessante, pois com o passar dos anos e, em consequência do cada vez mais fácil e acessível acesso à informação, sente-se que a escola tem vindo ao longo dos anos a perder a influência que detinha no passado, onde o professor era visto como pessoa que merecia respeito, detentor de um saber que dificilmente era adquirido noutro local.

Através da liberalização da educação e informação a toda população portuguesa, que considero salutar e benéfico para a sociedade, mas também para o nosso tecido económico que precisa de pessoas capazes de lidar com situações cada vez mais diversas e complexas. No entanto, há também o reverso da moeda que foi a diversificação das aprendizagens e do designado “validar de competências” que conduziu ao desmazelo da educação e à perda de qualidade do ensino em Portugal.

É contra esta ordem de ideias que eu como professor quero e vou lutar através dos meios estiverem ao meu alcance, de modo a conceder mais credibilidade e qualidade ao nosso ensino, pois considero que apenas um ensino com qualidade propicia o surgimento de cidadãos mais conscientes e capazes de enfrentar um mercado de trabalho exigente e uma sociedade cada vez mais competitiva.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Viver Habitualmente

Uma boa forma de se criar uma anemia cívica é esperar que as pessoas vivam ensimesmadas e rodeadas de factores de sociabilização meramente tradicionalistas que as afastem de mecanismos de pensamento crítico e da politização das suas acções. A consciência cívica estruturada sobre um lastro cultural e científico básico foi a promessa da escola democrática-republicana que funcionaria como um meio de ascensão social e de garantir a todos o acesso aos bens imateriais que compõem o acervo cultural da humanidade. É esse o papel de qualquer professor que se preze e que preze a dignidade dos seus saberes.
Não admira, portanto, que as ditaduras tacanhas e tradicionalistas como a de Salazar, tenham procurado embrutecer deliberadamente o povo, através, nomeadamente, da criação de uma mitologia folclórica ligada à cultura popular ou à glorificação das «virtudes» da vida simples e campestre numa óptica ruralista. Dito de outro modo, «aprender a ler, escrever e contar para saber que manda quem pode e obedece quem deve» somado a um Portugal castiço.

Na passada quarta-feira tive um momento de grande frustração/indignação/solidão quando procurei convencer os meus colegas da absoluta bizarria que é fazer-se uma «desmancha do porco», alegadamente «tradicional» na Escola em que, este ano, trabalho. Desmancha essa, segundo eles, que tem tudo a ver com o tema de vida dos EFA B. Entendamo-nos: Reviver tradições já é discutível, embora aceitável... agora, levar para a escola aquilo que já é a vida dos formandos e esperar que, com isso, se desenvolvam as famigeradas competências presentes nos referenciais é que já me parece abusar escandalosamente da estupidez de quem é pouco mais do que analfabeto. Não deveria a escola elevar? Não deveria trazer novidades?
A resposta é um rotundo não: deve divertir, ser lúdica e uma espécie de passatempo para miúdos e graúdos. Salazar dizia que queria que os portugueses vivessem «habitualmente». Tem conseguido.

Desigualdades e pobreza

A análise à escala mundial das desigualdades permite traçar, grosso modo, uma divisão Norte/Sul. Como é óbvio, esta divisão generalista desvaloriza as tremendas diferenças existentes dentro de cada país ou entre países dentro do mesmo hemisfério. Portugal, por exemplo, embora geograficamente posicionado entre os «ricos» e tendo níveis de desenvolvimento superiores à média dos países em desenvolvimento, é um Estado de desenvolvimento intermédio que apresenta um elevado nível de pobreza (entre 18% e 20%) e graves desigualdades sociais.
Um dos grandes estudiosos sobre as temáticas ligadas à pobreza em Portugal, Bruto da Costa, apresenta os baixos salários como factor principal para explicar a persistência da pobreza, ou seja, é o modelo de económico que protela o verdadeiro desenvolvimento e condena à pobreza, não só os desempregados e desvalidos, mas uma parte importante das classes trabalhadoras.
Voltarei a estes assuntos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Parabéns!

