quinta-feira, 10 de março de 2011

Sófia e Bucareste condenadas a ficar à porta

A Roménia e a Bulgária são as ovelhas negras da Segurança da União, sendo vetada a sua entrada no Espaço Schengen.

As razões da não entrada no Espaço Schengen da Bulgária e Roménia,  prendem-se com questões de imigração ilegal, da impossibilidade do controlo de fronteiras assim como devido à corrupção e crime organizado que imperam nestes dois países de leste.

O vídeo da euronews revela esta recente decisão da União Europeia.

Boa descoberta

http://oblogouavida.blogspot.com/

domingo, 6 de março de 2011

A Democracia

A Democracia, um conceito muito referido nos dias que correm em consequência das Revoluções magrebinas, não é algo fácil de definir. O Mundo Global em que vivemos leva-nos a estar continuamente informados e a perceber facilmente através do acesso à televisão ou à internet ,aquilo que se passa nos países mais desenvolvidos, e consequentemente fazer uma natural relação com a situação vivida no nosso país. Não é por acaso que as rede sociais foram um dos principais impulsos, desta rebelião que alastrou no Norte de África.
O poder do capitalismo e da especulação beneficia cada vez mais as grandes potências e esquece os mais desprotegidos. A demagogia utilizada pelas instâncias políticas democráticas, é uma das principais armas da perpetuação no poder. Um pequeno vídeo demonstra de uma forma muito clara a importância dada
pelos políticos à demonstração da obra feita ou do poderio do seu país perante os restantes. Nos dias de hoje como é demonstrados através dos lideres que se encontram há mais tempo no poder, não há dúvidas da importância do "saber" enlevar os seus eleitores.
O que tem alastrado nos países do Magrebe é que as populações cada vez mais letradas e com o conhecimento do que se passa na Europa nos Estados Unidos e no Mundo se começam a aperceber a das diferenças e das míseras condições de vida em que vivem.
Todas estas situações nos fazem questionar muitas coisas entre as quais se o significado de democracia termina apenas no acesso ao voto ou vai um pouco mais além, como a possibilidade de nos podermos expressar e demonstrar a nossa opinião.
Ainda sobre democracia deixo o testemunho do saudoso e sempre quezilento José Saramago, notoriamente de esquerda e avesso a muitas decisões tomadas nas altas esferas políticas mundiais.

Para a melhor percepção do vídeo anteriormente mencionado consultem esta hiperligação  
 

sábado, 5 de março de 2011

O Sol Bailou ao Meio Dia- A criação de Fátima

O Sol Bailou ao Meio- Dia - A criação de Fátima. O livro de Luís Filipe Torgal que desvenda alguns dos mistérios  das aparições de Nossa Senhora de Fátima.

O Livro com prefácio de Fernando Rosas, é apresentado na Bertrand do Dolce Vita de Coimbra no próximo dia 19 de Março.

Fica aqui o convite à presença de possíveis interessados.

Já há "logo" e tudo...


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fernando Namora e o Estado Novo


