domingo, 28 de dezembro de 2025

O jogo do Benfica

 Hoje fui com o meu filho Duarte ver o Benfica Braga a um café e soube-me tão bem. Enquanto via o jogo joguei com ele um jogo de perguntas sobre craques da bola. Eu e ele alternadamente íamos fazendo perguntas, respondíamos e caso acertássemos somávamos o número que calhava no dado. As regras foram inventadas por mim. Aquele tempo foi preenchido de uma forma leve. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

O poder da palavra

Não Sei Nada

"Conheço as palavras pelo dorso.

Outro, no meu lugar,

 diria que sou um domador de palavras.

 Mas só eu - eu e os meus irmãos - sei em que medida sou eu que sou domado por elas.

 A iniciativa pertence-lhes.

 São elas que conduzem o meu trenó sem chicote,

 nem rédeas, nem caminho determinado antes da grande aventura.

Sim, conheço as palavras.

 Tenho um vocabulário próprio.

 O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar,

 rolar umas sobre as outras as palavras

. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar.

 São pesadas e caem.

 São o contrário dos pássaros, embora "pássaros" seja uma das palavras.

A minha vida passou para o dicionário que sou.

 A vida não interessa.

 Alguém que me procure tem que começar - e de se ficar - pelas palavras.

 Através das várias relações de vizinhança,

 entre elas estabelecidas no poema,

talvez venha a saber alguma coisa.

 Até não saber nada, como eu não sei."

 Ruy Belo

Encontrei este poema em prosa, por isso  a conversa para poesia não está correta. Mas conta a intenção.

Adorei este poema por falar na palavra e na espontaneidade com elas surgem quando a inspiração inala em nós e deixamos que as palavras fluam num texto. 

Diariamente tenho a ambição de conseguir soltar as palavras que tenho em mim e fazer um belo texto. Procuro inspiração embora muitas vezes não o consiga. Escrever exala em mim um prazer e uma tranquilidade natural.

A carta do Benfica

 O Duarte tem andado muito entusiasmado com o ténis. Gosta imenso dos treinos com o Luís. Ontem teve uma consulta com o pediatra Frederico e disse-lhe que o que gostava de ser quando fosse grande era tenista profissional. 

Ontem recebemos uma carta do Benfica relativa a assinatura do jornal. Ele todo entusiasmado associou a um possível pedido para um contato para ir jogar ténis para o Benfica. Leu a carta atentamente e percebeu que o seu desejo não se concretizara no entanto o entusiasmo por termos recebido uma carta do benfica não esmoreceu. O sonho comanda a vida. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O Duarte ia fazer queixa à Câmara

 Estiveram a fazer uma obras ao pé do estacionamento de nossa casa e deixaram uns montes nos lugares de estacionamento que impedia que os carros lá estacionassem convenientemente.

O Duarte ontem disse que não viessem cá tirar os montes até ao Natal ele ia fazer queixa à câmara. 

Hoje vieram cá tirar os montes de terra, ao que o Duarte disse. Se calhar tiveram medo.

O Duarte quer ser famoso

 Hoje o Duarte disse que queria ser ao que eu interroguei porquê.

Ele respondeu que queria descobrir qualquer coisa mas que já não havia nada para descobrir. Já inventaram a lua.

Eu disse-lhe que há sempre descobertas novas a fazer. 

O Duarte respondeu vou inventar carros voadores ou então comida invisível.

O desejo de aprender continua vivo naquela cabecinha pequenina mas muito curiosa

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A importância de um poema

Arte Poética

Escrever um poema

é como apanhar um peixe

com as mãos

nunca pesquei assim um peixe

mas posso falar assim

sei que nem tudo o que vem às mãos

é peixe

o peixe debate-se

tenta escapar-se

escapa-se

eu persisto

luto corpo a corpo

com o peixe

ou morremos os dois

ou nos salvamos os dois

tenho de estar atenta

tenho medo de não chegar ao fim

é uma questão de vida ou de morte

quando chego ao fim

descubro que precisei de apanhar o peixe

para me livrar do peixe

livro-me do peixe com o alívio

que não sei dizer

 

Adília Lopes, in 'Um Jogo Bastante Perigoso'

Ouvir o podcast "o poema ensina a cair" é uma terapia que recorro sempre que preciso de estar comigo próprio. Este poema recordar a luta que eu travei  para concluir um artigo cientifico para a pós graduação de Ensino Especial que estou a realizar.  Para mim era algo inatingível até eu começar a estruturar o artigo e rescreve-lo com base na informação lida. 

Este poema fala do peixe que eu não estava a conseguir agarrar com persistência e muito trabalho consegui agarra-lo e livrei-me com o alívio que não sei que dizer. 

Sinto que daqui para a frente muitos mais peixes terei que apanha-lo quando estiver realizado e crente de que fiz o melhor de mim.