terça-feira, 19 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Portugal: que caminho?

Nestes dias de Abril, a incredulidade vai-se apoderando de mim. Com a bancarrota à espreita, vêm-me à memória os terríveis anos que anunciaram o final do século XIX em Portugal. Nessa época, o Estado não conseguiu cumprir muitas das suas obrigações económicas, foi forçado a abandonar o padrão-ouro (sensivelmente, o equivalente ao nosso Euro) e contraiu um empréstimo, cujo pagamento apenas concluímos recentemente, mais de 100 anos depois…

A entrada do FMI em Portugal anuncia medidas absolutamente drásticas para a população e, invariavelmente, serão os mais desfavorecidos a pagarem os efeitos da impunidade política que grassa por aí. Lá fora, os comentários que a toda a hora se fazem e escrevem sobre os portugueses dificilmente poderiam ser piores.

Se, porventura, a unanimidade não for atingida dentro da União Europeia (UE) e o nosso país não começar a receber os empréstimos que o momento exige, será, verdadeiramente, difícil imaginar até que ponto poderemos descer. Vários movimentos nacionais europeus contestam a injecção de capital em Portugal e até já existem economistas que sustentam a nossa saída da UE.

Caso Portugal abandone o Euro, prevê-se o rebentar do caos. Se, neste momento, a Europa quiser expurgar-se eliminando um dos elos mais fracos (depois de, estrategicamente, pagar para as periferias se autodestruírem…) dificilmente antevejo uma posterior intervenção, a qualquer nível, em território nacional. Ora, com o agravamento exponencial do desemprego, com a ausência de dinheiro para pagar aos funcionários públicos e cumprir as demais obrigações do Estado (acabo de conversar com um jovem da minha idade que, com os olhos arrasados de água, me testemunha na primeira pessoa o drama de já não receber salário há vários meses…), com a falta de alimentos, a inevitável desvalorização da antiga moeda, o corte de água potável e de electricidade, entre muitas outras possibilidades, o poder poderá voltar a cair nas ruas.

O caos poderá estar iminente. E, no entanto, as sondagens mais actuais trazem-me previsões absolutamente inquietantes, que me levam a perguntar: onde está a memória dos cidadãos do meu país? Onde se encontram, afinal, os cidadãos do meu país?

Ontem como hoje, apesar das “Farpas” do Eça de Queirós e de tantos outros, os cidadãos continuam perigosamente adormecidos. Como diria José Gil, “nada se inscreve” e, consequentemente, os grandes responsáveis pelos anos dramáticos que nos preparamos para, verdadeiramente, começar a enfrentar insistem em pavonear-se impunemente, reinventando congressos/comícios, onde a (poderosa) lógica sofista, aplicada aos novos tempos dos mass media e da informática, é habilmente explorada para fazer crer aos mais incautos que a responsabilidade tem, afinal, outros donos.

Neste país (nesta União Europeia) do faz-de-conta, a irresponsabilidade e a impunidade não podem continuar a grassar. As Democracias têm este facto extraordinário de permitir que os povos exijam a mudança, venha ela de onde vier. Se há manifestações da “Geração à rasca”, é altura de promover manifestações pelo início da responsabilização criminal de todos aqueles que nos governam. As palavras já não são suficientes. É necessária justiça, efectiva.

A desilusão e a descrença tomaram conta do meu país. Otelo Saraiva de Carvalho, um dos rostos mais conhecidos da “Revolução dos Cravos”, acabou de anunciar que se soubesse como o país ia ficar, não teria feito a Revolução (Público, 14 de Abril de 2011).

Em meu entender, a solução para o grave problema que enfrentamos não passa por responsabilizar a Revolução e camuflar as consequências dramáticas que resultaram do longo período em que Portugal viveu sob a égide da ditadura fascista. Isto para não recuar mais no longo poço da existência nacional e resgatar “As causas da decadência dos povos peninsulares…” – parafraseando o título do extraordinário discurso de Antero de Quental, em 1871 – que também nos ajudam a compreender o que hoje somos e/ou não podemos ser…

Quando, em 1933, Franklin Roosevelt pretendeu tirar os EUA da Grande Depressão, que já havia atirado para o desemprego milhares de pessoas, teve necessidade de basear-se num economista britânico, de seu nome John Keynes (hoje, quase votado ao ostracismo pelos Manuais de História). As ideias de Keynes, profundamente originais para a época, levaram Roosevelt a promover, entre outros aspectos, a intervenção do Estado na economia.

