quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Peripécias no refeitório

 Ao jantar a mãe questionou o Duarte " Na escola bebes a sopa?". O Duarte de uma forma repentina disse " Quando eu estava a almoçar as funcionárias disseram, aqui não se bebe a sopa. A partir daí nunca mais bebi a sopa."  A mãe continuou a conversa e perguntou " Em Travanca bebias a sopa?. "Sim mãe em Travanca bebia a sopa e não me diziam nada" respondeu o Duarte. Ooohh mas em Travanca a sopa era passada disse a mãe. O Duarte retorqui mencionando que em Travanca a sopa era igual à da escola de Oliveira. 

Bem Duarte sendo assim tens de respeitar o que te dizem. 

Mãe eu depois de me dizerem que aqui não se bebe a sopa, eu nunca mais bebi.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Brincadeiras em casa

Em casa o Duarte ocupa os tempos livres de diversas maneiras. Por vezes as brincadeira são originais e diferentes. O que torna tudo deliciosa é a forma entusiasta com que ele demonstra o êxito do que conquistou que conseguiu inventar uma brincadeira e entreter-se.

Eu fico feliz por ele ter realizado esta brincadeira, 


  

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Brincadeira no recreio

 Hoje o Duarte descreveu a forma como brincou no recreio. Achei a brincadeira muito original, passo a descreve-la:

O Duarte com mais três amigos utilizaram um pneu. Três deles estavam em fila e um atirava o pneu a rebolar na direção dos três amigos. Os três amigos que estavam em fila tinham que abrir as pernas e saltar por cima do pneu. Os mais pequenos que não conseguiam saltar por cima do pneu alçavam a perna. O que atirou o pneu tinha de ir a correr para o fim da fila para também ele saltar ou alçar a perna possível do pneu.

Objetivo do jogo todos passarem por cima dos pneus. 

terça-feira, 26 de setembro de 2023

O castigo

 Enquanto adormecia o Duarte ontem tivemos uma conversa antes deste adormecer. O Duarte com um ar muito sério disse: "pai eu hoje devia ter ido de castigo e não fui". Eu perguntei "Então porquê filho?" ao que o Duarte respondeu "a professora que quem não tivesse acabado os trabalhos no caderno perdia uns minutos do intervalo". Eu continuei a conversa e perguntei " Ficou alguém no intervalo na sala por não ter cumprido as tarefas pedidas pela professora?". O "Duarte disse " sim ficaram alguns".

Eu acabei por lhe dizer que o que ele fez é acertado e reconhecer quando não conseguimos cumprir as nossas tarefas. Lembrei-o que cada um tem o seu ritmo de aprendizagem e que o importante é não estar distraído enquanto a professora explica. 

O meu filho vai no bom caminho.

O peixe está encaixado

 Hoje à noite numa conversa na casa de banho. O Duarte tem muito o hábito de ir à casa de banho durante o jantar. Hoje saiu-se com esta, "mãe o peixe que hoje comemos estava encaixado." "Encaixado?", perguntou a mãe. O Duarte disse  "mãe o peixe que nós comemos estava dentro de uma caixa por isso estava encaixado". A Mãe sorriu e disse que o peixe estava dentro de uma lata, por isso estava enlatado.

A língua portuguesa é muito traiçoeira.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Fim de semana diferente

Este fim de semana fomos ao Luso e desfrutámos de mais um aniversário das Invasões Francesas aquando da sua passagem pelo Bussaco. 

No Sábado fomos ver um teatro onde foi contracenado um episódio que narrou as vivências do povo do Bussaco aquando das Invasões Francesas. O Teatro começou com um ator aos gritos mencionando que vinham lá os franceses. O Duarte assustou-se dado o aparato inicial da cena.

O teatro consistiu na fala de várias mulheres onde estas expressavam os seus medos, mas também a cobardia do rei que persentindo a chegada dos franceses fugiu para o Brasil. 

No Domingo à tarde fomos assistir a uma atuação mágica na tenda dos saltimbancos. O Duarte adorou e até ajudou na realização de uma magia. Depois da magia indiquei ao Duarte que este podia ir ao insuflável ao que este saltando de entusiasmo foi a correr até ele, Ele subiu e desceu várias vezes o escorrega insuflável. 

O Domingo à tarde terminou com a audição do espetáculo dos cavaquinhos. 