Quando o país se prepara para comemorar os 92 anos do nascimento de Fernando Namora (n. 15 de Abril de 1919, m. 31 de Janeiro de 1989), recupero aqui, em traços gerais, as ideias de um artigo que escrevi anteriormente, aquando da publicação, pelas Edições MinervaCoimbra, da obra “Fernando Namora por entre os dedos da PIDE”. O estudo em questão é da autoria de Paulo Marques da Silva (PMS) e está integrado na série “A repressão e os escritores no Estado Novo”, dirigida por Luís Reis Torgal.
            O referido livro é o resultado de várias pesquisas desenvolvidas por PMS ao longo de quatro anos e encontra-se estruturado em quatro capítulos: I) Os primeiros caminhos: breve resenha biográfica de Fernando Namora; II) Fernando Namora e o movimento literário neo-realista; III) A censura e os escritores; IV) Os processos da PIDE/DGS de Fernando Namora.
            Em anexo, o historiador PMS decidiu reproduzir alguns documentos existentes nos processos do escritor na polícia política, várias cartas do espólio particular de Fernando Namora e outras do espólio de João José Cochofel. São também reproduzidas algumas dedicatórias feitas por diversos escritores, como, por exemplo, Aquilino Ribeiro ou José Saramago, em livros que pertenceram a Fernando Namora e que, hoje, se encontram guardados na Casa-Museu deste autor, em Condeixa.
Diz-nos PMS que Fernando Namora tem cinco processos nos arquivos da PVDE/PIDE/DGS, sendo que, no seu total, estes integram quase 900 páginas de informações. Só a título de comparação, registe-se que Miguel Torga tem quatro processos na polícia política, que incluem 455 páginas de informações.
            Ao embrenhar-se nos arquivos e contactar com as fontes policiais coligidas entre os anos de 1940 e 1973 (data da última informação), o historiador trouxe-nos à luz do dia vários aspectos particularmente interessantes que nos permitem, desde logo, surpreender a sanha persecutória do regime em relação ao escritor e ao cidadão Fernando Namora.
            Tendo em consideração o estudo dado à estampa, os processos de Namora na polícia política são constituídos por recortes de jornais, correspondência remetida para o escritor (previamente interceptada pelos funcionários do regime) e exposições, apelos, representações e comunicados promovidos pela oposição e que Namora subscreveu. Os processos incluem também informações recolhidas por agentes policiais dispostos no terreno e algumas denúncias elaboradas por informadores da PIDE.
            Apesar de nunca ter estado preso, situação que o distingue, por exemplo, de Miguel Torga, o autor de Retalhos da Vida de um Médico teve vários problemas com o “lápis azul” do Estado Novo: viu ser-lhe proibida a reedição das obras em 1966 e quando Manuel Guimarães pretendeu adaptar ao cinema o romance O trigo e o Joio a censura obrigou-o a realizar vários cortes. Desse facto nos dá conta Igrejas Caeiro, um dos actores que participou naquele filme: “Em relação ao filme O Trigo e o Joio, recordo-me de um aspecto curioso: o filme é a história de uma família alentejana de camponeses pobres que em determinado momento concretizam o sonho de poder comprar uma burra, para os ajudar na lavoura. Mas, entretanto, a filha do casal, uma miúda, começa a ter problemas de saúde e a propósito disso surge uma discussão entre a mulher e o marido, porque ela quer vender a burra, pensando que os problemas de saúde da miúda tinham a ver com a burra, e ele não quer. Então o homem conclui, dizendo: «está bem, temos que dar uma volta a isto». Pois essa simples frase foi cortada pela censura! Evidentemente que não passava pela cabeça de ninguém, ainda por cima naquele contexto, que essa frase significasse: dar uma volta ao regime. Mas assim não o entendeu a censura, que exigiu que fosse cortada aquela frase, o que obviamente teve que ser feito.
Neste filme houve ainda outras peripécias com a censura. No final do filme há uma personagem daquela família, que andava há muito transviada, e que regressa à terra. Há uma reconciliação na família, que acredita inclusivamente que a sua situação pode melhorar. O filme termina com uma imagem, por sinal muito bonita, do nascer do Sol, com os dois homens, o dono da burra mais o outro que andava transviado, a puxar a charrua, com o Sol a nascer. Pois por incrível que hoje isso nos possa parecer, a censura exigiu que aquela cena fosse suprimida, com o argumento de que se tratava de uma alegoria à pobreza em Portugal, por a charrua ser puxada, a braço, por dois homens!” (cf. Cândido de Azevedo, A Censura de Salazar e Marcelo Caetano, Caminho, Lisboa, 1999, pp. 268-269).  