Hoje, numa profunda lógica salazarista, a tendência nacional e europeia continua a incidir, invariavelmente, no aumento dos impostos e na redução das despesas públicas. Ora, será necessário tirar um curso universitário para colocar em prática estas medidas? Aos políticos não se exigirá muito mais?

Se a resposta à questão anterior for positiva, talvez estejamos na hora de definir outros critérios para ascender à parte mais alta da pirâmide política, ou seja, de renovar o próprio sistema. Concretizando: o mérito, o trabalho e o percurso de vida deverão passar a ter um peso efectivo na chegada ao mais alto patamar da vida pública nacional, em detrimento do actual carreirismo… Ao contrário do que poderemos pensar, a Democracia não é um regime inacabado, necessita de ser constantemente reinventado e aperfeiçoado. Ao matar as utopias, a lógica moderna, que tudo subjuga aos cifrões, matou também a imaginação e o sonho, fundamentais para aprender a “pensar fora da caixa”… e do sistema.

Mas, bem o sei, as regras não vão mudar de cima para baixo, pois quem, efectivamente, se perpetua no poder não está minimamente interessado nisso. É aqui que entram (que podem entrar) os cidadãos, quando, efectivamente, eles existirem…

O poder local, se conseguir mobilizar os cidadãos, na restrita área das suas freguesias, dos seus concelhos, pode assumir um papel decisivo no futuro imediato deste país.

Numa era da propalada globalização, é preciso descer ao terreno e sentir as pessoas, promover encontros/debates, ouvir os problemas e aspirações das nossas gentes… ajudar, lentamente, a nascer cidadãos.

A esperança é reduzida? A mudança será ínfima? O meu optimismo é manifestamente escasso? O estudo da História não me dá ilusões e a resposta terá, necessariamente, de ser afirmativa. Mas reside aqui a única alternativa sustentável que, a médio e longo prazo, ainda consigo vislumbrar para um país extraordinariamente rico do ponto de vista geográfico, histórico... mas tão pobre ao nível dos seus governantes máximos, mais empenhados em criar “carneiros” prontos a segui-los do que cidadãos capazes de fazer crescer a nação.

Que o mês em que se comemora Camões e, em última instância, Portugal represente, verdadeiramente, o final de um ciclo conjuntural. Aí, nesse mês, nesse dia, nessa hora, nesse minuto, a responsabilidade é única e exclusivamente nossa. Demitir-se dessa obrigação é desistir do país, é permanecer indiferente ao nosso próprio destino, individual e colectivo. Em meu entender, o cerne de “Abril” ainda reside aqui.

Renato Nunes


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não é que não suspeitássemos...

Mas estas coisas ditas por estrangeiros até que têm mais credibilidade, não é?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Internacionalização do Mundo

Ouvi indefinidamente o testemunho do senador Cristovam Buarque sobre a Internacionalização da Amazónia.
Vou deixar aqui um breve comentário pois na minha opinião o discurso do senador é muito claro e objectivo.
Actualmente fala-se muito de Globalização, da Universalização de modos de vida, na sobreposição das culturas mais influentes sobre as mais fracas. Aborda-se pouco a possibilidade da universalizar os nosso bens como a água e o petróleo, e mais a possibilidade de os privatizar e controlar avidamente até à sua extinção. As consequência estão à vista.
Este testemunho alertou-me para o problema das alterações climáticas, a progressiva extinção dos recursos em consequência da sua sobre exploração e o aumento das desigualdades socioeconómicas entre os países.
É preciso agir de um modo Universal onde haja uma maior entre-ajuda e um menor peso das grandes potências económicas na gestão do Mundo e dos países. Deixemos que o Mundo seja das pessoas, que o saibam gerir de uma forma mais consciente onde o interesse económico não se sobreponha ao social.  

sábado, 9 de abril de 2011

O Presidente da República

Bem se o Presidente da República não tem o papel de promover o consenso entre os partidos, em situações como as vividas actualmente, não percebo a sua função.
Bom se calhar vistas as coisas tem um papel, divulgar Portugal pelo Mundo,dando a conhecer as suas valências. No entanto apercebo-me que nem isso o nosso Presidente faz. Como é que é possível vir pedir "imaginação" a Bruxelas na resolução da dívida portuguesa. Isso na minha opinião é passar um atestado de incompetência ao Governo e às capacidades do país.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

O Presidente da República e o consenso nacional

Conturbados pensamentos envolvem o país numa crise política e social, onde cada um tem uma opinião para a resolução de tão difícil situação económica. Exactamente o oposto do que deveria  ser a realidade. O país precisa de uma união, de um entendimento partidário e ideológico, tendo como objectivo a resolução dos seus problemas.