E assim se passou o fim de semana. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

reflexões

 Nesta fase do ano letivo ainda me custa aguentar o ritmos frenético das aulas. Nós começamos às 9:00 e faz-nos falta um intervalo mais prolongado. Hoje entrei às 9:00 e só terminei às 13:30 com intervalos de apenas 5 e 10 minutos entre as aulas. Faz-me falta um intervalo de 20 minutos a meio da manhã como acontecia o ano letivo passado. Enfim não se pode ter tudo, o ano passado entrava às 8:20 e este ano entro   às 9:00.

Este ano letivo tenho a sensação estranha de estar perto de casa e a maior parte dos meios colegas morar a uma distância superior à minha. Ainda me estou a habituar a esta realidade.


Conversa entre a Pilar e o Duarte

 As conversas sobre a escola acontecem de forma espontânea, Ontem a mãe começou por dizer que a Pilar era um pouco cusca. A mãe iniciou desta forma a pequena conversa "falas com ela nas aulas" e o  Duarte disse " eu durante as aulas estou calado a ouvir a professora" de pois desta frase o Duarte disse " A Pilar disse-me que um do 3º ano andou à bulha com um do 1º ano".  Depois de ter sabido desta novidade através da Pilar o Duarte perguntou-lhe como ela descobriu ao que ela respondeu "ouvi falar".

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Conversas no recreio

 O Duarte fala imenso e às vezes conta histórias curiosas. No fim de semana o Duarte quando estava na casa de banho estava pensativo e a mãe perguntou-lhe "já tens namorada?" ao que o Duarte respondeu "Ainda não escolhi se calhar na próxima semana vou juntar todas as raparigas da minha turma" e a conversa continuou "Estava a falar com a Pilar e o Leo disse já tens uma namorada". O Duarte retorquiu "Só estou a falar com ela". Bem no fim desta conversa a mãe pontuou a conversa " Olha se as juntares as todas quando escolheres não digas a todas chama-a à parte" 

Conversas ao almoço

Hoje almocei no "marmitório" da escola. A manhã foi cansativa e soube-me bem aqueles minutos que no fim me apercebi que foi uma hora. Com a  proximidade de casa apercebo-me que as minhas colegas conhecem as mesmas pessoas que eu. Durante o almoço falei mais uma vez do Luso, desta vez sobre "A sardinha fora da lata" e do requinte da sua comida. Na minha há imensos colegas de Coimbra e da zona de Aveiro que fazem muito mais quilómetros do que eu, é uma sensação estranha, foram muito anos de precariedade e este ano tenho este presente. É bom estar em casa meia hora depois de terminar as aulas.  

domingo, 17 de setembro de 2023

O nosso Sábado

 No sábado acordou mais tarde depois de dois dias onde acordou cedo e correspondeu positivamente aos anseios dos pais sobre as manhãs de escola. O Duarte cresce rápido.

Neste sábado chuvoso, ficou logo descartada a minha ideia matinal de ir jogar ténis. Recentemente tenho ido jogar ténis com o Duarte e tenho-me divertido a vê-lo crescer nesta modalidade. Ele vai a todas muitas vezes sem ser preciso o incentivo paterno. 

Ainda antes do almoço o Duarte fez os trabalhos de casa com a supervisão dos pais. Apesar das distrações que fazem parte da idade, tentou contornar a realização da tarefa iniciada focando-se noutras coisas, levantou-se por várias vezes para realizar outras  tarefas que gostava mais de fazer. O mais importante é que passado quase uma hora conclui com inteiro sucesso a tarefa pretendida.

O Duarte esteve teve um bónus, o Gaspar veio cá passar o fim de semana e ele teve a tarde todo com o "pimo". O Duarte gosta muito de estar com o "pimo", e o "pimo " com ele. Quando estão os dois há risadas brincadeiras e boa disposição. O Duarte tem muita paciência para brincar com o primo e adapta-se às brincadeiras com menos 4 anos de idade. 

O Duarte tem o problema de dispersar com coisas que lhe são mais aprazíveis de fazer, correr atrás de um balão, brincar com uma bola, simular que é guarda redes atirando a bola contra a parede e defendo são tarefas que repetidas muitas vezes levam os pais ao desespero. Temos de aprender a saber lidar com ele e ele connosco.