Além do que já foi anteriormente exposto, importa sublinhar que o romance A Noite e a Madrugada foi proibido de ser adaptado ao cinema, o livro Domingo à Tarde teria sido apreendido pela PIDE, de acordo com Francisco Lyon de Castro, o fundador das Publicações Europa-América, e a partir dos anos sessenta o Estado Novo terá mesmo tentado condenar Fernando Namora a uma espécie de “morte civil”. Este último facto pode ser comprovado pela leitura de uma carta interceptada pela PIDE, que tinha sido enviada a Namora, em 1967, pelo director do Jornal de Notícias, Nuno Teixeira Neves: “Como profissional de imprensa não me furto, de todo, a um certo remorso por pertencer a uma vasta máquina, comandada, nem sempre contra vontade, pela Censura, a qual, neste momento, como deve saber, está interessada em separá-lo, mais que nunca, do público, reduzindo ao mínimo o noticiário que lhe diz respeito e cortando as mais inofensivas prosas que o mencionem. A entrevista que teve a amabilidade de nos conceder há tempos foi completamente cortada e as restantes referências muito mudadas ou reduzidas.” (cf. Paulo Marques da Silva, Fernando Namora por entre os dedos da PIDE. A repressão e os escritores no Estado Novo, Edições MinervaCoimbra, 2009, p. 170).
            Idêntica situação acabou, aliás, por ser denunciada pelo jornal Portugal Democrático, na sua edição de Fevereiro/Março de 1967: “Fernando Namora […] é vítima de medidas de repressão que atingem toda a sua obra. A Imprensa está proibida de publicar a mínima palavra, a mínima nota, sobre os seus romances, ou mesmo sequer, fazer publicidade de qualquer dos seus livros. O nome de Fernando Namora é até proibido de figurar em anúncios de obras de que é co-autor”. (cf. Paulo Marques da Silva, ob. cit., p. 169).
            Embora alguns estudiosos considerem que Fernando Namora não pode ser considerado um autor neo-realista “puro”, como por exemplo Soeiro Pereira Gomes ou Alves Redol, a verdade é que Namora foi um dos grandes impulsionadores daquele movimento. Registe-se que ele é apresentado como o autor da ideia do Novo Cancioneiro e que esta colecção foi mesmo inaugurada com a sua obra Terra, editada em 1941. Ademais, a colecção Novos Prosadores iniciou-se também com um romance de Namora – Fogo na Noite Escura, editado em 1942.
            Ao longo de sensivelmente 50 anos de vida literária, Namora publicou mais de 30 obras, repartidas entre a poesia e a ficção. Retalhos da Vida de um Médico é talvez um dos seus livros mais emblemáticos, aquele “em que os leitores mais imediatamente captaram o intenso pulsar de humanidade e o sentimento fraterno que percorrem toda a obra de Namora, identificando autor e narrador num mesmo médico que vive as dores, misérias e frustrações de uma população rural do interior esquecido de Portugal na década de quarenta”. (cf. Dicionário de História do Estado Novo, direcção de Fernando Rosas e J. M. Brandão de Brito, vol. II, Bertrand Editora, Venda Nova, 1996, p. 656).
            Inspirado pelas suas experiências como médico no Alentejo, na Beira Baixa e em Condeixa, Namora escreveu a obra em questão, em 1949. Em Retalhos da Vida de um Médico, que conheceria uma segunda série em 1963, Namora denuncia, por exemplo, a miséria de um povo que para conseguir pagar ao médico, recorrendo ao sistema das avenças, tem praticamente de deixar de comer. E o contacto com o sofrimento desse povo acaba por imprimir à obra um humanismo e uma consciência cívica e fraterna difícil de encontrar na literatura nacional, como o leitor pode facilmente confirmar pela leitura da seguinte passagem: “Um homem morto. Uma realidade directa, que me tocava de perto. Tinha estropiado cadáveres na morgue; chegara a ver enfermos a morrer durante as lições nas enfermarias; vivia cercado de doentes, de misérias, de agonias. Mas tudo isso eram acontecimentos necessários para a lógica dos tratados. Esta morte dizia-me respeito. Conhecera o primo Lucas longe desse ambiente; era um homem, uma coisa viva e misturada nas recordações da minha infância; um ser pronto a sofrer, pronto à tortura e à felicidade. Os outros homens da enfermaria ou do necrotério não tinham para mim uma história, serviam para confirmar uma ciência.
Alguma coisa estava brutalmente errada. Haviam-me iludido, magoado. Recebia uma lição. Daí em diante sofreria até à angústia o que é ter uma vida nas nossas mãos, uma vida que nos é entregue: um misto de aventura, de responsabilidade e de desespero”. (cf. Fernando Namora, Retalhos da Vida de Um Médico, primeira série, 13.ª edição, Publicações Europa-América, Lisboa, 1971, pp. 52-53).
            Se é verdade que há escritores que retratam a alma de um povo, ler Namora é reencontrar o Portugal do Estado Novo. Por outro lado, contactar com os processos deste escritor na PVDE/PIDE/DGS é surpreender, em pleno funcionamento, dois importantes pilares que sustentaram o regime português: a polícia política e a censura.
            Na minha opinião, é fundamental que estes estudos ultrapassem o estrito círculo académico a que, maioritariamente, se encontram votados, de modo a que possamos conhecer, de um modo sério e rigoroso, o que foi o Estado Novo. Ainda que não possamos ignorar os importantes avanços historiográficos registados nesta temática, sobretudo, ao longo da última década, a verdade é que muitas outras investigações terão ainda de ser realizadas, pois, só para o leitor ter uma pequena noção do longo caminho ainda a percorrer, em 1974 o arquivo da polícia política portuguesa integrava cerca de três milhões de fichas individuais que correspondiam a um milhão e duzentas mil pessoas.

