Parece que o Governo insiste no propósito de
liquidar o feriado de 5 de Outubro, no dia que lhe quadra pelo calendário,
argumentando que ele pode ser comemorado no domingo seguinte. Que este Governo
insista nesta miserável proposta, não é, para nós, motivo de espanto. Quem nos
governa é um pobre e descerebrado bando de apátridas, um rebanho tecnocrata e
inculto de boçais, um coio de gentalha que nada sabe do País, da sua História,
das suas raízes, da sua Verdade essencial e da sua matriz eterna. Por aqui, portanto,
nada de novo. Mas o Governo não pode, só por si, levar por diante o seu
projecto antipatriótico sem o aval da Presidência da República. O titular desta
Suprema Magistratura terá de a confirmar, referendando o dislate governamental.
E é aqui que a cena anima. Porquê ? Porque será uma singularidade digna de
Molière espreitarmos o actual ocupante do Palácio de Belém no seu miserável
acto de referenda. Este PR e todos os demais só ocupam o cargo, só são
Presidentes da República, só detêm em si a sacralidade simbólica da suprema
representação de Portugal porque , num certo 5 de Outubro de 1910, houve quem
se tivesse batido de armas na mão, houve quem tivesse arriscado a vida, a
fazenda e a liberdade, para que as Instituições pudessem mudar, dando origem às
que hoje se encontram em vigência. Pelo que sabemos do Silva, temos como certo
que ele nem pestanejará na concessão da sua concordância. Era exigir-lhe
demais, se lhe fosse solicitado um acto de nobreza. Era uma demasia para a sua
vileza endógena, para a reles liga somática e anímica de que é feito. Assim,
aguardaremos sem expectativa mas com memória justiceira o dia em que o Silva,
renegando o património de Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Bernardino Machado,
Canto e Castro, Manuel Teixeira Gomes, Mário Soares, Jorge Sampaio e outros
(para quem quiser outros evocar), o dia, dizíamos em que o pedinte (é-o, sem
dúvida) de Belém, pagar ao Coelho e ao seu Governo o tributo da indignidade,
fazendo-lhe a vontade. Não foi por acaso que evocámos Molière. É que foi ele
que, através da figura imortal de Monsieur Jourdain, colocou no palco um ser
humano que "fazia prosa sem dar por isso". O Silva, no dia em que
empunhar a sua canetinha para "fazer o frete" ao Coelho, colocar-se-á
exactamente na posição homóloga à de Monsieur Jourdain. Ele será então, de
acordo com a sua vocação de sempre, Presidente da República ... sem dar por
isso.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Cultura Cívica
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
A magia da taça de Portugal!!!
O meu pai ensinou-me desde muito novo a gostar e a vibrar com a Briosa. Após o jogo, quando cheguei a casa estive, a folhear o livro da História da Académica e li atentamente as linhas que enunciavam com orgulho a vitória sobre o Benfica em 1939, na primeira taça de Portugal da História do futebol português. A Associação de Estudantes de Coimbra venceu, o poderoso Benfica por 4-3, contrariando as expectativas que davam um grande favoritismo aos que vestiam de vermelho.
Recordei as minhas primeiras visitas ao velhinho Estádio do Calhabé, onde senti, a verdadeira mística que ostentam aquelas camisolas negras. Lembro-me dos primeiros nomes que aprendi a soletrar, os tobagenhos Latapy e Lewis, Fua ou o eterno Rocha que eram alguns dos nomes que se destacavam no início da década de 90, estávamos então na antiga divisão de honra. Memórias que eu julgava perdidas, com a transformação do futebol num negócio, onde se perdeu a afinidade ao clube local e ganharam ascendente os designados “três grandes”, que asfixiaram o crescimento de todos os outros. É a lei dos mais forte, que tal como em todas as esferas, vigora também no futebol.
Já convivi neste Estádio, com esta moldura humana, no entanto não senti, como neste jogo, a força de um público, de uma cidade, de um distrito a torcer por um emblema. Com a urgência de aumentar as receitas, a direcção da Académica viu-se na necessidade de ter o máximo de adeptos no estádio, o que conduziu que se perdesse muito da mística que existia no velhinho Calhabé, onde as capas negras e os estudantes, que neste jogo voltaram a embelezar as bancadas, puxavam em uníssono rumo a um objectivo, a vitória.