O Presidente da República, como representante máximo do país deve promover o incentivo à união partidária e não espicaçar a  rebelião popular  e  partidária, com o intuito de provocar uma instabilidade como ocorreu no seu discurso de tomada de posse.

Em situações como as vivida actualmente cabe ao Presidente da  República, o papel de proceder a um entendimento entre os partidos, escolhendo um governo de Salvação Nacional onde serão definidos representante de todas as facções partidárias representadas na Assembleia da República.

Infelizmente a situação foi a dissolução da Assembleia da República e a realização de eleições  antecipadas, no próximo dia 5 de Junho. Espero estar enganado mas antevêem-se períodos conturbados, vai haver o aperto do cinto, e o aumento das politicas austeras. Vamos lá ver se desta vez há a descida do défice e o crescimento económico.
 

sábado, 26 de março de 2011

Antes rainha um dia....


Que Pedro Passos Coelho é um dos líderes new age, fresco, yuppie, que sabe o valor da imagem e da comunicação, ninguém duvida. E também não serei o único a pensar que o homem é uma vacuidade onde a linguagem pseudo cifrada dos negócios e da gestão substituiram a política (ou nela se tornaram). Com efeito, depois da mão cheia de nada que foi a entrevista de ontem à SIC, em que um discurso completamente oco e redondo fez as vezes das propostas que obrigatoriamente teria de apresentar, só me ocorre que o acto de deitar abaixo o engenheiro foi a vontade súbita de ir ao pote. E esta mudança táctica só tem uma explicação: os impulsos impacientes das hostes do partito que, quais legionários desejosos de saque e glória impulsionam o líder para o confronto para tomar o poder. Assim acontecia, por exemplo, com as legiões romanas no período da anarquia militar que impeliam o respectivo general para assumir o Império, um cargo à altura perigoso em que os imperadores caíam sucessivamente às mãos dos seus challengers. Porquê correr, então, o risco? É que a alternativa à provável morte sacrificial no poder (ou a tentar conquistá-lo) era a certeza do apunhalamento pelos seus...

quinta-feira, 24 de março de 2011

That's All, Folks!


Laranja Mecânica




Não defendo este governo nem este PM. Pela sua chico-espertice, pelas suas traições, por ser um governo deste PS third-way, com tudo o que isso implica de capitulação perante uma UE arquitectada no mais tacanho monetarismo, numa UE que o é cada vez menos.


Dito isto, também devo afirmar que não me sinto particularmente eufórico. Vêm aí anos de chumbo. O onanismo neoliberal já estará a provocar sonhos molhados em muita malta yuppie ou mais entradota: Passos Coelho tentou rever a constituição com a mão invisível, deu-se mal. Voltará ao mesmo, agora a coberto do FMI e do «desbaratamento das Finanças Públicas» provocada pelos socialistas». E o povo aplaudirá a vergasta. Eu não.

sábado, 19 de março de 2011

No Country for Old Men


Passa hoje uma semana da grande manifestação da «Geração à Rasca». Interessante pelo seu carácter inorgânico e desalinhado onde os únicos que destoaram foram os partidos políticos que tentaram colher dividendos, em especial os energúmenos do PNR.

Prometia ser uma manif da youth mas acabou por ser um protesto intergeracional contra os incumbentes do mando político e económico que mancomunadamente nos vão vilipendiando neste austeritarismo.

Como se esperava, os profissionais do comentário, normalmente burgueses instalados ou malta pertencente a uma elite manhosa, trataram de malhar duro nos propósitos e nos participantes da manif, desde mimados a preguiçosos com escala na incapacidade de compreenderem os novos tempos, por sinal brilhantes, segundo parecem dizer...

Por outro lado, os economistas da ortodoxia logo vieram dizer que a responsabilidade do «estado de coisas» deve ser assacada à «geração» rapace do 25 de Abril que pretendeu, de forma gulosa e egoísta, captar os recursos para lhe assegurar um conforto incomportável através da mimetização dos modelos europeus de protecção social e que, de défice em défice, foram transferindo a dívida para a geração seguinte... Dividir para conquistar, pois claro! Novos contra os velhos que foram egoístas e, portanto, abdiquem de qualquer noção de protecção social e de solidadriedade contratualizada intergeracionalmente que o que está na moda é o survival of the fitest e toda a velha tralha spenceriana apresentada como último grito. Uns contra os outros para que outros em nada se incomodem com a construção de uma sociedade mais decente.