            Numa época em que, um pouco à semelhança do que sucedeu durante a “Grande Depressão” dos anos 30, o desemprego atinge proporções dramáticas, com as inevitáveis consequências (a todos os níveis…) daí decorrentes, acredito que vale a pena recordar o ideário que esteve na génese do neo-realismo. É que, inexplicavelmente, os espíritos parecem continuar adormecidos; quiçá à espera que a arte rompa a tendência actual e assuma, novamente, um carácter social e uma postura mais interventiva, que ajude a gerar cidadãos… uma premissa, em meu entender, incontornável para dar outro significado à Democracia.

Renato Nunes

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Saber

Em homenagem ao lema que acompanha este blogue:

«A Ciência é comandada pela curiosidade pelo mundo natural. E o objectivo primordial da ciência não é propriamente responder a questões mas antes questionar as respostas. Por outras palavras, em ciência, responder às perguntas significa questionar as respostas.»

In Eugénia Cunha, Como nos Tornámos Humanos, p.7, Imprensa da Universidade de Coimbra.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Post Scriptum

Como que... em dominó? foi o título de um editorial do inevitável José Manuel Fernandes nos tempos em que dirigiu o Público. O contexto foi o das primeiras eleições no Iraque pós-invasão e o de uma suposta euforia democrática porque alguns países do Golfo ensaiaram uns simulacros de eleições...

Como que... em dominó?

A tese do dominó (expressão mediaticamente virtuosa) foi um dos argumentos utilizados pelos voluntaristas neocons para justificar a intervenção americana de 2003 no Iraque. Alegava-se, na altura, que a substituição de Saddam significaria, qual estrada de Damasco, uma conversão do país ao modelo das democracias liberais e, por efeito de arrastamento, de todo o Médio Oriente. Não é preciso ser particularmente arguto para perceber que a previsão, além de teoricamente bacoca e desonesta, revelou-se um tremendo fracasso.

Quase oito anos volvidos, uma súbita quão inesperada vaga agita, agora sim, por contágio, todo o Magrebe e o Médio Oriente. Se as revoluções em marcha parecem espontâneas, os seus resultados estão em aberto, sendo possíveis vários desfechos consoante a sociologia política de cada país (não, os árabes não são todos iguais) : teocratização; democracias islâmicas conservadoras (porventura à imagem da Turquia); regimes musculados de juntas militares; novas lideranças carismáticas; processos de transição longos e de objectivos indefinidos.

Nada do que lá se passa terá a ver com Iraques e Afeganistões, antes nascendo de uma população predominatemente jovem e com relativo grau de formação mas sem expectativas e sem paciência para tiranos e conveniências geoestratégicas dos mesmos e dos seus aliados de conveniência (Europa, EUA; Rússia, Venezuela...). Deste caldo político mais ou menos caótico, surge a pergunta fatal: como é que se pode considerar as Relções Internacionais e a Ciência Política como fazendo parte dos saberes nerecedores da designação de científico? A pergunta é ainda mais pertinente se tivermos em linha de conta que alguns dos «teóricos» são, afinal, gente com grandes ligações ou interesses à decisão política internacional e que, na área têm sido aduzidos monumentais disparates sob a forma de wishful thinkings ou self fulfilled prophecies como o Choque de Civilizações. Ironicamente, Samuel Huntington que profetizou o choque de civilizações. não se lembrou, no seu Third Wave Democratization in Late Twentieth, que o mesmo poderia, hipoteticamente, suceder nos contextos muçulmanos.
Interessante é que a noção de terceira vaga aplicava-se à democratização da Europa do Sul e, depois, do Leste, países que muitos «cientistas políticos» consideravam à margem das possibilidades de democratização.
Manda a prudência que se se espere para ver o que vai acontecer.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011



Apesar de as estrelas da bandeira da UE não representarem os Estados membros (ao contrário do que acontece nos EUA, por exemplo), a imagem está bem conseguida.