As conversas durante as refeições são ricas. Ao jantar a conversa divergiu para a música. Falámos que este fim de semana vem cá a Maria João no entanto infelizmente devido à distância, ao mau tempo e também não ser o nosso género de música preferido não iremos.  Congratulo o município por conseguir trazer cá uma artista de tamanho renome. Já na parte final da refeição acabei por falar da deslocação do novo  projeto musical da Capicua "Mão verde II" O grupo irá à Covilhã no próximo dia 7 de Outubro. 



Neste sábado dia 16 de Setembro foi à Covilhã o grupo "Birds are Indie". Um grupo português que canta em inglês música pop rock.


sábado, 16 de setembro de 2023

Os primeiros dias de Escola do Duarte

O Duarte entrou em mais uma fase da sua ainda curta vida, começou o primeiro de escolaridade.
O dia da apresentação foi o reviver do amigo Leonardo, os abraços foram muitos e a ternura do reencontro foi enternecedora. A apresentação da professora demasiado extensa conduziu a uma maior agitação de crianças e pais na parte final da sessão. Foi o dia da apresentação e reconhecimento dos pais e principalmente dos futuros colegas durante o primeiro ano de escolaridade.

O segundo dia coincidiu com a sexta e foi o primeiro dia de aulas a sério. A ansiedade era visível nos pais e também no Duarte. A noite foi agitado no entanto o acordar foi tranquilo, o Duarte foi um Senhor. Os nossos receios não se confirmaram e o Duarte acordou, vestiu-se e ainda não eram 8:30 e já estava a tomar o pequeno almoço. A avó Paulita levou-o à escola e entregou à auxiliar os muitos materiais que a professora pediu. O dia decorreu com normalidade. O barulho foi o que mais fez impressão ao Duarte. A mudança de uma escola pequena com pouco mais de 20 alunos fez impressão àquela cabeça pequenina que infelizmente tem já alguns problemas de audição e é sensível quando o barulho é maior. 

Não há muito mais a acrescentar, AAAHHH no final do dia de dois amigos o grupo do Duarte passou a incluir o Issaacc. Outra coisa no intervalo devido ao imenso barulho o Leo não ouviu a campainha e o Duarte é que o foi chamar para ele regressar às aulas.   

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Conversas com o Duarte sobre a escola

 Ontem tive uma conversa sobre a escola com o Duarte. Tentei explicar-lhe as mudanças que o esperavam no próximo ano letivo. Hoje digeri melhor o que lhe disse e apercebi-me que exagerei ou melhor temos exagerado um pouco na forma como estamos a alertar o Duarte. Referimos apenas as diferenças negativas do primeiro ano quando comparado com a pré escola: Tem de estar sentado numa sala, ouvir com atenção a professora e que irá passar a ter que fazer atividades em casa. 

Ele perguntou-me no final da conversa com um ar tristonho, " mas as atividades não são todas feitas na escola"

Amanhã será o primeiro dia de escola do Duarte.


terça-feira, 12 de setembro de 2023

O autocarro do Duarte


 Neste início do ano letivo andamos num reboliço a tentar adaptar-nos aos novos ritmos das novas escolas. O Duarte acaba por sofrer na pele este stresse que reina sobre nós pais professores.

Noto-o a crescer e a ser mais autónomo. Ontem eu tinha que estar na escola entre as nove e as nove e meia. Ele acordou às 8:15 vestiu-se e pouco depois das 8:30 estava quase pronto para sair. Já é um menino grande.

Depois do jantar eu sentei-me no sofá junto do Duarte e este disse-me, pegando num cabide, este é o volante e eu vou conduzir-te no meu autocarro. Eu lá acedi na minha sonolência e disse-lhe que pretendia ir para o Porto. Ele perguntou-me para onde ao que eu respondi para o café Porto.

Após me ter sentado um pouco no sofá e passado pelas brasas enquanto ia para o Porto fui sentar-me um pouco ao computador a adiantar tarefas da escola.

Enquanto estávamos ambos a trabalhar no escritório ele veio ter connosco e pediu por várias vezes para o ajudar a utilizar a fita cola, pois à medida que ele estava a fazer as colagens com fita cola, a ponta insistia em colar-se e ele não tinha dedos para a retirar. 

Passado uns instantes vem ter connosco e chamou-nos, pais venham à sala rápido. Vejam o que é que eu fiz no sofá. Quando chegámos observámos com atenção o sofá e observámos que ele tinha colocado a matricula e os faróis dianteiros na parte dianteira(lateral) do sofá e a matricula e os faróis traseiros na outra parte do sofá.