O Tiago está de parabéns. Aquele orgulho que manifestou é inteiramente justificado.
Confesso que deveria ter escrito um texto há mais tempo, mas aquela bengala do trabalho aplica-se: uma tremenda barafunda burocrática tem-me conduzido a labirintos de ataraxia mental que me impedem de pensar em postar com um mínimo de dignidade.

Tinha pensado, inicialmente, num post sobre os tristes caminhos da escola, nas suas derivas pedagogistas, de estupidificação lúdica ou nas ilusões comunitaristas que se confundem com afirmação cultural, bah... Os posts do Tiago resolveram o problema: ensaiarei, numa próxima incursão, umas linhas sobre desigualdades. O tema é de uma acuidade insuperável.

Uma pontinha de vaidade

Sei que é provavelmente um regozijo exagerado, no entanto não consigo deixar de desfrutar de uma enorme satisfação e uma ponta de vaidade por ter postado o post “o Nosso Mundo”, provavelmente no blog mais lido de Portugal http://clubedospensadores.blogspot.com/ e ter tido um comentário como o do Oliveira Neves que passo a expôr:





sábado, 23 de janeiro de 2010

O Nosso Mundo




















O Ano 2010 é o ano Europeu contra a Pobreza e da Exclusão Social… bem já é um começo no entanto e tal como acontece com a Alterações Climáticas este deve ser um problema global e não apenas um problema que na Europa passou a ser a preocupação central de um ano.

Não quero com isto desprestigiar esta iniciativa tomada pela União Europeia, quero com isto dizer que deve ser generalizada a toda a Humanidade e durante um tempo indeterminado, isto é até que os conceitos de pobreza e exclusão social sejam banidos do Nosso dicionário. Pode parecer utopia, provavelmente é, no entanto tentemos amenizar tudo isto através de acções simples que melhorem a situação do nosso planeta e ajudem a resolver um problema de tão grande complexidade.

Como cidadãos temos o dever de melhorar o planeta onde habitamos. Para resolver o problema das Alterações Climáticas há muita informação que podemos ter acesso pela televisão ou pela internet.É cada vez mais urgente evitarmos os desperdícios, é importante promover uma mentalidade onde a reciclagem seja essencial e obrigatória e a utilização de energias renováveis se torne norma. Tudo isto são situações que podemos fazer para tornar o nosso planeta mais saudável, duradouro e onde a qualidade de vida continue a crescer.

No entanto e no que atenta à pobreza e exclusão social a situação não é assim tão linear. As desigualdades, o fosso entre os países ricos e pobres continuam a crescer desmesurada e assustadoramente. É preciso colocar um travão, no entanto a tarefa não se avizinha nada fácil.

A Humanidade evolui em campos opostos, a maior parte dos países do Hemisfério Norte preferiu investir em políticas capitalistas onde o lucro está acima de tudo e muitas vezes as condições de trabalho, os salários, a qualidade de vida dos trabalhadores são em muitos casos deprimentes. Esta situação deu origem a um crescimento muito elevado das economias descurando-se a vertente social.

Por outro lado no Hemisfério Sul, mais concretamente no continente Africano, a maior parte da população vive em condições indignas para o ser humano, na maior parte dos casos estas pessoas não vivem sobrevivem. África um continente tão rico em recursos do subsolo, com paisagens naturais magníficas, permanece num processo de autodestruição quer devido a políticas corruptas onde o júbilo pessoal permanece sobre a subsistência das populações, quer devido a fronteiras mal definidas pelos colonizadores europeus que conduziram à ocorrência de constantes conflitos internos.

Toda esta situação tem-se vindo a agravar com a revolta dos cidadãos que se apercebem das discrepâncias existentes, sentem-se revoltados e impotentes para amenizar a injustiça social que vigora de uma forma cada vez mais evidente.

Todos nós como cidadãos podemos contribuir para redução da pobreza e exclusão social, quer seja de uma forma simples através de doações a instituições de caridade, quer de um modo mais complexo através da participação em organizações da sociedade civil. No entanto e apesar de tudo o mais importante é estarmos cada vez mais atentos e apercebemo-nos do Mundo que nos rodeia, da sua complexidade e envolvência, pois só o conhecendo poderemos ter argumentos para criticar as políticas e agir de uma forma mais consciente e eficiente de modo a amenizar os nossos e os problemas da Humanidade.