P.S. Não deixará de ser significativo que o Tratado de Lisboa proclame que pos símbolos não são obrigatórios nas cerimónias oficiais...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

What's in a name?

Às 18h00 de hoje vou ter uma sessão de formação sobre Escola Virtual. TIC, pois está claro! Abreviando agora a questão de saber se os problemas da educação serão solucionados com a panaceia destes neo-alquimistas do teclado, há algo de saborosamente irónico na designação desta formação....

O Regresso do Cinismo

Os dias que correm sabem a fel. Ele é o FMI, ele é austeridade/austeritarismo, ele é o País do faz-de-conta, ele é os 30.000 que vão para a rua, ele é a finança que proclama em Davos, sem pudor e sem que lhe quebrem os dentes, que o «excesso de regulação» (não, não é peta) prejudica a banca e, por arrastamento, a economia, ele é uma (des)União Europeia que quer impor um dumping social evidente como forma de «resolver» a crise em vez de aproveitar os ventos favoráveis do outro lado do Atlântico para reconstituir algo vagamente aparentado com um sistema de controlo dos mecanismos financeiros, no fundo, domesticar a globalização... Não, nada disso, o que importa é que a Alemanha imponha o modelo do seu Banco Central ao resto da Europa ao jeito do directório em que tudo se decide nos corredores das chancelarias. Regressou o Cinismo como forma de fazer política na Europa... E, pior, Merkel não viveu o nazismo...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Portugal na Balança da Europa

A sugestão de leitura do Sérgio incitou-me à pesquisa. O título pareceu-me logo à partida sugestivo havendo uma alusão clara da subserviência de Portugal perante a Europa. Ainda na altura não se falava do FMI, nem de União Europeia A Conquista da liberdade em Portugal não foi uma tarefa fácil, pois ela depende do povo, da sua vontade de mudar as mentalidades e lutar pela sua liberdade. Em Portugal isso só aconteceu verdadeiramente a partir 25 de Abril de 1974.

Fiz uma breve busca na Internet sobre a obra "Portugal na Balança da Europa" de  Almeida Garret , onde encontrei uma breve síntese do livro no Instituto Camões, e um link onde está o livro em formato pdf . Li apenas umas linhas onde constatei imediatamente a ideologia de Almeida Garret  sobre o Portugal do século XIX.
Transcrevendo-se um breve excerto do livro percebem-se as semelhanças com o Portugal de Hoje: "D'essa fatal corrupção das sociedades nasce o maior inimigo da liberdade o indifferentismo. Quando uma nação pervertida e podre chega a cahir n'este estado paralytico, nem há que esperar para a liberdade nem que recear para o despotismo"

Entretanto...

A União Europeia vai exibindo a sua triste irrelevância internacional perante a actual redefinição política em curso do Magrebe ao Médio Oriente. A Turquia e o Irão agradecem.

Sugestão

Uma sugestão de leitura para estes dias (perdoem-me a estultícia) seria Portugal na Balança da Europa, um tratado político sobre as grandes opções de Portugal na Europa, seu espaço natural (?) de inserção. A prosa referia-se a um Portugal, Ibéria e Europa nas encruzilhadas das lutas ente liberais e absolutistas. Mas no essencial a coisa permanece interessante para os dias que temos. Ah, é do Almeida Garrett.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Actualidades

Não percebo como se dá crédito a um discurso como o de Passos Coelho que refere que a saída da crise seria privatizar todas as empresas públicas que dão prejuízos avultados. Deu o exemplo salvo erro das transportadoras como as principais despesistas.
Concordo que deve haver um maior rigor na gestão, no entanto há uma coisa que deve ser tida em conta,não há nenhuma entidade privada que pegue na CP ou REFER, e se isso acontecer vão fechar muitas linhas mantendo só aquelas que dão lucro. Isto terá como consequências o abandono do interior e a sobrecarga do transporte rodoviário. Que eu saiba não temos poços de petróleo. Não queremos amenizar a dívida?!?!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dados Curiosos

Preocupantemente interessante é a tendência de certos políticos em lugares destacados no mando usarem de um tom populista e demagógico contra a política. São características mais ou menos constantes deste rasteirismo, a diabolização da política, do pensamento político, da troca de ideias em nome de um pretensa superioridade da técnica e da acção univocamente conduzida por, claro está, sábios idolatrados como novos milagreiros. E o pior é que as cortinas de fumo resultam muito bem...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Salazar e o Estado Novo: algumas considerações