Achei delicioso!

Conversas no Multibanco

 Na passada sexta feira fui ao multibanco fazer o pagamento anual do Jornal do Fundão, no entanto o pagamento não estava a dar e estivemos ali uns minutos. 

A seguir a mim estava um senhor para pagar a eletricidade que infelizmente também não conseguiu fazer o pagamento naquele multibanco.

Naqueles minutos houve uma breve conversa entre o Duarte e o senhor:

Senhor: Então vais para a escola

Duarte: Não me recordo o que o Duarte, penso que fugiu ao tema. 

Senhor: Moras em que rua?

Duarte: Rua Alexandre Herculano

Senhor: Moro na rua Brás Garcia de Mascarenhas, mesmo pertinho de ti. 

Duarte: Tu és carteiro

Senhor: Sim sou, tenho o fato, só estou de bermudas 

Duarte: És Zé ou Miguel 

Senhor: Sou Zé mas se me chamares Miguel eu não me importo


Achei muito interessante a espontaneidade do Duarte, quando interpelado por adultos. Neste caso conhece o senho há pouco tempo, o carteiro Zé (admito que eu não sabia o nome dele), tem uma relação mais próxima e duradoura com o carteiro Miguel daí a sua confusão.

Naquele dia falámos com o Antero que relembrou o meu pai que no dia 17 de Setembro de 2023 vem a Aldeia das Dez a Maria João. Um acontecimento inédito.




 


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Um breve regresso à escrita.

 A tarefa de escrever tem sido cada vez mais difícil. Este ano não terei que alugar casa e consegui algo que não sonhava que o conseguisse tão cedo, entrar no quadro e ser colocado numa escola a 30 e poucos quilómetros de casa. 

A gestão das minhas emoções não é nada fácil. Eu olho demasiadas vezes para trás, vejo um passado pesado. Este ano letivo não começou como eu desejava. No dia da apresentação faltaram-me as conversas descontraídas que tinha em Vendas Novas. A passagem por Vendas Novas, principalmente no segundo ano fez-me muito bem, arrisco-me a dizer que foi das poucas escolas onde trouxe amigos que irão ficar para a vida. Quando olho para trás sinto que tive um ano muito difícil mas apoiei-me nos sorrisos e na força dos colegas, evolui muito enquanto docente. Nas viagem de mais de três horas que fazia recordo que pensei que ainda não me fui embora mas já estou com saudades. A empatia conquista-se e eu sinto que consegui deixar o meu sorriso e humildade em muitos dos meus colegas. Naquele local eu gostei de ensinar, senti-me feliz,  partilhei opiniões, fui ouvido e respeitado.

Agora avizinha-se mais um desafio difícil. Eu tenho de aprender que não posso ser quem não sou, gostar mais de mim e olhar em frente.  

sábado, 22 de abril de 2023

Histórias narradas ao desafio em dois minutos

Esta tarde fiz ao Duarte o seguinte desafio: 

Eu sugeri uma palavra e a partir daí começo uma história inventada em dois minutos. 

Na primeira história, mais curtinha, dei eu o mote no entanto a partir da segunda história o Duarte quis ser ele a começar e correu ainda melhor,


Primeira palavra foi:

Elefante

Pai: O elefante comeu a erva...

Duarte: depois veio o leão e comeu o elefante e deu aos filhos e à mãe...

Pai: e ficaram com a barriga cheia. 

A segunda palavra foi:


Segunda Palavra

Banana

Duarte: Abanana encontrou a maça e disse-lhe "maça queres brincar comigo?"

Pai O que é que sugeres banana?

Duarte: Vamos brincar no parque

Pai: Queres  brincar a quê?

Duarte: Queres brincar nos baloiços 

Pai: Sim

Duarte: A seguir ao baloiço vamos à concha.


Terceira palavra:

Pegeout

Duarte: O Pegeout encontrou o BMW e disse-lhe vamos fazer uma corrida 

Pai: Quando queres começar?

Duarte: Agora

Pai: Queres ir para onde

Duarte: Sei lá para uma pista de carros 

Pai: Em que pista

Duarte: Em Évora há uma pista de Kartings 

Pai: Achas que nos deixam entrar

Duarte: Sim

Pai: Então vamos 

Duarte: 3,2,1 Partida, a corrida começa.

Pai: Quem ganha

Duarte: Sei lá.