É por todas estas razões, que eu considerei este jogo muito especial e me senti orgulhoso por ser da Académica. Houve taça, assim o futebol é bonito.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Maus caminhos
Fiquei a saber, graças a um magnífico artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público, que, na Hungria, o governo de direita nacionalista fez uma revisão constitucional de tal forma severa que, de futuro, se tornará praticamente impossível a outros governos seguirem políticas que não sejam nacionalistas, etnocentradas (o irredentismo magiar) e retrógradas nos costumes e valores. Pior, para além de a Cosntituição deixar de fazer referência à forma republicana, coloca a «nação» sob os auspícios de «Deus e da Coroa» e a forma como a comunicação social está manietada e controlada, os lugares do aparelho de Estado entregues, de forma blindada, a comissários políticos.
É verdade que não tenho visto televisão nem lido muitos jornais. Mas não me surpreenderia que esta deriva proto-autoritária no país de Horthy não tivesse merecido grande destaque...
De qualquer forma, fica mais esta nota desconfortante sobre os caminhos que se seguem no seio da UE, outrora vista como um notável projecto político.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
A primeira surpresa do ano

sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Divagações arbitrárias no culminar de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Lixo em directo
Arroto de Natal
Mensagem do Coveiro aos tontos.
Explicando o que quer dizer com democratização da economia, o primeiro-ministro utilizou a mensagem de Natal para afirmar que quer “colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas actividades, com os seus projectos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país”. E “que o crescimento, a inovação social e a renovação da sociedade portuguesa venha de todas as pessoas, e não só de quem tem acesso privilegiado ao poder ou de quem teve a boa fortuna de nascer na protecção do conforto económico”. Traduzindo a treta de Natal por miúdos, a “democratização da economia” de Passos Coelho é a concretização do sonho de fazer de cada português um precário sem direito a protecção no desemprego, de nos pôr a trabalhar mais de um mês à borla e subtrair-nos mais de dois salários por ano, de aumentar os impostos e os preços de serviços públicos essenciais como nunca ninguém aumentou, não se importar que isso traga atrás de si encerramentos de empresas em barda, uma aceleração record do desemprego e um recuo histórico do PIB, de vender empresas públicas ao desbarato e pôr-nos a pagar uma renda a quem as compre durante as próximas gerações, desmantelar os nossos serviços públicos para abrir negócios aos privados e, democracia das democracias, manter as grandes fortunas e o sector financeiro à margem de qualquer sacrifício, ao mesmo tempo que insulta quem sacrifica dizendo-nos para nos irmos embora do país e lembrando-nos que vivemos acima das possibilidades de uma riqueza que nunca provámos. Prefiro não escrever mais nada. Sinto-me insultado sempre que este tipo abre aquela boca.
Actualização: na meia hora a seguir a escrever este post, no facebook, recebi mais dois pedidos na aplicação Castle Ville e um noutra palermice do género. Afinal, deve estar tudo bem.
Texto retirado do blogue O país do Burro em 25 de Dezembro de 2011
PROLETARIZAÇÃO, PERDÃO, DEMOCRATIZAÇÃO DA ECONOMIA
O Primeiro-ministro enfatizou duas ideias na comunicação natalícia e de ano novo, 2012 será um ano de mudança e de “democratização da economia”.
Relativamente à mudança não restarão grandes dúvidas face ao que já conhecemos e ao que se espera conhecer. Os aumentos já decididos em vários serviços e bens, os cortes nos apoios sociais envolvendo diferentes áreas, o aumento de impostos, etc., etc., mostram com de facto 2012 vai ser um ano de mudança, na linha, aliás, do muito que na vida de muitas pessoas já aconteceu, cito, só como exemplo, o aumento já verificado e ainda previsto no número de desempregados.
Por outro lado e relativamente à “democratização da economia”, a perspectiva, até de acordo com gente insuspeita, creio podermos esperar é mais provavelmente uma via de proletarização da economia, aliás, o próprio Primeiro-ministro já enunciou que o caminho é o empobrecimento.
Aumento da carga horária sem alteração de vencimento, corte de dois vencimentos em toda a administração e nas pensões e reformas, flexibilização do emprego, abaixamento do tempo e montante dos subsídios de desemprego, entre outras medidas anunciadas ou previstas que assentam, sobretudo no abaixamento dos custos do trabalho como forma de financiar a economia, ao abrigo da incontornável competitividade, conduzirão, é reconhecido pelo próprio governo, a uma fase recessiva grave que não se percebe com sustentará uma “democratização da democracia”.
Provavelmente, ”democratização da economia” quererá dizer que o acesso à pobreza e às dificuldades é mais equitativo, ou seja, franjas como a chamada “classe média” podem agora aceder à pobreza em situações de maior democratização.
A pobreza já não é uma condição só acessível a alguns, agora e em 2012 muitos de nós já vamos poder ser pobres.
Gostava de estar errado.