Quando nos debruçamos sobre a já extensa bibliografia nacional, directa ou indirectamente relacionada com o Estado Novo, poderemos constatar que continua a persistir uma certa tendência para discorrer sobre este período com base na imagem que o regime português procurou, ao longo dos anos, ir transmitindo de si próprio ou com base nas representações, hoje em dia quase transformadas em dogmas, que historiadores como, por exemplo, António Costa Pinto e Manuel Braga da Cruz edificaram, muito particularmente no que se refere ao autoritarismo conservador, não fascista, do Estado Novo.
            O contacto com as fontes – talvez pela extrema dificuldade, em todos os sentidos, que isso implica… – raramente é estimulado e, por vezes, mesmo quando ocorre, o próprio historiador vê-se de tal modo sufocado em tanta informação que, quase automaticamente, incorre na necessidade de limitar-se a imprimir uma sequência cronológica e narrativa/explicativa aos factos isolados, que vai encontrando, sem que, no entanto, amadureça suficientemente as ideias para que possa integrá-las na complexidade da realidade, afinal, o objectivo último de qualquer trabalho historiográfico. É neste sentido que, em nosso entender, por exemplo, ainda se encontra verdadeiramente por fazer a “História da PIDE”, pese embora o estudo que a investigadora Irene Flunser Pimentel deu à estampa, precisamente com aquele (ambicioso) título.
            A própria descida aos arquivos tem de merecer cuidados redobrados dos investigadores, pois não sabemos até que ponto, por exemplo, o Arquivo de Salazar, na realidade um autêntico labirinto, foi ou não, de algum modo, filtrado pelo regime. É no entanto através da sua consulta, bem como das provas da censura, dos ficheiros da polícia política, da Legião Portuguesa, entre muitos outros possíveis exemplos, que poderemos surpreender o Estado Novo, já sem alguns dos seus mecanismos de cosmética, daí a importância que o estudo sistemático daquelas fontes poderá assumir.
            A elasticidade do Estado Novo resultou, em grande parte, do modo como Salazar soube, habilmente, dotá-lo de uma grande dose de subjectividade, onde tudo era possível, frequentemente nunca chegando a sê-lo, fórmula sintetizada pelo filósofo José Gil na célebre “retórica da invisibilidade”. De facto, lendo a Constituição de 1933 e explorando, por exemplo, o decreto-lei n.º 22.469, publicado em 11 de Abril de 1933, em que se refere que continuam sujeitas a censura prévia “as publicações definidas na lei de imprensa, e bem assim as folhas volantes, folhetos, cartazes e outras publicações, sempre que em qualquer delas se versem assuntos de carácter político ou social” teremos rapidamente uma imagem dessa subjectividade, propositadamente procurada por Salazar. Bastará para o efeito perguntar, ainda a propósito do referido decreto-lei: o que é que o regime entendia (ou podia entender) por “assuntos de carácter político ou social”? O que é que o regime entendia (ou podia entender) por “outras publicações”? Em sentido lato, tudo, mas mesmo tudo, lá podia caber, assim fosse considerado conveniente.
            Estado Novo: por detrás desta aparente singularidade, esconde-se um regime que foi sabendo readaptar-se aos novos tempos, travestindo-se em múltiplas operações de cosmética e escondendo-se debaixo da capa do não comprometimento. E tudo isso, até 1968, sob a égide de um líder que, curiosamente, talvez por considerar-se investido de uma missão “providencial” (expressão utilizada pelo historiador Filipe Ribeiro de Meneses, radicado na Irlanda, Dublin e que publicou recentemente uma biografia de Salazar), pouco mudou ao longo dos anos, parecendo aguardar que o futuro previsto ainda viesse a demonstrar que a sua cristalização tinha sido a melhor forma de proteger-
-se (e salvaguardar o país) dos nefastos ares trazidos pelos novos tempos, depois de 1945.
            A “ambiguidade” (Filipe Ribeiro de Meneses) bem como a inexistência de uma linha conceptual rigidamente definida imprimiram ao regime essa elasticidade que, afinal, virá a revelar-se fundamental para a sua perpetuação, institucionalmente durante 41 anos (1933 a 1974).
            Apresentado mais em função do que não era, do que em relação ao que objectivamente pretendia ser (recorde-se antiparlamentar, antidemocrático, antiliberal ou ainda a repetida fórmula “Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a Pátria e a sua História. Não discutimos a Autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a Família e a sua moral, não discutimos a glória do trabalho e o seu dever”.), o Estado Novo propunha-se, desde logo, acabar com a “balbúrdia sanguinolenta” da I República, implantar a ordem alicerçada num ideal de uma certa razão, em detrimento da emoção, facto bem visível, por exemplo, na insistência de Salazar em preparar e ler sempre os seus discursos, em clara oposição às intervenções inflamadas e mais ou menos espontâneas dos deputados durante a I República.
            A “ambiguidade” – retomemos a nossa linha de raciocínio – permitiu a Salazar não fechar as portas nas mais variadas (e por vezes antagónicas) frentes, pelo menos enquanto tal comprometimento lhe parecesse perigoso. É assim que poderemos explicar os seguintes aspectos, entre muitos outros: pelo menos numa fase inicial, muitos monárquicos continuaram a acalentar a esperança da restauração da Monarquia; o dia que marcou a implantação da República (5 de Outubro) continuou a ser um feriado histórico, durante o Estado Novo, ao contrário, por exemplo, do 28 de Maio; os nacionais-sindicalistas de Rolão Preto, amplamente identificados por muitos como membros do único movimento fascista português, foram rapidamente perseguidos e ilegalizados, sem que, no entanto, muitos dos seus filiados deixassem de ser habilmente integrados/anulados na Acção Escolar Vanguarda, propositadamente engendrada para o efeito…