Quarta palavra:

Cenoura

Duarte: A cenoura foi dar uma caminhada e encontrou uma couve

Pai: Olá cenoura como estás 

Duarte: Estou bem, queres fazer uma corrida a caminhar?

Pai: Onde é a meta:

Duarte: Sei lá, trouxeste um giz?

Pai: Só tenho um giz roxo

Duarte: Faz um risco no chão

Pai: Está feito

Duarte: 3,2,1 Partida 

Pai: Quem é que ganhou?

Duarte: Sei lá, foi a couve


Desafio "Se eu fosse..."



Aproveitámos um livro do Richard Zimler e cumprimos o seguinte desafio de nos colocarmos no lugar de outro ser vivo, neste caso foi escolhida a árvore

O desafio durou 3 minutos  

 

Se eu fosse uma árvore.... 

Duarte- dava muitas frutas  

Pai- Dava sombra 

Duarte- Dava ar 

Pai- Tinha frio no Inverno 

Duarte- Gostava de ver a paisagem 

Pai- As folhas caiam-me no Outono 

Duarte- No outono as folhas ficavam amarelas, laranja,.... 

Pai- Estava presa no chão 

Duarte- Olhavam para mim e diziam que era muito bonita  

Pai- tinha pássaros a cantar nos meus galhos  

Duarte- As pessoas podavam-me 

Pai- A minha sombra representava o norte 

Duarte- Não gostava que me cortassem


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Uma história de setembro de 2021

 Por vezes penso que sou forte, que a dor da distância é facilmente ultrapassada com o foco no trabalho e na inevitabilidade de estar longe de quem mais gostamos. Tenho por hábito escrever um diário onde descrevo as minudências dos meus dias. Hoje fiz greve e comecei a ler papeis que tinha escrito no ano letivo passado e parei neste que fez chorar, senti alívio em chorar. Afinal não podemos estar sempre a esconder aquilo que sentimos para nos sentirmos forte.

Passo a citar o texto escrito no dia 25 de setembro de 2021 o meu filho Duarte tinha 4 anos.

"A passagem do tempo é algo que aos poucos começa a entrar no cérebro do pequenino do Duarte.

Este ano letivo parece estar a ser mais difícil para ele gerir  a minha ausência. No ano letivo ainda não percebia porque eu me ia embora  todas as semanas. Nós dissemos-lhe que eu saia de noite e chegava muito cedo e só num determinado dia da semana é que eu chegava a horas de poder estar com ele. 

Eu no ano letivo passado senti um afastamento do Duarte em relação a mim. lembro-me perfeitamente que a minha ausência o afastou de mim e aproximou da mãe. 

Este ano letivo está a ser diferente, sinto-o mais próximo e apercebo-me que a minha presença é fundamental. A alegria transparecida no olhar é evidente assim como a vontade de me vir abraçar.

O ano passado também acontecia, mas este ano é diferente.

Nós ganhámos ligações que nos tornaram inseparáveis. Conseguir ter tempo para o Duarte ao fim de semana passou a ser algo indispensável para mim e para ele.

Os jogos inventados com bolas que se colocam no cesto ou na baliza ou  as conversas com o senhor Fogaça sobre possíveis missões que eu tinha de tomar são muitas das brincadeiras que temos durante o fim de semana.

No passado fim de semana lembro-me da futebolada que fizemos onde se fartou de correr marcar golos e divertir-se. Acabou exausto e deixou-se dormir no banco de jardim que está junto ao campo.

Passado uns instantes fomos ao pavilhão ver um torneio de hóquei que lá estava a decorrer    e sinto-o cansado. Tivemos lá pouco mais de meia hora. Quando fomos para casa fizemos a paragem habitual junto ao reservatório da água que fica junto aos bombeiros e ele já estava quase a adormecer quando me disse "pai levas.me ao colo até casa". Acabei por leva-lo às cavalitas e mal chegou a casa deitei-o e adormeceu profundamente. Acordámo-lo um pouco antes das 19h para jantar.

A amizade e o amor é crescente apesar da distância e isso deixa-me feliz apesar de saber que lhe custa mais a minha ausência.

Esta semana a mãe disse-me que ele olhou para um cartão da escola de Grândola pegou nele abraçou-o e disse "tenho saudades do pai" e chorou." 