Mas esta gente quem pretende enganar, afirmando despudoradamente que os problemas actuais radicam no delírio de que foi uma geração que roubou a outra? Em qualquer país com organização social decente os velhos e os inválidos não são lixo!

terça-feira, 15 de março de 2011

As consequências do desastre Nuclear no Japão

Citando uma declaração de Miguel Sousa Tavares, hoje à noite no Jornal da Sic "o Japão tem dezenas de centrais nuclear, que o abasteciam em 1/3 da sua energia consumida. Nesta fase todas as centrais nucleares cessaram as suas funções. O Japão é uma potencia económica e industrial, uma vez não tendo energia nuclear vai ter de recorrer ao petróleo, aumentando desta forma a procura e o preço"

Por muito que pensemos que o Japão está a milhares de quilómetros de distância, apesar de felizmente não sermos atingidos pela radiação proveniente das centrais nucleares iremos sentir na pele toda esta situação com o aumento do preço dos combustíveis e não só.

sábado, 12 de março de 2011

Parabéns à Revista Ler- 100 edições

No número de Março a revista "Ler" atingiu as 100 edições. Desde 1987 a Revista "Ler" tem difundido a literatura e a cultura em Portugal. Com os seus altos e baixos próprios de uma publicação que sobrevive sem grandes apoios, esta revista com um nome elucidativo, apresenta na qualidade dos seus textos o trunfo para o sucesso.Venham mais 100, 200, 300... Portugal e a Cultura agradecem!!!!
Vejam o Blogue da revista.





sexta-feira, 11 de março de 2011

Esquerda moderna




Há que ser moderno e mandar os velhotes às urtigas... porque o mundo mudou... porque acreditamos no futuro... porque não temos preconceitos ideológicos...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sic Semper Tyrannis


Assim sempre aos tiranos.

Sófia e Bucareste condenadas a ficar à porta

A Roménia e a Bulgária são as ovelhas negras da Segurança da União, sendo vetada a sua entrada no Espaço Schengen.

As razões da não entrada no Espaço Schengen da Bulgária e Roménia,  prendem-se com questões de imigração ilegal, da impossibilidade do controlo de fronteiras assim como devido à corrupção e crime organizado que imperam nestes dois países de leste.

O vídeo da euronews revela esta recente decisão da União Europeia.

Boa descoberta

http://oblogouavida.blogspot.com/

domingo, 6 de março de 2011

A Democracia

A Democracia, um conceito muito referido nos dias que correm em consequência das Revoluções magrebinas, não é algo fácil de definir. O Mundo Global em que vivemos leva-nos a estar continuamente informados e a perceber facilmente através do acesso à televisão ou à internet ,aquilo que se passa nos países mais desenvolvidos, e consequentemente fazer uma natural relação com a situação vivida no nosso país. Não é por acaso que as rede sociais foram um dos principais impulsos, desta rebelião que alastrou no Norte de África.
O poder do capitalismo e da especulação beneficia cada vez mais as grandes potências e esquece os mais desprotegidos. A demagogia utilizada pelas instâncias políticas democráticas, é uma das principais armas da perpetuação no poder. Um pequeno vídeo demonstra de uma forma muito clara a importância dada
pelos políticos à demonstração da obra feita ou do poderio do seu país perante os restantes. Nos dias de hoje como é demonstrados através dos lideres que se encontram há mais tempo no poder, não há dúvidas da importância do "saber" enlevar os seus eleitores.
O que tem alastrado nos países do Magrebe é que as populações cada vez mais letradas e com o conhecimento do que se passa na Europa nos Estados Unidos e no Mundo se começam a aperceber a das diferenças e das míseras condições de vida em que vivem.
Todas estas situações nos fazem questionar muitas coisas entre as quais se o significado de democracia termina apenas no acesso ao voto ou vai um pouco mais além, como a possibilidade de nos podermos expressar e demonstrar a nossa opinião.
Ainda sobre democracia deixo o testemunho do saudoso e sempre quezilento José Saramago, notoriamente de esquerda e avesso a muitas decisões tomadas nas altas esferas políticas mundiais.

Para a melhor percepção do vídeo anteriormente mencionado consultem esta hiperligação  
 

sábado, 5 de março de 2011

O Sol Bailou ao Meio Dia- A criação de Fátima

O Sol Bailou ao Meio- Dia - A criação de Fátima. O livro de Luís Filipe Torgal que desvenda alguns dos mistérios  das aparições de Nossa Senhora de Fátima.

O Livro com prefácio de Fernando Rosas, é apresentado na Bertrand do Dolce Vita de Coimbra no próximo dia 19 de Março.

Fica aqui o convite à presença de possíveis interessados.