            Curiosamente, Filipe Ribeiro de Meneses, o mais recente biógrafo de Salazar, que como já referimos publicou recentemente o livro "Salazar – A Political Biography", um volume com mais de 600 páginas sob a chancela da editora nova-iorquina Enigma Books, quando foi interrogado por uma jornalista do jornal Público sobre o aspecto que mais o surpreendeu na investigação que, ao longo de aproximadamente 7 anos levou a cabo, destacou a “necessidade de separar Salazar, enquanto homem de Estado e pensador, do Estado Novo. Muitas vezes falamos de salazarismo (um termo que ele abominava) e Estado Novo como sendo a mesma coisa: mas o Estado Novo nunca cessou de evoluir, enquanto as ideias de Salazar foram sempre mais ou menos as mesmas”. (Cf. http://forumpatria.com/desporto-musica-livros-e-lazer/'salazar-a-political-biography'-de-filipe-ribeiro-de-meneses/).
            A necessidade de sobreviver permanecia, assim, acima de qualquer ideologia que pudesse estar subjacente ou moldar o regime português. Bastará pensar, por exemplo, no caso italiano para compreender que, na realidade, a questão do regime político em que o fascismo podia desenvolver-se não era assim tão importante como à partida se poderia supor. Sob a égide de uma Monarquia ou de uma República, seria possível, afinal, perseguir a tendência totalitária e, em nosso entender, não é por acaso, a esse respeito, que o que aconteceu em Itália ao rei Victor Manuel III, após a subida de Mussolini ao poder, é em tudo idêntico ao apagamento a que foi votada a figura do Presidente da República em Portugal, durante o Estado Novo, pese embora o facto de, formalmente, até ao “terramoto delgadista” de 1958, aquele continuar a ser “eleito” e possuir sempre, nominalmente, maiores poderes que o próprio Presidente do Conselho, ao ponto de poder demiti-lo.
            Além da polícia política, da censura e do inequívoco apoio, a nível institucional, de estruturas como a Igreja e as Forças Armadas, entre outras, foi também esta elasticidade, construída pelo próprio Salazar, que possibilitou a sobrevivência do regime, muito especialmente depois da II Guerra Mundial e da decorrente vitória das democracias.
            Como facilmente se compreenderá, o historiador tem uma tarefa particularmente difícil quando procura vislumbrar, naquele constante jogo de sombras e de luzes, as “máscaras de Salazar”, para recuperar a bem conseguida expressão de Fernando Dacosta, num livro em que o autor, ironicamente, se deixou também ele encandear pelas próprias máscaras criadas pela propaganda do ditador… Para conseguir ver para além da fachada, digamos assim, é necessário um aturado e nem sempre frutífero esforço, que é como quem diz, uma demorada reflexão, acto que nem sempre se pode coadunar com as exigências da sociedade de consumo em que vivemos e onde, numa espécie de lógica neo-positivista, se exigem evidências a uma velocidade estonteante, o que, naturalmente, acaba por incluir todos aqueles que estão dependentes de uma bolsa para conseguirem investigar…
            Quase mensalmente, continuam a vir à luz do dia inúmeras publicações que têm como pano de fundo o Estado Novo e, mais especificamente, Salazar, que se tornou há muito uma marca de garantia de sucesso nas vendas. Ainda recentemente, o antigo Presidente do Conselho foi eleito num mediático concurso televisivo o maior português de todos os tempos, facto que não pode deixar de evidenciar, em nosso entender, pelo menos uma certa curiosidade, se não mesmo um certo fascínio. No entanto, filtradas essas publicações que facilmente encontramos em posições de destaque nas mais variadas montras editorais, poderemos rapidamente constatar que a grande maioria das páginas vindas a lume limitam-se a abordar a “petite histoire” do ditador, seja no que se refere aos seus romances (reais ou imaginários), seja no que se refere às suas anotações, agora transformadas, muitas vezes, nesse ímpeto editorial de atingir rapidamente o lucro, numa espécie de diário com contornos intimistas.
            Em nosso entender, pese embora o inestimável esforço desenvolvido por alguns historiadores, como sejam António Costa Pinto, Fernando Rosas, Manuel Braga da Cruz e, só a título de exemplo, Luís Reis Torgal, continuam ainda a escassear obras de reflexão sobre este período recente da História de Portugal, que almejem ultrapassar o exíguo círculo dos académicos e nos transmitam uma visão amadurecida e global sobre as múltiplas dimensões do regime português, ao longo dos 41 anos em que, institucionalmente, vigorou. Falta ainda fomentar e divulgar um verdadeiro debate nacional sobre o Estado Novo, cruzando os vários ângulos desta complexa realidade e promovendo, por exemplo, encontros frequentes entre os investigadores e o público em geral, no intuito de potencializar as memórias de quem viveu este período.
            A construção do Centro de Estudos António de Oliveira Salazar em Santa Comba Dão poderia representar um importante passo para que se reunisse no mesmo local um conjunto de investigadores, fontes/estudos que, na actualidade, se encontram dispersos, facto que, desde logo, dificulta sobremaneira a vida daqueles que, muito especialmente neste país, ainda ousam consagrar a vida ao estudo e ensino da História, quiçá na ilusória esperança de que assim ela não desapareça ou não se reconverta naquilo que alguns magnatas sempre desejaram. Talvez ainda seja possível acreditar que um dia, como referiu o historiador Luís Reis Torgal numa entrevista a Daniel Serapiglia, “o Homem — e não o sistema capitalista — [volte] a tomar conta da história”.
Renato Nunes
 