Costuma-se dizer que vida é assim, todas estas adversidades nos fazem crescer e tornar mais forte mas custam, custam muito. Hoje  a distância custa-me a mim mas também ao Duarte, sinto-o na despedida.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Eu e o Duarte

Observo o Duarte! Tenho medo de falhar na educação que lhe transmito. Observo alguns traços meus e deixa-me assustado. Percebo no Duarte ainda muita insegurança, muito medo de falhar, desiste facilmente quando vê que não consegue. Eu sou assim. O Duarte dispersa o pensamento e deixa as tarefas a meio se não for incentivado a acaba-las. Acontece-me isso muitas vezes principalmente quando não estou focado a realizar uma tarefa e as adio ao máximo, pois não tenho um rumo, estou perdido e não sei por onde ir. Hoje o Duarte após tomar o pequeno almoço a mãe mandou-o lavar os dentes e ele passou uma enormidade de tempo na casa de banho, antecipou a tarefa que tinha de fazer, ou esqueceu-se mesmo que era para lavar os dentes. Será que ele também tem receio de ir para a escola de ser confrontado com colegas que o desafiam. O Duarte é mole como eu não reage quando lhe batem ou quando recebe de um colega uma expressão menos positiva. 

Daquilo que me recordo dos relatos dos meus pais sobre a minha pré escola/ ensino primário foi eles dizerem aos professores que eu era muito tímido. Desde sempre gostei de estar no meu canto, na minha bolha. Aquilo que mais me aflige é minha obsessão por definir objetivos constantemente quando algo corre mal. Estar constantemente a partir pedra para tentar chegar a um objetivo que nunca consigo. Quero sempre ser melhor, defino as estratégias, mas quando as implemento e percebo que algo corre mal coloco tudo em causa e volto quase à estaca zero. Considero isso masoquismo! O convívio social e a integração foi sempre o meu calcanhar de Aquiles. Tenho medo de expressar a minha opinião, de tirar as minhas dúvidas pois penso que elas são despropositadas, ou simplesmente porque não me sinto à vontade para falar com aquela pessoa.  Estes serão alguns dos meus defeitos. Percebo que estes defeitos me tornam mais incompetente pois não me pedi ajuda quando o devia ter feito e tomei uma decisão errada que foi alvo de chacota por colegas ou alunos. Colocar-me constantemente na cabeça do outro é tremendamente desgastante e tóxico. Eu percebo  isso mas é a maneira que eu tenho de lidar com as situações principalmente as que correm menos bem. Digo isto tudo porque sei que quando tenho as coisas bem definidas, acredito nelas tudo corre melhor. Na escola quando consigo desbloquear as minhas dúvidas, os meus receios tudo corre melhor. Partilho uma história vivenciada aquando da realização do cadastro predial no concelho de Oliveira do Hospital, mais concretamente em Aldeia da dez. Estava a fazer um levantamento de um prédio rústico e estavam lá cerca de cinco pessoas a opinar e acabei por não perceber nada do que eles diziam, até que me impus e disse que não estava a perceber nada e apenas saia dali quando percebesse a configuração do prédio(terreno) que estava e medir a área. Acabei uns instantes depois por perceber as estremas do prédio. Nesse período acabaram por acontecer mais situações dessas, no entanto consegui resolver grande parte delas através da minha organização dos meus esquemas em papel. Ainda hoje, e já passaram 10 anos consigo ver através dos inúmeros dossiers que fui construindo a localização dos prédios. Tento idealizar constantemente um modelo de organização que me sinta confortável, no entanto esbarro constantemente na complexidade do ensino de hoje e descuro o mais importante que é dar aulas. Talvez seja essa a solução para muito dos meus problemas. 

Observo o Duarte e vejo que felizmente ele é mais sociável, não tem receio de brincar com outras crianças nos baloiços. Não é preciso dizer-lhe vai. O Duarte é uma criança  muito inocente, ainda não sabe de forma clara o que está certo e errado. Acontece comigo, na definição do risco, saber até onde posso ir. Fizeram-me falta o confronto com regras com limites, fez-me falta conversar mais com os meus pais sobre os meus problemas, as minhas dúvidas. Fez-me faltar falar sobre aquilo que fui alvo na infância/adolescência a professores, amigos mais próximos. 

Tudo o que eu sou hoje é também reflexo do meu passado. Agradeço a quem tem a paciência de conviver comigo diariamente. Posso dizer que apesar de tudo tenho muita sorte.