sábado, 1 de janeiro de 2011

Saudades de 2010

Saudades de 2010 !! Por vezes não compreendo se é bom se é mau ter saudades de algo. Não é fácil de descrever sentimentos que nos vêem de dentro e dar-lhe o valor necessário para que possamos sentir sua a falta.
Considero que as saudades de um ano revelam-se quando olhamos para trás e nos começamos a lembrar  de acontecimento  que ocorreram há pouco tempo e nos dá a sensação que foram há uma eternidade. Estas vicissitudes revolvem-nos a lembrança, nos apercebemos do quão é importante saborearmos a vida dia,  nos empenhamos em algo que nos dê gozo e percebermos o entusiasmo de termos conseguido ultrapassar um obstáculo.
Quando olho para trás e calcorreio os caminhos da memória, sobressaem os sorrisos de uma boa conversa, dias e noites de trabalho rentabilizados ou o prazer de uma boa leitura numa das maravilhosas paisagens que subsistem no nosso país.
Parece utopia esta ordem de ideias, no entanto considero que as dificuldades sentidas, devem ser observadas como impulsos, que nos permitirão crescer e perceber os meandros que sobressaem nas nossas vidas. Apenas a consciência das nossas potencialidades nos permitirão crescer de um modo sustentado, saborear cada momento, vividendo-o com intensidade  e sentir o significado da palavra saudade.
Neste ano de 2010 tão aziago no que respeita a acontecimentos, apercebo-me com satisfação a relativa estabilização da minha situação profissional, a que se adiciona a saúde e o suporte familiar.
Desejo a todos os leitores do blogue um 2011 carregado de saúde, trabalho, amizade, boas leituras e conversas enriquecedoras